Vessel e Noah Sebastian #12
Após algumas horas, Noah havia acordado, ele parecia dormir muito confortável, quase apagado, sorriu por isso, o achava lindo dormindo, parecia um anjo, engraçado pensar nisso, porque como Vessel seria o oposto. Selou seus lábios, suavemente e se levantou, seguiu ao banheiro onde tomou um banho, fazia tempo que não tomava banho na própria casa, então era confortável de certa forma. Tirou o curativo, precisava lavar os cabelos, estavam sujos de sangue, haviam limpado de forma bem porca no hospital, então lavaria por si, com cuidado é claro. Também analisou no espelho que os pontos não haviam abrido, suspirou, não queria ter que voltar ao hospital então era ótimo. Após lavar os cabelos com muito cuidado, finalizou o banho, se secou com a toalha limpa que pegou no armário e vestiu a roupa que havia levado para o banheiro, uma calça mais solta que usava para ficar em casa e uma camiseta, da banda dele, queria surpreende-lo quando acordasse. Ali no banheiro deixou uma toalha dobrada, assim como uma roupa própria que ele poderia usar se quisesse tomar banho. Saiu do banheirinho de fininho, ele ainda dormia, agora o mascote estava onde antes havia se deitado, então ele o havia abraçado, quase riu, mas não podia, o acordaria. Saiu do quarto, puxando a porta devagar para fechar, no banheiro do quarto de hóspedes, refez o curativo, bom, tentou, estava meio torto, mas funcionaria. Desceu e na cozinha ajeitou algumas coisas, colocou ração para os gatos que já estavam sem, Madara veio preguiçoso, mas Toby nem se quer levantou, e sabia disso porque ele sabia abrir a porta do quarto. Olhou no armário, procurou por algo que pudesse cozinhar para ele, bem, faria um macarrão ao molho pesto e alguma carne, tinha tudo em casa. Começou o preparo, mas fora interrompido pelo barulho da porta, então se virou, abrindo um pequeno sorriso.
- Jolly, quem veio foi você.
- E aí Noah. Achei que não estava em casa. O Nick pediu pra passar aqui pra colocar ração pros gatos, ele não vai conseguir voltar hoje. Você... Ué, cadê o cara?
- Ta dormindo, ele tava cansado. Eu vim buscar umas roupas, mas... Bom, decidimos descansar por aqui. - Noah sorriu suavemente, ele sorriu de volta, quase maldoso e caminhou até a cozinha, se encostando no balcão a olhar para si enquanto cortava o manjericão. - O que?
- Mano, me fala porque eu sou curioso, por favor.
- Falar o que? - Noah disse a deixar o manjericão cortado de lado e pegou um copo de água.
- É o Vessel, não é?
Noah agradeceu muito por não estar com água na boca no momento, só bebeu depois, engolindo devagar, tão devagar que fez um barulho na garganta.
- Não, não é. É só o Leo.
- Noah, a voz dele não tem como, cara.
Noah sorriu meio de canto, eram amigos há tanto tempo que achava difícil mentir pra eles.
- Essa sua cara aí.
- Eu não posso falar sobre isso, mano. Vocês não podem só ouvir que é o Leo e ponto?
- Eu só quero saber, eu não vou sair espalhando. O Nick tava pesquisando ele no Google. Leo Faulkner, não é?
Noah olhou em direção à escada, estava silencioso, então ele provavelmente ainda dormia. Suspirou.
- Cara... Manda o Nick ir tomar no cu por mim.
Ele riu e negativou.
- Mas vocês fazem um casal bonito, e eu vou fingir que acredito que é só o Leo.
Noah sorriu meio de canto.
- Sério, não falem com ele como se ele fosse o Vessel, ele não gosta.
- Mano, que legal, porra, você era muito fã do Vessel. - Ele disse, enfático, mas tentando falar baixo ainda assim. Noah riu baixinho e assentiu.
- Sou apaixonado por ele, cara. - Suspirou, deixando a faca de lado por um momento. - Ontem no hospital eu disse que amava ele.
- Ih, ele... Ficou de boa?
- Hum? - Noah sorriu meio de canto. - Uhum.
- Mano... Nunca ouvi você falar isso pra ninguém que você estava namorando.
