Vessel e Noah Sebastian #05
Ao acordar, já estava escuro. A cabeça de Noah doía como se tivesse passado um caminhão sobre ela. Piscou algumas vezes, confuso sobre o local onde estava, como uma criança que dorme no sofá da sala vendo desenho e acorda na cama, era exatamente esse o caso. Estava em sua cama, coberto com um edredom macio e confortável e as roupas tinham sido trocadas, na verdade, usava apenas uma camiseta, dele e a boxer. Tinha bebido demais, provavelmente fora fácil manipular a si, deveria estar estirado e morto. Até poderia brincar consigo mesmo dizendo que se ele quisesse abusar de si conseguiria, mas estava um pouco agoniado pela briga do dia anterior, então apenas procurou por ele visivelmente, mas não o encontrou na cama.
- ... Leo?
Leo havia dormido por algum tempo com ele na verdade, porém acordou antes também, afinal, não havia bebido tanto ou trabalhado naquele dia. Quando acordou, sentou-se no sofá e olhou pra ele, não estava chateado com ele, estava triste por ele na verdade, sabia que havia causado um anseio, suas pernas inquietas ficaram na memória, era bem diferente de como o havia visto até então. Não entendia porque as coisas pareciam tão profundas e intensas entre ambos, quando praticamente nem se conheciam direito. Tinha uma sensação de que ele se parecia com as músicas que criava. Suspirou e olhou para as mãos, notando os próprios dedos, havia passado a gostar deles desde muito cedo, eram instrumentos musicais tanto quanto um piano ou um violão, sorriu, mas aos poucos este sumiu. Sentiu uma sensação densa na garganta, pensou em Leo, como uma terceira pessoa, não como a si, como um garoto tentando ser mais do que o mundo queria. Sentia pena dele, não apenas pelo que as pessoas faziam com ele, mas pelo que ele fazia consigo mesmo. Sentiu vontade de chorar, mas por isso se levantou. Pegou Noah no colo, ele era mesmo magro pra alguém que gostava tanto de comer. O guiou até o quarto, acomodou na cama, mudou suas roupas e o deixou descansar. Aproveitou esse tempo para escrever alguma coisa, tentando tirar da cabeça os pensamentos, ocupando aquele espaço com algo diferente. Tomou banho, lavou a louça residual. Estava triste e isso era um veículo para criar, então passou um tempo fazendo isso, até exteriorizar os pensamentos. Quando terminou, bem, já era noite, ele dormiu pelo dia todo praticamente, decidiu fazer algo como ele e agradecer pelo almoço, mas era melhor com a confeitaria, então fez um bolo inglês clássico, de limão.
- Leo? - Noah disse novamente, se sentindo perdido e com um nó na garganta, estava chateado, ainda se sentindo culpado. - ... Vess? - Chamou diferente, talvez ele ouvisse assim, mas se levantou, foi ao banheiro, ele não estava, então lavou o rosto e se olhou no espelho, os olhos estavam pequenos, menores do que já eram e a luz fez a cabeça doer num estalo, desgraça, maldito vinho e falta de descanso, claramente os analgésicos haviam passado há muito tempo. Desceu as escadas, esfregando os olhos e o viu na cozinha, usando um avental preto, estava tão lindo e adorável que não conseguiu esconder a expressão que tinha, a expressão de bobo a olhar pra ele. - Leo... - Sussurrou para si mesmo e sorriu, tinha certeza que estava apaixonado por ele, por tudo dele, seus mínimos detalhes, felizmente ele era o vocalista da banda, porque através do Vessel, pôde conhecer aquela pessoa incrível, maravilhosa que agora estava ali na frente. Caminhou para ele e não disse nada, apenas o abraçou, forte, beijando seu rosto. - Oi... Oi... Bom dia...
Com um farfalho, Leo deu atenção ao redor, notando a movimentação suave dele, que descalço quase não ruiu. Sorriu como saudação ao ouvi-lo, ele parecia uma criança perdida, acordando na casa de uma visita ou de um estranho. Fechou os olhos com o abraço e retribuiu com um carinho suave em sua lombar.
- Oi, boa noite.
Leo falou baixo, sabia que ele estava afetado pelo cansaço, o sono estranho e o vinho. Mas sabia também que aquele cheiro de bolo recém assado e limão, era um carinho pra alma. Noah suspirou profundamente, como se estivesse sem ar há muito tempo e agora conseguisse respirar. Ao se afastar, olhou pra ele e selou seus lábios, acariciando sua bochecha.
