Vessel e Noah Sebastian #04


Quando Noah acordou naquela manhã, não teve a menor coragem de acorda-lo. Ele dormia como um anjo em seu travesseiro, enroscado nos lençóis pretos e perdeu até alguns bons minutos olhando pra ele antes de enfim se levantar. Beijou sua nuca, sentindo seu cheiro uma última vez e seguiu ao banheiro deliberadamente. Tomou um banho, o banho que não tinha tomado no dia anterior, achou que ele não iria se importar, então saiu e buscou as próprias roupas novamente no andar de baixo, era meio formal demais para um ensaio, mas tudo bem. Antes de sair, voltou para o quarto para olha-lo mais uma vez na porta e deixou ao lado de sua cabeceira um pequeno bilhete que escreveu com um bloquinho de notas que achou perto do piano. "Obrigado pela noite mais incrível da minha vida. Espero te ver em breve. Seb." Ao sair para o trabalho, entrou no carro, suspirou profundamente, apaixonado e meio irritado por ter que sair, mas tinha que deixar ele ter sua privacidade de volta, não podia se costurar nele, embora quisesse. Ao chegar, teve que aguentar os amigos rindo pela roupa que usava, não costumava ir tão formal, mas riu e negativou, indicando que estivera fora na outra noite e claro, mais risadas e provocações.
- E ela era gata?
Noah sorriu meio de canto.
- ELE era gato sim. 
- Caralho, um cara? Eu sei que você é bissexual, mas nunca vi você com um cara.
- É... Eu apresento ele pra vocês um dia. Você vai gostar dele, Nick, ele toca muita coisa. 
- Até você ele toca aparentemente.
Noah riu, divertido e negativou, dando um pequeno chute sem força no amigo e se sentou ao canto, primeiro seria gravado a bateria e guitarra, entraria depois, então ficou ali no canto, fuçando o celular, pesquisou o nome dele associado ao Vessel, só por curiosidade e realmente encontrou conteúdo sobre ele, achou vídeos antigos, fotos e sorria feito um idiota enquanto tocava a tela do celular, era bom poder olhar pra ele em outro momento, achou que não encontraria nada. Alguns vídeos eram dele bem mais novo, dezoito anos, era um bebê. Suspirou, mordendo o dedo médio enquanto olhava pra ele e salvou algumas coisas, inclusive, trocou a foto do fundo de tela para uma do Vessel. Estava indo rápido demais talvez? Bom, ninguém veria o próprio celular. Encostou a cabeça por um momento, estava com sono, havia dormido cinco horas apenas e estava bem cansado pelo que haviam feito na noite passada, também estava começando a sentir dores no corpo, o que não era muito bom. Se pedisse remédio a algum membro da banda, seria estranho e zoariam a si com certeza, então precisaria ter cuidado. Em um certo ponto, franziu o cenho, esperando alguém falar consigo para dizer que estava com dor de cabeça e só então, receber o analgésico. Depois de quase uma hora ainda sentado, buscou a prancheta de anotações de letras, fuçou algumas coisas e começou a rabiscar, não era muito bom de desenho, mas se lembrava bem da máscara dele, então desenhava o Vessel, se lembrava bem de sua boca, seus traços. Suspirou.
- Noah? Noah!
- Oi? - Disse a erguer a cabeça.
- Pega leve com ele, ele tá apaixonado. Olha a cara de idiota dele.
- Ah, vai se foder. 
Noah disse a olhar o celular, checando se havia alguma mensagem antes de enfim se levantar para gravar.
Quando Leo acordou naquele dia, se recordava vagamente dos ruídos pelo quarto, o que era incomum, já que nunca recebia visitantes nele, era geralmente na sala, e em raras ocasiões. Tinha o sono profundo, e num dia como aquele, ainda mais. Mas lamentou a descortesia de não ter visto ele sair ou ao menos fazer o café. Pegou o celular na mesa de cabeceira, levou algum tempo para enxergar nitidamente com os olhos nublados e recém acordado, mas era suficiente para saber como mandar uma mensagem, então fez isso. 
"Hey, bom dia. Devia ter me acordado."
Noah havia dado uma pausa para beber um pouco de água e descansar a voz, sentiu o celular vibrar no bolso e sorriu, não recebia muitas mensagens se não das pessoas que estavam naquela sala, então olhou quem havia feito o envio.