- É... Eu sei. É porque eu nunca senti isso por ninguém antes.
- Ele ficou com você no hospital, achei bonitinho. - Jolly riu.
- Eu não achei que ele fosse ficar. Lembra da Amy? "Ele não precisa que fique ninguém com ele, ele é adulto, amanhã a gente se vê".
- É claro que eu lembro, fui eu que fiquei com você lá. Mas foi divertido até.
- Ai cara, eu tô muito gay ultimamente, pelo amor de Deus. - Noah riu divertido, sem altura. - Ele segurou a minha mão a noite inteira, porque sabia que eu ficava confortável. - Disse e abraçou o próprio braço, era óbvio na própria expressão que estava muito feliz com o que os dois tinham.
- Ah, que fofo. Dois viados.
Noah o chutou, sem força de fato e negativou.
- Vai se foder. Sai da minha casa.
- Vocês vão ficar aqui?
- Não, vamos voltar pra casa dele, mas eu te mando mensagem se eu for ficar um tempo, sei lá.
- Ta bom então. E a cabeça?
- Ta melhor, tá melhor sim.
- Beleza, então até semana que vem.
- Até, vê se não bebe tanto no fim de semana.
- Não posso prometer.
Noah negativou e riu conforme o viu sair.
O sono de Leo estava sendo atordoado, dormia bem, exceto quando sentia algo totalmente inesperado como lambidas asperas no próprio rosto. A princípio tentou cobrir o rosto, até se dar conta de que estava sendo lambido e então finalmente despertou, olhou meio perdido e até um pouco irritado, o que passou ao notar o bichinho de estimação.
- Ah... O que tem aqui?
Resmungou como se ele fosse mesmo responder, levantou-se para se sentar na beirada da cama já que estava interessado em saber onde estava o dono da casa. Levou um tempo para baixar a alma, sentado ficou olhando os arredores, coçou os olhos, ajeitou os cabelos ao agita-los suavemente e quando em pé, seguiu até o banheiro, viu as roupas escolhidas para si, eram básicas, não seria um problema aceitar a sugestão do banho. Na verdade sentia até receio de sair do quarto, talvez ele estivesse com alguém, por isso saiu da cama, quase podia ouvir um burburinho lá fora, então decidiu que o banho era uma escolha boa. Tomou um banho rápido, mas de alguma forma foi muito revigorante, saiu revitalizado enquanto ajeitava os cabelos, puxando suavemente para baixo. Cauteloso foi até a porta, Toby olhava para si da cama como quem julga um bisbilhoteiro, mas não era, não tinha intenção alguma de ouvir a conversa, era alguém que respeitava muito a privacidade dos outros já que esperava o mesmo dos demais. Então caminhou até a cama, sentou, olhou o violão dele e sorriu, lembrou-se do vídeo em que ele usava um moletom verde e fazia um cover de Levitate. Pegou então o instrumento e bem suavemente dedilhou as cordas, tocando a mesma música, porém tentou ser sutil com o ruído.
O amigo já havia ido, então Noah voltou ao preparado do jantar, colocando o macarrão para cozinhar e prendeu os cabelos, daquele mesmo jeito que ele havia feito consigo no hospital, era um coque informal, apenas para que os cabelos não caíssem na comida. Terminou o preparo do molho, mas podia ouvir um som que vinha do andar de cima, o que tirou a atenção da comida por um momento, abaixou o fogo e caminhou para a escada, subiu devagar e abriu a porta, ali já podia ouvir melhor o som do violão, sorriu ao perceber que música era, e claro, ao vê-lo, como ele não estava cantando, falou com ele.
- Oi pequena aranha, eu te acordei?
Leo olhou para a porta conforme o ruído denunciou sua abertura, sorriu para ele enquanto ainda tocava, negativou somente.
- Toby me acordou. Mas percebi que tinha alguém... - Falou baixo sem saber se estavam acompanhados.
- Ele já foi. - Noah disse num pequeno sorriso. - Jolly passou só pra colocar ração pros gatos, mas viu que eu estava aqui, foi uma conversa rápida na verdade. - Se aproximou dele, abaixando-se e selou seus lábios. - Essa música eu conheço.
Leo sorriu contra seus lábios e com o queixo erguido em sua direção para retribuir o beijo.