- Que cheiro gostoso. - Disse num pequeno sorriso. - Está cozinhando?
- Estava. Agora... Vou.. bom, fazer o chá. É, bem inglês. - Leo murmurou com um risinho em seguida. - O bolo está resfriando pra cobertura ficar firme. É um bolo simples.
- Hum... - Noah aspirou o cheiro gostoso do bolo e suspirou. - Que delícia. Eu adoro bolo e gosto de chá também. - Sorriu e Leo retribuiu o sorriso.
- Queria fazer algo pra agradecer o almoço, e alguma coisa que fosse confortável. Sempre gostei de acordar com cheiro de bolos ou biscoitos.
- É... Isso é meio novo pra mim. - Noah disse e sorriu, meio desajeitado. - Leo, você por acaso tem... Um analgésico? Eu passei na farmácia mais cedo, mas, bom comprei o lubrificante e não o remédio. - Disse no mesmo sorriso, tímido.
- Apenas o essencial. - Leo disse, brincando quase sério sobre a farmácia, mas ficou na cabeça sua primeira frase, esperando que, por conta da pequena estranha interação anterior, não tivesse tornado a experiência olfativa desagradável. - Eu tenho algum remédio. Se sente, eu vou pegar e fazer o chá. - Disse e segurou seu rosto, apenas brevemente, enquanto deu um beijo em sua testa e buscou a medicação guardada, trazendo-a logo em seguida. - Aqui. Dormiu bem, ao menos?
Noah riu.
- Espero que goste de menta. - Noah disse a coçar a cabeça e se sentou como indicado, fechando suavemente os olhos já que havia mexido a cabeça muito rápido e a dor exalou pela cabeça. Aceitou o remédio e percebeu que a própria mão estava um pouco trêmula, suspirou, negativando e o bebeu junto da água dada por ele. - Se eu dormi bem? Eu nem vi a hora que você me levou pra cama e tirou minha roupa. - Riu. - Estou quase me convencendo de que eu morri e você é um anjo. Bom, não seria tão difícil de me convencer disso, você parece um anjo mesmo.
- Hum, um anjo caído. - Leo disse e buscou o bule de infusão. Abriu a chaleira, pegando o compartimento onde colocou as ervas, adicionou água para aquecer e então fechou a tampa, deixando a bebida descansar e dar cor ao conteúdo cristalino, agora vagarosamente ia escurecendo, ganhando cor âmbar. No meio tempo, pegou a xícara, colocou na bancada e em seguida pegou o bolo para colocar no mesmo lugar. Tinha formato pequeno e retangular, cor dourada e coberta por uma fina camada cristalizada de limão e finas raspas do mesmo sabor. - Ficou bonitinho, ó.
Noah riu baixinho e enquanto ele preparava o chá, buscou o celular sobre o balcão, olhou as mensagens, todas do amigo, tinha umas cinco, perguntando se deveria ir até a casa. Suspirou e enviou uma mensagem de áudio. - Nick, calma, eu só cochilei, por bastante tempo, mas cochilei. Ainda estou com o Leo e não fui raptado. Deixa comida pra eles e tranca tudo, eu volto assim que possível. - Riu sutilmente a deixar o celular sobre o móvel e negativou. - Desculpe, meu amigo achando que tinham me raptado. - Disse e olhou o bolo, sorriu. - Bonitinho? Parece uma delícia!
Leo sorriu, num riso baixinho em seguida. Buscou o pequeno prato de sobremesa e colocou para ele junto ao restante, uma faca para cortar o bolo e um garfo para come-lo.
- Pode se servir, hum? - Sugeriu e por fim, era hora de terminar o chá, então tirou as ervas da infusão e serviu sua xícara. - Está em cativeiro, comendo bolo.
Noah riu divertido e aceitou a faca, cortando um pedaço do bolo para experimentar, colocou no prato, como um cavalheiro já que havia sido servido embora provavelmente em casa tivesse comido na mão mesmo. Aceitou o garfo e também o chá, aspirando o cheiro gostoso e até meio floral.
- Ah... Isso é bom... Tem cheiro de vida, sei lá. - Disse e riu. - Só estou meio preocupado com os gatos, eles costumam ficar sozinhos, mas... Sei lá, coisa de dono eu acho. Queria que você os conhecesse, você ia gostar deles.
Leo riu diante da analogia.
- Cheiro de vida? Então sua vida tem o aroma cítrico? Acho que posso entender.