- Oi... Oi Leo. 
Disse para si mesmo, dedilhando os lábios com o dedo indicador e médio. 
"Bom dia, pequena aranha. Não consegui te acordar, você estava dormindo tão gostoso, eu não ia fazer você dormir pouco como eu." 
Noah respondeu num sorriso besta como sempre e recebeu um chute sutil na perna, o que fez desviar o olhar.
- É o bonitão é?
- Para, caralho. - Riu e negativou.
- Qual o nome dele?
- Leo. 
- Só Leo? - Nick riu.
- É só Leo, curioso de merda, vai, vai pegar um café.
Após enviar a mensagem, Leo sabia que Noah estava trabalhando, então não contou com uma resposta tão rápida, por isso estava devolvendo o celular ao móvel, e quando fez isso, observou o breve recado deixado. O pegou e antes de ler esfregou os olhos, só então focou e leu. Deu um risinho para si mesmo, ele era emocionado, sabia disso, mas achava meio fofo, esperava apenas não ser alguém decepcionante pra ele no final. Percebeu a vibração no aparelho em seguida, fazendo ruir sobre o móvel e pegou de volta.
"Podia ter feito café pra você, ao menos. Eu não ligo de acordar cedo."
"Você precisa fazer seus rituais secretos no sono, eu não sou maluco de acordar você no meio deles. 😂 Mas sério, tá tudo bem. Eu estou na pausa gravando a minha parte da música que cantei pra você ontem." Noah respondeu. 
"Haha, você tem razão, Sleep poderia não gostar da interrupção." Leo provocou, dando corda. "Esta indo bem?"
Noah riu baixinho, mordendo o lábio inferior.
"Estou. Um pouco dolorido pela nossa brincadeira de ontem, mas... Nada que dois analgésicos não curem. 😖 E você, dormiu bem? Já tomou seu café?"
Leo riu para si mesmo, não pelo uso da frase mas pelo emoji que o acompanhava.
"Acabei de acordar, na verdade. Vou tentar praticar um pouco também. Sinto muito pela dor."
"Eu não sinto, foi ótimo. Eu tenho algumas horas aqui ainda, mas..." Noah escreveu e apagou, depois ficou pensativo, será que não estava sendo muito invasivo ou chato? Bom... Ele podia recusar. "Você gostaria de almoçar comigo? Gosta de comida italiana? Conheço um bom restaurante."
"Intervalo ou fim de trabalho?" Leo respondeu.
"Fim. Por hoje são só algumas horas. Eu estou cansado, os meninos também."
"Então venha e fazemos a comida, o que acha?"
"Você não gosta de sair, ah? Haha é perfeito, eu só achei que você não ia me querer aí outra vez. Não vou te incomodar?"
"Eu tenho preguiça de sair e sei que você gosta de cozinhar. Mas não quero te forçar a cozinhar nada."
"Eu vou adorar cozinhar pra você. Nos encontramos a uma então, tudo bem? Bom trabalho, 🕷️🖤"
Leo riu e novamente achando graça dos emojis usados por ele, era um pirralho ou chegava muito perto.
"Até breve. 🦈"
Noah sorriu, mostrando os dentes ao ver o emoji que ele retribuiu, ergueu o rosto somente para ver o amigo olhando para si com ar de graça e negativou, guardando o celular no bolso.
- Palhaço. 
- Hum, vai ver o Leo depois do ensaio, princeso?
Noah mostrou o dedo do meio a ele e riu, seguindo para o estúdio novamente, terminaria a gravação da música. Quando acabou, pegou as próprias coisas, ajeitando-se para ir embora. 
- Nick, você pode passar na minha casa e dar comida pros gatos? Não sei que horas eu volto hoje. 
- Posso sim. Pode namorar em paz.
Noah negativou num riso, mas o viu pegar a prancheta onde havia desenhado e por um momento sentiu um frio no estômago.
- Mano, você é horrível no desenho. Ótimo cantando, mas horrível desenhando. Isso era pra ser o que?
Noah riu, por sorte ele não havia entendido.
- Nada, só um rabisco qualquer. 