- É, eu vi um rapazinho tocando em um vídeo, eu gostei dela.
Noah sorriu a mostrar os dentes, roçou o nariz ao dele, estava feliz por ele ter acordado.
- Quer descer comigo? Estou fazendo o jantar. Gosta de molho pesto?
- Oh, gosto muito. - Leo disse, em evidente expressão de agrado e sobrancelhas erguidas. Acariciou o violão sem perceber, e então o colocou em seu pedestal.
Noah sorriu novamente, notando o toque no instrumento e segurou a mão dele, o puxando para se levantar, mas foi suave, o abraçou ao redor dos quadris.
- Hum, me toca que nem esse violão. - Noah riu.
Leo se aproximou dele, retribuiu seu abraço e sorriu, risonho, sem entender.
- Hum? Quer que eu dedilhe você, ah?
- Hum, isso é bem interessante, mas é porque acariciou ele sem perceber. - Noah riu e selou seus lábios. - Vem, vem cozinhar comigo.
Leo riu entre os dentes e retribuiu o toque dos lábios, o acariciou na intercessão entre lombar e nádegas.
- Aqui, não tenha ciúme do seu violão. - Brincou.
Noah riu e assentiu, abaixando-se perto dele, aspirou seu cheiro de banho e beijou seu pescoço, mordeu suavemente.
- Vamos sair do quarto, isso aqui é perigoso.
- É, você é um rapaz à flor da pele, hum? - Leo riu baixinho, novamente. Mesmo embora estivesse provocando-o, tinha a pele completamente ativada pela mordida dele.
- Nós dois somos. - Noah riu e deslizou as mãos em seus braços, acariciando-os. - Hum, eu vou queimar seu macarrão. - Murmurou, beijando seu pescoço novamente e deu mais uma pequena mordida, a última.
- Hum... - Leo murmurou como um resmungo de repreensão, porém prazeroso. - É melhor não queimar, eu gosto de pesto. - Disse, brincalhão.
- Vamos. - Noah segurou a mão dele, saindo do quarto a descer as escadas, bem, ele devia se lembrar de como era a casa, talvez um pouco mais bagunçada do que a dele. O soltou no fim da escada, não antes de acariciar seu dorso da mão com o polegar e desligou o fogo, checando a carne no forno se também estava boa. - Ah, essa aqui eu peguei a receita na internet, se ficou bom, aí vamos ter que descobrir.
Leo seguiu o caminho com ele, acostumado com sua mão sempre guiando, mesmo que já soubesse o caminho, inclusive na própria casa. Após chegar lá, observou um pouco melhor, era um lugar bem pensado, podia ver que ele gostava mesmo de usar a cozinha. Sentou-se próximo à bancada, observando no que seguia fazendo. - Tenho certeza que sim. - Referiu-se à receita. - Pra falar a verdade, não faço ideia de que horas são...
- São oito horas. - Noah disse num pequeno sorriso e desligou o forno também, a carne parecia boa, havia marinado ela no vinho, parecia uma delícia. Finalizou o espaguete com o molho, preparando a pequena tigela onde o serviria e fez o mesmo com a carne, colocando sobre a mesa que havia preparado anteriormente, para os dois. Acendeu as velas vermelhas, é... Havia pensado em tudo, parecia confortável. - Você dormiu bastante, espero que tenha descansado bem.
Leo levantou-se esperando poder ajudá-lo de algum modo, esperando por alguma instrução. Sorriu por fim ao notar as velas, gostava delas então gostou do detalhe e da iluminação aconchegante somando ao cheiro gostoso dos temperos.
- Podia ter me chamado, eu teria ajudado com prazer, Seb.
- Hum, não... Queria deixar você descansar, você estava muito cansado. E... Bom, isso é pra te agradecer por ter ficado comigo, sei que você disse que não precisa, mas... Eu sei que... É chato. - Sorriu.
- Ah, não. Se quiser fazer algo assim, faça pra que possamos nos divertir juntos e não como agradecimento, não são favores. - Leo disse e beijou-o na testa conforme se aproximou. - Mas obrigado, o cheiro está mesmo muito bom.
Noah sorriu a ele novamente e suspirou com o toque na testa. Se sentou ao lado dele, não quis se sentar do outro lado da mesa, assim poderiam ficar mais a vontade sem precisar falar alto.