Leo serviu um pouco de chá para si também, chá preto com laranja, era uma boa combinação para o bolo, embora soubesse ser realmente clichê, achava que ele esperava com algo que se parecesse legitimamente inglês, e bem, era uma ótima combinação mesmo. Cortou uma fatia para si também, mas pegou-a com a mão mesmo, sem o prato no qual o serviu.
- Seu amigo foi até sua casa, não? Deve estar tudo bem, mas se quiser ir por isso...
Noah o viu pegar o bolo com a mão, e piscou algumas vezes, riu, divertido e mordeu o lábio inferior.
- Eu... Literalmente acabei de pensar que na minha casa eu teria pego com a mão... - Disse num riso, mas provou o bolo e suspirou em apreço, tinha um gosto suave do limão siciliano, era macio, mas ao mesmo tempo derretia na boca, e a calda, adorava coberturas. - Ah cara... - Disse e fechou os olhos por um momento. - Isso é muito bom. - Disse a olhar o bolo no prato e depois pra ele, sorriu em apreço. - Você sabe o que faz. - Riu suavemente e pegou mais um pedaço, depois olhou pra ele. - Não... Eu disse a ele que se quiser pode dormir por lá. Eu não quero ir embora... - Disse baixinho. - Só se eu estiver te incomodando ou se você quiser... Privacidade.
Leo o olhou, curioso pela expressão em seu rosto, piscando quase enfático de alguma forma.
- Ah... - Leo riu, embora tenha abafado pela mordida que deu no bolo, esperando engolir antes de responder, ainda que ele já estivesse usando o talher que entregue pouco antes. - Eu achei que seria pouco educado não te dar uma louça pra isso. Mas fique a vontade, pode usar a mão. - Disse e sorriu no final, podia ver que ele realmente gostava do bolo, fechava os olhos e suspirava, tinha uma expressão muito boa, riu por isso, divertido. - Que bom que gostou. - Disse, ainda se divertindo com a feição dele ao experimentar o bolo. - Não está me incomodando, eu fiz bolo. - Disse e agiu como se aquilo fosse uma evidente demonstração de hospitalidade, brincando com ele é claro.
Noah riu baixinho ao ouvi-lo e estendeu uma das mãos sobre a mesa, tocando a dele, acariciando seu dorso e esperava apenas que ele não se lembrasse da briga no dia anterior, ainda estava um pouco angustiado por isso, mas sabia que tocar no assunto seria pior. Por favor, não desgoste de mim... Por favor. Murmurou para si mesmo dentro da própria cabeça, depois, provou o chá, e também era muito bom.
- Hum, esse é inglês mesmo, não é? Porque o chá daqui é uma porcaria.
- Sim.
Leo disse e riu por isso. Estava bem, estava melhor do que havia despertado, na verdade. Não estava pensando sobre a discussão anterior, nem mesmo quando acordou inundado pelos pensamentos, sentindo-se chateado, pensou nele de forma ruim, na verdade se sentia incomodado pela crise que lhe dera antes, pensava em suas pernas inquietas, em seu rosto atordoado. Pensando nisso por um momento, o acariciou no rosto sem contexto algum. Noah sentiu o toque no rosto e segurou sua mão, acariciando o dorso e repousou o rosto sobre ela, suavemente, gostava de ganhar carinho dele, se sentia tão confortável a seu lado.
- Hum... Eu queria morar com você. Eu ia amar ver o seu rosto todos os dias.
Leo se surpreendeu com o comentário, mesmo que já soubesse que Noah era um pouco rápido no gatilho, ou talvez estivesse interpretando errado.
- Ia, é? Bem, ia ser um pouco complicado com seus amigos.
Noah sorriu meio de canto.
- Bom, eles não vão muito mais a minha casa, eu vou mais a casa deles. Mas é só brincadeira. - Disse num pequeno riso. - Não é... Um pedido.
- Hum, bom, você pode vir ficar uns dias comigo, se quiser.
- Não se preocupe. Eu sei que você tem a sua privacidade. Além disso... Bom, seus amigos da banda também devem vir aqui e vai ser estranho se eles me virem.
- Não estou preocupado. Acho que seus amigos seriam mais um problema que os meus.
- Não os traria aqui. Eles não vão ver sua casa. - Noah disse num sorriso. - Eu... Não contei a eles. Não sabem que você é o Vessel, eu nunca diria sem a sua autorização. Não falei nem o sobrenome. Então... Eles acham que você é só o rapaz lindo que eu estou saindo. - Sorriu.