Disse a colocar o casaco e seguir para fora. Não sabia se ele tinha as coisas em casa, então passou no mercado, comprou espaguete, tomates, manjericão, queijo parmesão, faria o próprio molho para ele, mas quando estava no corredor para ir embora, viu uma pequena pelúcia pendurada na sessão infantil, tinha seis olhos, como os dele, era peludinha e preta. Claro que teve que comprar e a vendedora fez um ótimo trabalho colocando nela um lacinho vermelho em seu pescoço dentro da sacola de presentes. Alguns minutos e estava de novo em sua casa, tocou a campainha, esperando por ele, mas percebeu só então que ainda usava as mesmas roupas do dia anterior, ficou agoniado por isso.
Após encerrar a troca de mensagens, Leo levou um tempo, mas se levantou. Já não era tão cedo, havia dormido demais, mais que o habitual pelo menos, estava cansado, não apenas pelo sexo com ele, mas porque nos dias anteriores não havia dormido bem, escrevendo, praticando, era obcecado pelo trabalho e sabia disso, mas era o amor que havia nascido consigo. Tomou banho, vestiu-se com roupas de ficar em casa mesmo, na verdade um moletom e uma blusa de lã fina, como um suéter fechado, largo, quase deixava os ombros aparentes, estava um dia meio frio, mas não era demais. Fez café, e lá estava, no balcão da cozinha, quase desassociado, olhando pra um ponto qualquer enquanto o café erguido descansava numa caneca na mão. Saiu daquilo apenas quando ouviu a campainha, ao olhar o relógio notou que já era o horário combinado, ele era realmente pontual. Seguiu até a porta e abriu-a, vendo as sacolas em suas mãos. 
- Há quanto tempo.. - Disse e sorriu, notou que ainda segurava o café. - Café? - Ficou com uma sensação confortável ao vê-lo.
Quando o viu, Noah sorriu feito bobo mais uma vez, podia sentir o cheiro de seu sabonete dali onde estava, nem precisava se aproximar. Havia gostado da roupa, ficava bem nele.
- Oi bonitão. - Disse como de costume e riu suave, meio desajeitado. - Ahn... Não consegui trocar as roupas, então finja surpresa como se eu estivesse super diferente. - Riu. - Não, obrigado. - Disse a se aproximar e selou os lábios dele. - Trouxe as coisas pra fazer a receita, eu não sabia se... Bem.
- Você pode pegar alguma das minhas. Tenho um parecido com o que estou usando, vinho, como suas boxers, acho que vai gostar. 
Leo disse, já tendo retribuído o breve toque nos lábios como saudação. Sorriu com o canto dos lábios diante do comentário, brincando com ele. Então cedeu espaço a ele, indicando que entrasse. 
- Obrigado, dependendo do que faríamos eu não teria mesmo.
Noah sorriu, achou adorável que ele tivesse se apegado ao detalhe cor da boxer. Suspirou, ele era perfeito. Entrou em sua casa, seguindo para a cozinha com ele e deixou sobre a bancada as sacolas de mercado.
- Achei que seria legal fazer uma receita simples, mas bem gostosa. Vou fazer massa pra você com molho de tomate caseiro com manjericão, você gosta? - Disse e timidamente o abraçou ao redor dos quadris, lhe dando outro selo. - Eu saí há umas cinco horas... E já estava com saudade de você.
Leo seguiu o caminho com ele, só então finalmente deixou a caneca sobre a bancada. Com a expressão que fez, sem dizer nada deixou claro que havia gostado da sugestão de receita, ele parecia gostar mesmo de cozinhar e parecia divertido participar. Então sentiu o abraço, era quase sem jeito, notou a expressão dele, não habitualmente tímido com o gesto já que tinha o costume de ser tátil, mas achou tão fofo. Sorriu canteiro e tocou sua bochecha sem volume. 
- Bom, bem vindo de volta.
Noah sorriu novamente a mostrar os dentes a ele e tocou sua mão sobre o próprio rosto, mas logo se lembrou e voltou-se para a bancada.
-  É mesmo, eu... Trouxe uma coisa pra você. - Disse e ergueu a pequena sacola de presente. - Ahn... É meio fora de época, seu aniversário é só em dezembro, não é? - Disse, mas percebeu que não deveria ter falado, já era tarde.