- Eu faria o mesmo por você, você sabe, não é? Na verdade... Faria tudo por você. - Riu.
- Eu sei que sim, e também sei que não seria um favor. - Sorriu conforme se acomodaram à mesa, tocou a mão dele e acariciou seu dorso ao alcança-lo por cima da mesa. - Não é?
Noah assentiu, veemente. Ergueu a mão dele e a beijou.
- Hum... Esqueci, você quer beber vinho, ou cerveja? Ou... Suco talvez. - Riu.
- Então. - Leo disse, referindo-se a primeira parte do assunto. - Ah, o que você escolher. O que você gosta mais?
- Cerveja. - Noah riu. - Eu prefiro algo mais leve porque... Bom, eu bebia muito, então acho que agora eu quero ficar mais de boa. - Levantou-se e buscou a cerveja na geladeira, tinha algumas garrafas por lá, trouxe uma pra ele e uma para si.
- Eu sinceramente também prefiro a cerveja ao vinho. - Leo levantou-se conforme sua saída, mas se sentou ao voltar, ficava desconfortável em não ajudar em nada.
- Hey, relaxa. Ta tudo bem. - Noah disse num sorriso e abriu a cerveja dele, depois a própria. - Tive que tomar um remédio pra dor de cabeça só, estava irradiando um pouco.
- Mas você está tomando remédio, tem que tomar cuidado com o álcool.
- É... Eu tinha esquecido desse detalhe. - Noah disse a olhar a cerveja, deu um pequeno gole e deixou sobre a mesa. - Vai, se serve, quero tanto que você prove.
- Hum, bom, não vai realmente fazer mal. - Leo disse num sorrisinho afável. No fim, servido, finalmente provou. Gostava de manjericão, gostava de parmesão, juntar os dois era uma criação perfeita para si. Fechou os olhos enquanto mastigava, suspirou profundamente. Noah esperou que ele experimentasse, sorriu, em agrado, parecia ter gostado, então acertou em cheio.
- E aí? Já posso casar? - Disse e riu, divertido.
Leo sorriu quando terminou de mastigar, risonho.
- Parece perfeitamente prontificado pra isso. - Disse, deduzindo que estava sendo xavecado.
Noah riu e assentiu, bebendo mais um gole da cerveja, depois, serviu a si.
- Então só falta o pedido. - Disse ainda a encher o saco dele, era evidente.
- Só isso mesmo que falta, hum? - Leo deu um risinho suave.
- Uhum. - Noah riu, experimentando a comida, terminou de mastigar pra poder falar. - Isso e adotarmos uma filha, loirinha, que se parece com você, gosta de aranhas e se chama Leah.
O riso de Leo soou claro e em bom tom, divertindo-se. Por sorte não havia bebericado ou começado a mastigar nada. Noah riu igualmente, se divertia com o bom humor dele, gostava de sua risada e claro, de deixá-lo feliz.
- Que foi? Me parece super possível. Eu vi uma menininha na internet, preciso te mostrar o vídeo.
- Claro. Leah é um nome muito legal, Leaf seria ainda mais interessante. - Leo deu corda à brincadeira. - Neah também
- Mas é que Leah é nossos nomes juntos. - Noah riu, divertido ainda.
- É, perfeitamente simétrico.
Noah riu baixinho e negativou, ele ainda se recuperava do riso, então não o faria rir mais. Cortou um pedaço da carne, servindo ele primeiro, depois a si.
- Hum, prove, essa eu fiz no vinho.
- Sabe, eu acho bem fofo o quanto você gosta de comida. - Leo disse, deixando o pensamento fluir. Provou a carne, e estava tão boa quanto a massa, até abria o apetite. - Você é muito bom nisso.
Noah sorriu ao ouvi-lo.
- Fofo, é? - Disse num pequeno riso tímido. - Eu gosto mesmo, gosto de cozinhar, quando é pra você então... - Sorriu mais uma vez com o último elogio.
- Eu entendo essa parte, fiquei feliz em fazer o bolo pra você. Agora vou pensar em algo novo pra retribuir o jantar.
- Hum, não é uma obrigação, ah? Mas... Eu ia gostar. - Noah riu baixinho e suspirou. - Hum, quero ver você de avental de novo.