- Um rapaz lindo?
Leo riu e negativou, mas ficou meio desajeitado, então mordeu o bolo novamente e indicou, gesticulando com a mão, que ele comesse mais.
- Uhum. - Noah sorriu, não era só um flerte, era verdade. Comeu mais um pedaço do bolo e suspirou novamente. - Ah, meu Deus.
Leo negativou.
- Mas como eu disse, você pode passar uns dias aqui se quiser.
Noah assentiu, mas fez um pequeno bico.
- Eu tenho gatos, acho que... Eles iam incomodar você.
- Não acho que iam me incomodar, mas que eles se incomodariam, gatos têm hábitos e território, essas coisas.
- Você já teve gatos? - Noah disse num pequeno sorriso. - Bom eles... Gostam de subir nas coisas, arranhar... Derrubar coisas.
- Não, nunca tive bichinhos de estimação. Eles são muito bagunceiros? - Leo sorriu canteiro.
Noah suspirou a franzir o cenho.
- Nunca teve? Todo mundo precisa ter um bichinho uma vez na vida, eles são... Tão preciosos. Eu já tive cachorros, gatos. Eu adoro bichos. - Sorriu. - Mas não, eles são tranquilos, geralmente brincam entre si e são acostumados a não subir nos móveis. Eu tenho algumas coisas que não gosto que derrubem.
- É, eu queria um cachorro quando criança, um que se parecesse com um lobo. Mas estava sempre estudando, com o tempo fui ficando mais ocupado e aí já sabe. Como consegue ter tempo pra eles, hum?
- Ah... Que pena. Mas você ainda pode ter um. - Noah disse e sorriu a ele. - Bom, eu sempre tenho alguém cuidando deles quando não estou ou estou viajando, tenho uma babá de confiança. - É... Meus gatos tem babá, pode rir. - Riu baixinho.
Leo o olhou por alguns instantes, em silêncio, era evidente que achou o título de babá excêntrico. Noah riu divertido ao ver sua expressão, mas franziu o cenho em seguida porque a cabeça deu uma suave pontada, o que fez com que tocasse as têmporas.
- Eles são como crianças ora...
- O remédio não ajudou?
- Ajudou sim... Mas... Estava doendo bastante, acho que vai demorar um pouquinho pra passar.
Noah disse num pequeno sorriso e comeu mais um pedaço do bolo, talvez estivesse falando demais, era falante mesmo e animado, não sabia.
- Quer ir pra cama? Pode comer lá, eu não me importo.
- Eu dormi um pouco demais eu acho... Tá tudo bem.
Noah sorriu a ele e finalizou o pedaço de bolo, suspirando mais uma vez pelo último pedaço que tinha cobertura, porra e era bom.
- Mas estar deitado não significa dormir, pode só descansar. Amanhã você trabalha?
Leo perguntou mas soou meio risonho enquanto o via se expressar com o bolo.
- Amanhã não, é domingo, os meninos ficam com a família. Você... Quer que eu durma aqui hoje com você de novo? Porque... Eu adoraria. - Noah sorriu.
- Claro, por que não? Eu não dormi muito bem, então vai ser até bom a gente deitar um pouco juntos. Termine o chá e podemos subir.
Noah assentiu e sorriu mais uma vez, ele era atencioso, romântico e fofo, gostava tanto dele que chegava a ter um buraco no peito quando pensava sobre isso, era a sensação da ansiedade e talvez, o medo de lidar com um sentimento novo depois da briga anterior, o medo de perder ele por algo que pudesse dizer ou fazer. Respeitaria a privacidade dele dali em diante.
Noah riu baixinho e enquanto ele preparava o chá, buscou o celular sobre o balcão, olhou as mensagens, todas do amigo, tinha umas cinco, perguntando se deveria ir até a casa. Suspirou e enviou uma mensagem de áudio. - Nick, calma, eu só cochilei, por bastante tempo, mas cochilei. Ainda estou com o Leo e não fui raptado. Deixa comida pra eles e tranca tudo, eu volto assim que possível. - Riu sutilmente a deixar o celular sobre o móvel e negativou. - Desculpe, meu amigo achando que tinham me raptado. - Disse e olhou o bolo, sorriu. - Bonitinho? Parece uma delícia!
Leo sorriu, num riso baixinho em seguida. Buscou o pequeno prato de sobremesa e colocou para ele junto ao restante, uma faca para cortar o bolo e um garfo para come-lo.