- Eu sei que não é, mas gosto de retribuir. Mas provavelmente será comida de café da manhã.
- Eu não tenho nenhum problema com isso. Vocês... Comem salsichas com feijão mesmo?
- Noah disse e riu baixinho. - Porque eu quero provar.
- Bom, sim, mas aqui vocês também comem. - Leo riu. - Então vamos fazer pra você provar. Parece que gosta muito de salsicha.
Noah desviou o olhar a ele enquanto segurava a cerveja, sorriu meio de canto.
- É, da sua eu gosto mesmo.
O riso soou entre os dentes de Leo e negativou.
- Mas eu não tenho uma salsicha.
- Ah, não? - Noah disse a beber a cerveja, rindo em seguida, gostava de ver seus dentinhos pontiagudos, desgraçado lindo.
- Não, eu acho que está mais pra uma linguiça.
Noah cobriu a boca, por sorte não cuspiu a bebida, engoliu ela até meio seca e só então riu, divertido. Leo viu por seus olhos o esforço que foi engolir, era cerveja, mas mesmo ela parecia seca. Riu, alto, divertido com a reação dele.
Noah terminou o jantar com ele e bom, adorava passar um tempo com Leo, ele era maravilhoso, estava apaixonado e adorava ouvir seu riso, estavam se divertindo muito juntos. Se sentou na sala, pegando um cobertor que guardava na gaveta por ali, estendeu, assistiriam um filme e parecia extremante confortável, era um dia de folga com ele. Ele pediu licença por um momento, provavelmente queria ir ao banheiro, já que haviam tomado duas cervejas, ficou no sofá mesmo, fuçando a Netflix atrás de algo que pudessem ver. Ouviu o som do aparelho vibrando sobre o móvel de centro, não era o próprio, mas não sabia disso, não sabia onde tinha deixado o celular, então o pegou num reflexo, não queria mesmo bisbilhotar, mas o nome que apareceu em sua tela junto da mensagem, causou um buraco no próprio peito. "Leo, podemos nos ver? Estou com saudade." o remetente, era sua ex namorada, sabia disso porque havia visto seus vídeos com ela, sabia o nome dela. Era algo muito antigo o que tiveram, mas... Sabia que haviam regravado uma música antiga um ano atrás. Colocou o celular na mesa, meio estático, e se ele estivesse vendo ela desde então? Tinham vários "e se" passando pela própria cabeça. Leo voltou do banheiro pouco depois, e embora tivesse bebido algumas cervejas, ainda queria um pouco de café. Ao voltar para a sala, observou Noah, não muito diretamente na verdade.
- Noah, posso fazer um pouco de café?
- Hum? Claro... Quer que eu faça? - Noah disse a se levantar, mas estava abatido e estava evidente no próprio rosto.
Ao vê-lo se voltar para si, Noah era muito expressivo, então agora Leo podia ver o que ele não estava dizendo, ficou um pouco confuso.
- Tudo bem?
Noah olhou pra ele por um momento, se perguntou se deveria falar, porque estava bisbilhotando, na verdade não estava, foi um acidente.
- Seu... Celular. Vibrou e eu... Peguei achando que era o meu.
- Oh, tudo bem. Isso não é um problema. - Leo disse, imaginando que estava desconfortável pela questão de privacidade.
Noah negativou com a cabeça.
- Gemma. - Disse, apenas.
Leo franziu o cenho levemente, como quem estranha o comentário, deu um sorrisinho indagativo e buscou o celular, olhou a mensagem. A expressão era a mesma, confuso.
- Alguma coisa deve estar errada, talvez ela esteja com problemas de saúde. Isso não é uma mensagem normal.
Noah respirou devagar, mesmo que ele estivesse dizendo isso, não sabia se realmente acreditava, e era um problema, geralmente se sabotava dessa forma, achando que não era suficiente, que era um incômodo ou que não deveria ter o amor de alguém como ele, então, a própria cabeça era uma bagunça.
- ... Vocês estão saindo?
- Não, claro que não. - Leo disse, evidentemente pasmo com a pergunta. - Eu já falei sobre como as coisas terminaram.
- Então... Por que ela mandaria uma mensagem assim numa sexta a noite?
- Eu não sei. Se eu estivesse saindo com ela, teria mais mensagens aí, não acha?
- Eu não abri o seu celular, eu só olhei a mensagem no visor e devolvi na mesa.
- Bem, eu não sei porque ela mandou isso, mas não eu estou saindo com ela. Não estaria com você se estivesse com ela.
- Hum... Eu vi que vocês gravaram uma música de novo no ano passado, foi antes de me conhecer, então... Mas... Fique confuso com a mensagem.
- Hum, foi uma jogada de marketing, afinal, já havia tudo sido revirado pelos fãs e eles estavam atacando ela sem motivo. Eu não sou esse tipo de homem, Noah.
Noah assentiu, não queria estender a briga, estava se sentindo mal, sabia que o coração estava acelerado.
- Vou fazer o café...
Leo estendeu a mão para ele, indicando que se aproximasse, pedindo por isso na verdade. Noah segurou sua mão e se aproximou, parou em frente a ele, estava meio nervoso e provavelmente seria perceptível, mas não queria deixar isso transparecer porque na primeira vez em que brigaram, ele pareceu genuinamente incomodado e não queria que ele fosse embora. Leo retribuiu aproximação ao repousar os braços em seus ombros, as mãos em seu rosto, em cada lado dele. Encarou-o, ele e seus pequenos olhos escuros.
- Estamos juntos, não estamos?
Noah o olhou um pouco confuso com a pergunta, mas sorriu meio de canto após alguns segundos.
- É claro. - Disse, mas a voz estava suavemente trêmula, não tinha dúvida de que queria ficar com ele, mas tinha trauma de abandono, era horrível conviver com aquilo. Suspirou profundamente. - Ligue pra ela. Pergunte o que ela queria e... Bem, diga que você está namorando agora, hum?
- Eu tenho que ligar? Eu sinceramente não queria nem mesmo responder. Se for algo de trabalho, o agente pode lidar com isso. Mas se isso te deixar tranquilo eu posso fazer isso. - Leo disse e tocou o topo de sua cabeça, o afagando.
Noah negativou, na verdade ficaria mais tranquilo sim, mas não iria fazer ele fazer isso.
- Não, eu só... Desculpe. - Suspirou, tinha os olhos suavemente marejados. - Eu não quero imaginar você com outra pessoa.
- E eu não quero outra pessoa. - Leo tocou sua bochecha, acariciando com o dedo polegar logo abaixo do olho esquerdo. - Você pode ligar e xingar ela se quiser. - Sorriu canteiro.
Noah segurou as mãos dele, na verdade, as sobrepôs com as próprias e acariciou, mas negativou e aproximou-se, selando seus lábios de forma demorada e o abraçou, repousando o rosto em seu ombro, suspirou, tentando acalmar o peito. Leo retribuiu o beijo, sentindo a respiração dele na pele, podia ouvi-la. O abraçou com a proximidade, envolvendo ao redor dos ombros, o segurou apertado, não era forte demais, mas tinha firmeza, quase como se fosse dar alguma segurança a ele. Tinha um aperto no peito sempre que o via ansioso, então moveu-se suavemente, quase como quem acalmava uma criança.
- ... I'm born to believe... And I am certain. That you and I... are crashing course. Driven by a holy force... I know you can see... That you will be mine. - Começou um pouco depois do início da música, porque queria chegar tão logo em uma parte o qual queria declarar a ele, era sempre melhor com a música.
Ele havia dito para Noah quando começaram a namorar, ele não queria dar a sensação da ansiedade para si, mas não se importava em senti-la se pudesse ser feliz com ele, sabia que iriam brigar algumas vezes e isso era normal, ficaria bem. Ao ouvi-lo cantar, segurou sua camiseta entre os dedos, sem força, era quase como o segurar junto dela e sorriu, suavemente, sentindo a pequena lágrima escorrer pela bochecha, no fim, a ansiedade era medo, era medo de ficar sem ele, medo que ele fosse embora, medo de acordar sem ver seu rosto, estremecia só de pensar. Ficou ali, como uma criança pendurada nele até que ele parasse de cantar, então beijou seu pescoço e olhou seu rosto.
- Eu te amo. Por favor, não... Não vá embora.