- Pode se servir, hum? - Sugeriu e por fim, era hora de terminar o chá, então tirou as ervas da infusão e serviu sua xícara. - Está em cativeiro, comendo bolo.
Noah riu divertido e aceitou a faca, cortando um pedaço do bolo para experimentar, colocou no prato, como um cavalheiro já que havia sido servido embora provavelmente em casa tivesse comido na mão mesmo. Aceitou o garfo e também o chá, aspirando o cheiro gostoso e até meio floral.
- Ah... Isso é bom... Tem cheiro de vida, sei lá. - Disse e riu. - Só estou meio preocupado com os gatos, eles costumam ficar sozinhos, mas... Sei lá, coisa de dono eu acho. Queria que você os conhecesse, você ia gostar deles.
Leo riu diante da analogia.
- Cheiro de vida? Então sua vida tem o aroma cítrico? Acho que posso entender.
Leo serviu um pouco de chá para si também, chá preto com laranja, era uma boa combinação para o bolo, embora soubesse ser realmente clichê, achava que ele esperava com algo que se parecesse legitimamente inglês, e bem, era uma ótima combinação mesmo. Cortou uma fatia para si também, mas pegou-a com a mão mesmo, sem o prato no qual o serviu.
- Seu amigo foi até sua casa, não? Deve estar tudo bem, mas se quiser ir por isso...
Noah o viu pegar o bolo com a mão, e piscou algumas vezes, riu, divertido e mordeu o lábio inferior.
- Eu... Literalmente acabei de pensar que na minha casa eu teria pego com a mão... - Disse num riso, mas provou o bolo e suspirou em apreço, tinha um gosto suave do limão siciliano, era macio, mas ao mesmo tempo derretia na boca, e a calda, adorava coberturas. - Ah cara... - Disse e fechou os olhos por um momento. - Isso é muito bom. - Disse a olhar o bolo no prato e depois pra ele, sorriu em apreço. - Você sabe o que faz. - Riu suavemente e pegou mais um pedaço, depois olhou pra ele. - Não... Eu disse a ele que se quiser pode dormir por lá. Eu não quero ir embora... - Disse baixinho. - Só se eu estiver te incomodando ou se você quiser... Privacidade.
Leo o olhou, curioso pela expressão em seu rosto, piscando quase enfático de alguma forma.
- Ah... - Leo riu, embora tenha abafado pela mordida que deu no bolo, esperando engolir antes de responder, ainda que ele já estivesse usando o talher que entregue pouco antes. - Eu achei que seria pouco educado não te dar uma louça pra isso. Mas fique a vontade, pode usar a mão. - Disse e sorriu no final, podia ver que ele realmente gostava do bolo, fechava os olhos e suspirava, tinha uma expressão muito boa, riu por isso, divertido. - Que bom que gostou. - Disse, ainda se divertindo com a feição dele ao experimentar o bolo. - Não está me incomodando, eu fiz bolo. - Disse e agiu como se aquilo fosse uma evidente demonstração de hospitalidade, brincando com ele é claro.
Noah riu baixinho ao ouvi-lo e estendeu uma das mãos sobre a mesa, tocando a dele, acariciando seu dorso e esperava apenas que ele não se lembrasse da briga no dia anterior, ainda estava um pouco angustiado por isso, mas sabia que tocar no assunto seria pior. Por favor, não desgoste de mim... Por favor. Murmurou para si mesmo dentro da própria cabeça, depois, provou o chá, e também era muito bom.
- Hum, esse é inglês mesmo, não é? Porque o chá daqui é uma porcaria.
- Sim.
Leo disse e riu por isso. Estava bem, estava melhor do que havia despertado, na verdade. Não estava pensando sobre a discussão anterior, nem mesmo quando acordou inundado pelos pensamentos, sentindo-se chateado, pensou nele de forma ruim, na verdade se sentia incomodado pela crise que lhe dera antes, pensava em suas pernas inquietas, em seu rosto atordoado. Pensando nisso por um momento, o acariciou no rosto sem contexto algum. Noah sentiu o toque no rosto e segurou sua mão, acariciando o dorso e repousou o rosto sobre ela, suavemente, gostava de ganhar carinho dele, se sentia tão confortável a seu lado.
- Hum... Eu queria morar com você. Eu ia amar ver o seu rosto todos os dias.
Leo se surpreendeu com o comentário, mesmo que já soubesse que Noah era um pouco rápido no gatilho, ou talvez estivesse interpretando errado.
- Ia, é? Bem, ia ser um pouco complicado com seus amigos.