Leo sentiu o beijo no pescoço, certamente muito mais suave do que estavam acostumados. Podia sentir o peso dos nós de seus dedos agarrados à própria roupa. Olhou-o enquanto dizia, mas apenas seguiu a parte seguinte da música, como resposta. - Yeah... You will be mine. We balance fire in the earth we walk, will never stop me reaching forth... To see you again. - Tornou tocar seu rosto, agora no queixo onde segurou e selou seus lábios de novo. - As músicas tornam as palavras mais fáceis pra mim, e dizem facilmente aquilo que eu gostaria de dizer e as vezes não sou capaz. Eu não vou embora.
Noah o olhou silencioso, gostava tanto de ouvi-lo cantar que sorria sem perceber. Acariciou seus cabelos na nuca e retribuiu seu pequeno beijo.
- Eu adoro essa música. - Disse num riso que era um suave sopro. - Bom, agora ainda mais.
- É, entramos em colisão. - Leo sorriu. - Devo ter escrito pra você.
Noah sorriu e a mão livre o tocou em sua bochecha, acariciando a pele macia que tento gostava, olhava seus olhos azuis de perto e suas palavras pareciam tão confortáveis naquele dia, se sentia tão amado, nunca tinha se sentido assim antes.
- Escreveu sem saber quem ia ser seu, só que um dia ia encontrá-lo. - Sorriu.
- Uhum.
Leo murmurou entre os lábios e um sorriso suave. Podia ver a calmaria afagar seu peito novamente, deixando os batimentos mais leves, e por consequência aquilo deixou a si igualmente mais tranquilo. Gostava tanto dele, ele mal sabia, duvidava que imaginasse, já que nem a si podia mensurar com fidelidade, mas sabia que ia enfrentar aquilo muito em breve. Noah riu suavemente e selou seus lábios mais uma vez, depois voltou a abraça-lo, sentia seu cheiro gostoso no pescoço, ele era tão confortável, estava tão feliz com ele.
- Vou fazer o seu café. - Disse a beijar seu pescoço, mas não o soltou ainda, queria ficar ali no abraço mais um pouquinho.
- Eu havia até me esquecido, mas ainda o aceito. - Leo disse e mesmo como ele continuou o abraço, ainda que os planos fossem outros, como fazer o café.
Noah riu baixinho.
- Hum, eu não quero soltar você... Droga. - Beijou o pescoço dele novamente e deu uma pequena mordida, foi suave, não era nada sexual de fato, apenas um carinho.
Leo sentiu que a pele havia se arrepiado na mordida, talvez pela temperatura, mas entendia a diferença daquele mordisco, não era sexual, era carinhoso, quase romântico.
- Tudo bem, o café espera.
Noah sorriu e suspirou, deslizando as mãos para dentro de sua camiseta, o tocou nas costas e acariciou sua pele com as pontas dos dedos e as unhas, ele costumava gostar daquele toque também.
- Eu queria ter músicas românticas pra cantar pra você, mas... - Sorriu, meio desajeitado.
Leo suspirou sob o carinho, gostava mesmo de um afago nas costas.
- Hum... Tudo bem, eu gosto da expressão que faz enquanto ouve, também é romântico.
Noah sorriu mais uma vez e o beijou algumas vezes em seu pescoço, ficaria ali por alguns segundos antes de voltar ao que fazia.
- Eu não quero ligar, mas eu quero responder.
- Hum, tudo bem. Mas não deixe ela pensando que sou eu, dependendo do que quer dizer.
Noah Nnegativou, afastou-se dele apenas para seguir para a mesa e pegar seu celular, abriu o aplicativo de mensagem, e suspirou, queria manter o tom de voz calmo, não queria mostrar que algo nela havia abalado a si, então começou a gravar.
- Oi Gemma, aqui é o Noah, namorado do Leo. Bom, acho que vocês não vão se ver, sinto muito. Mas se você tiver algo pra falar sobre as músicas ou trabalho, você tem o telefone do agente dele, é só ligar. Tchau. - Parou a gravação e enviou, deixando o telefone sobre a mesa novamente, virou-se para ele e sorriu meio de canto. - Pronto.
Leo o viu seguir até o celular, não estava incomodado com isso, não era exatamente muito curioso, então não sabia o motivo da mensagem dela e não teve interesse em descobrir. Encostou-se no balcão e apenas esperou enquanto o ouvia. Devia dizer que teria esperado algo diferente, uma brincadeira, mas ele foi tão serio, então pôde notar o que aquilo realmente o havia abalado. Sorriu conforme se virou para si.
- Mais calmo?
Noah assentiu e seguiu para ele, suspirando profundamente, então selou seus lábios.
- Que ódio. - Riu baixinho e seguiu para colocar o café na cafeteira. Não costumava tomar café, então quando os amigos estavam ali, usavam a cafeteira por ser mais fácil.
- Ódio? - Leo riu diante do protesto inesperado, quer dizer, não era a resposta que esperava. Caminhou mais próximo a ele e tornou encostar-se na bancada.
- É... Porra, a audácia sabe, de... De mandar uma mensagem assim, porra, se vocês não se falam há anos, o que ela pensou que ia acontecer? - Noah disse e suspirou novamente, estava tentando não ficar puto.
- Eu sinceramente não sei, e bem, não sou tão interessado a ponto de ir buscar saber.
Noah assentiu e negativou em seguida, desligando a cafeteira assim que finalizou o café. Buscou uma xícara, era preta e fosca com alguns detalhes em dourado, parecia ele de Vessel se parasse pra pensar, quase riu nessa observação. Entregou a ele e serviu o café. Leo aceitou a xícara e observou o design da louça, era bonito, ele havia ficado admirado com as louças na própria casa, então não esperava receber a xícara daquela forma, mas sim algo como um anime estampado. Sentiu nos dedos o toque quente do café.
- Obrigado.
- Essa xícara aí é especial, parece você. - Noah disse e riu, suspirando para tentar passar a sensação fria no corpo, beijou o rosto dele. - Vamos? - Seguiu para a sala, se sentando no sofá e se cobriu com o cobertor, esperando por ele para cobri-lo também. Pegou seu celular sobre a mesa, apenas para ver se ela tinha respondido, esperava que ele não se importasse. Ela tinha visualizado, mas não respondido, bom, a mensagem tinha sido recebida. Devolveu seu celular para a mesa e não mexeu em mais nada. - Ela leu.
- Ah, verdade? Comprou pensando em mim? - Leo riu baixinho e tocou o topo de sua cabeça, afagando-o. Assentiu por fim e foi logo atrás dele, bebericando o café cautelosamente entre os passos, então se sentou na sala de estar, agradeceu com um sorriso diante do cobertor que ganhou sobre as pernas. Não se importava realmente, embora fosse curioso perceber que estavam num relacionamento onde algo como aquilo acontecia, parecia íntimo, mesmo que estivessem se envolvendo há tão pouco tempo.
- Deve estar com vergonha. - O risinho soou entre os dentes, por trás da xícara de café.
- Comprei sim. É a minha favorita. - Noah respondeu e no sofá se ajeitou junto dele, esperava que não tivesse problema, mas encostou a cabeça em seu ombro. - Espero que esteja mesmo.
- Não é a do Itachi? - Leo brincou, provocando-o na verdade e após terminar o café, deixou a xícara vazia. Deitou a cabeça sobre a dele conforme se ajeitou em si.
- E quem disse que eu tenho uma xícara do... Eu tenho sim, eu tenho uma xícara do Itachi. - Noah riu. - Mas gosto mais da minha xícara Vessel. Vou mandar fazer aquelas que são pretas e quando coloca líquido fica clara sabe? Aí aparece sua máscara assim, ia ficar legal.
- Eu chutei, foi muito previsível, se tem a cara dele na sua coxa, então uma caneca não é nada. - Leo riu, divertindo-se com ele. - Faz uma toda branca, quando coloca o líquido ela fica preta e aparecem os dentes. Eu podia fazer um merchandising com isso.
- Ah não, a ideia é minha, sai fora. - Noah disse e riu, cutucando-o na cintura suavemente.
- Ah, então é exclusiva, entendi.
- Sim.
- Então tá bom, vou pedir a unidade limitada.
- Vai assinar ela pra mim?
- Eu não foi autógrafos, mas pra você eu assino.
Noah sorriu afável e repousou novamente a cabeça junto do ombro dele, suspirando enquanto passou a prestar atenção no filme. Estava feliz.