Noah sorriu meio de canto.
- Bom, eles não vão muito mais a minha casa, eu vou mais a casa deles. Mas é só brincadeira. - Disse num pequeno riso. - Não é... Um pedido.
- Hum, bom, você pode vir ficar uns dias comigo, se quiser.
- Não se preocupe. Eu sei que você tem a sua privacidade. Além disso... Bom, seus amigos da banda também devem vir aqui e vai ser estranho se eles me virem.
- Não estou preocupado. Acho que seus amigos seriam mais um problema que os meus.
- Não os traria aqui. Eles não vão ver sua casa. - Noah disse num sorriso. - Eu... Não contei a eles. Não sabem que você é o Vessel, eu nunca diria sem a sua autorização. Não falei nem o sobrenome. Então... Eles acham que você é só o rapaz lindo que eu estou saindo. - Sorriu.
- Um rapaz lindo?
Leo riu e negativou, mas ficou meio desajeitado, então mordeu o bolo novamente e indicou, gesticulando com a mão, que ele comesse mais.
- Uhum. - Noah sorriu, não era só um flerte, era verdade. Comeu mais um pedaço do bolo e suspirou novamente. - Ah, meu Deus.
Leo negativou.
- Mas como eu disse, você pode passar uns dias aqui se quiser.
Noah assentiu, mas fez um pequeno bico.
- Eu tenho gatos, acho que... Eles iam incomodar você.
- Não acho que iam me incomodar, mas que eles se incomodariam, gatos têm hábitos e território, essas coisas.
- Você já teve gatos? - Noah disse num pequeno sorriso. - Bom eles... Gostam de subir nas coisas, arranhar... Derrubar coisas.
- Não, nunca tive bichinhos de estimação. Eles são muito bagunceiros? - Leo sorriu canteiro.
Noah suspirou a franzir o cenho.
- Nunca teve? Todo mundo precisa ter um bichinho uma vez na vida, eles são... Tão preciosos. Eu já tive cachorros, gatos. Eu adoro bichos. - Sorriu. - Mas não, eles são tranquilos, geralmente brincam entre si e são acostumados a não subir nos móveis. Eu tenho algumas coisas que não gosto que derrubem.
- É, eu queria um cachorro quando criança, um que se parecesse com um lobo. Mas estava sempre estudando, com o tempo fui ficando mais ocupado e aí já sabe. Como consegue ter tempo pra eles, hum?
- Ah... Que pena. Mas você ainda pode ter um. - Noah disse e sorriu a ele. - Bom, eu sempre tenho alguém cuidando deles quando não estou ou estou viajando, tenho uma babá de confiança. - É... Meus gatos tem babá, pode rir. - Riu baixinho.
Leo o olhou por alguns instantes, em silêncio, era evidente que achou o título de babá excêntrico. Noah riu divertido ao ver sua expressão, mas franziu o cenho em seguida porque a cabeça deu uma suave pontada, o que fez com que tocasse as têmporas.
- Eles são como crianças ora...
- O remédio não ajudou?
- Ajudou sim... Mas... Estava doendo bastante, acho que vai demorar um pouquinho pra passar.
Noah disse num pequeno sorriso e comeu mais um pedaço do bolo, talvez estivesse falando demais, era falante mesmo e animado, não sabia.
- Quer ir pra cama? Pode comer lá, eu não me importo.
- Eu dormi um pouco demais eu acho... Tá tudo bem.
Noah sorriu a ele e finalizou o pedaço de bolo, suspirando mais uma vez pelo último pedaço que tinha cobertura, porra e era bom.
- Mas estar deitado não significa dormir, pode só descansar. Amanhã você trabalha?
Leo perguntou mas soou meio risonho enquanto o via se expressar com o bolo.
- Amanhã não, é domingo, os meninos ficam com a família. Você... Quer que eu durma aqui hoje com você de novo? Porque... Eu adoraria. - Noah sorriu.
- Claro, por que não? Eu não dormi muito bem, então vai ser até bom a gente deitar um pouco juntos. Termine o chá e podemos subir.
Noah assentiu e sorriu mais uma vez, ele era atencioso, romântico e fofo, gostava tanto dele que chegava a ter um buraco no peito quando pensava sobre isso, era a sensação da ansiedade e talvez, o medo de lidar com um sentimento novo depois da briga anterior, o medo de perder ele por algo que pudesse dizer ou fazer. Respeitaria a privacidade dele dali em diante.