- Hum? 
Leo indagou e deu espaço a ele, notando regredir junto da sacola que aceitou e prontamente deu uma conferida ao abrir, notando apenas a maciez inicial, enquanto o ouvia dizer, sem relembre identificar o conteúdo, apenas que era uma pelúcia. Então olhou para ele de volta. 
- Hum... Foi fuçar, ah?
O sorriso sumiu aos poucos, depois, Noah franziu o cenho.
- Me desculpa, eu fui sim. - Disse e coçou a cabeça sutilmente. - Eu... Queria muito uma foto sua, e aí eu... Vi uns vídeos antigos e... Porra, você é incrível, mas vi umas coisas que eu não devia também. Tipo sua ex namorada.
- E queria foto minha pra que? - Leo indagou num sorrisinho de canto, ainda. - A internet especula demais. 
Resmungou, na verdade ficava um pouco chateado que fosse tão fácil, por um gafe de equipe, descobrir quem era por trás da máscara.
- Pra guardar ué. - Noah riu baixinho. - Eu... Só queria ver seu rosto, não sabia se íamos nos ver logo outra vez. Desculpe, eu sei que não devia ter olhado. Mas... Vai... Vê o presente.
- Não é como se eu fosse morrer amanhã. - Leo resmungou novamente e então se voltou à embalagem, pegou o conteúdo macio e tirou da sacola, enfim descobrindo ser uma aranha de pelúcia, riu, divertido. - Ah, que bonitinha.
Noah sorriu meio de canto.
- Me perdoe, de verdade. Eu só queria ficar suspirando olhando pro seu rosto. - Disse meio envergonhado pelo que havia feito, mas sorriu em seguida quando viu sua reação com o presente. - Ela é a sua cara. Digo... A cara do Vessel.  - Riu.
- Tudo bem, não tem problema, acho que no fim muitos já sabem. - Leo disse e tocou o topo de sua cabeça, não o repreendeu por isso, não era sua culpa afinal, ele fez algo que qualquer fã faria, era até fofo pensar assim. - Obrigado, farei uma máscara pra ela.
Noah riu baixinho ao ouvi-lo e assentiu.
- Eu gostei... Das suas músicas antigas. Eram muito boas. - Disse a admirar enquanto ele ainda olhava a aranha de pelúcia, não havia visto nenhuma pelúcia em sua casa, mas não havia andado muito, esperava que ele gostasse de coisas assim. - Com fome?
- Hum, eram boas, mas só isso, precisava de mais. Precisava de Vessel. - Leo sorriu, risonho, embora não tão animado. - Claro, estou animado pra brincar de cozinha. Vou deixar ela por aqui, talvez deva chama-la de Vas.
Noah sorriu meio de canto, mas negativou para ele. - As pessoas gostam de mistério e tudo mais, elas especulam e falam bastante, o mistério move as pessoas. Mas pra mim, você não precisa de mais nada. - Disse sincero, mas não prosseguiu no assunto. - Que bom que você gostou dela, eu gostei da ideia. - Sorriu e tirou as compras das sacolas de papel, separando os tomates para bater e fazer o molho. - Você não cozinha?
Leo sorriu e novamente, estava lá afagando seus cabelos como se fosse um garoto, porque parecia mesmo um. Não estava falando sobre um alterego em si, falava sobre o ritmo que ganhou com a nova identidade da banda, sobre mudar a calmaria de Blacklit para Sleep token, que antes dela, havia procurado por muito tempo uma identidade, ainda assim, achava sua tentativa de consolo fofa, entendia que ele costumava falar sempre como se Leo não precisasse criar uma persona. Suspirou e no entanto seguiu a conversa adiante. 
- Cozinho o suficiente pra conseguir morar sozinho. - Sorriu e deixou a pequena pelúcia sobre a bancada, como quem poderia olhar o que faziam. - Mas não costumo inventar receitas, por exemplo.
Noah não reclamou realmente, gostava do carinho nos cabelos, se sentia um pirralho por isso, mas bom, era mesmo um pirralho alto.
- Bom, o básico já é bom. - Riu. - Sabe fazer macarrão instantâneo, então já está pronto pra morar sozinho. - Disse num riso divertido, pegando sua tábua de corte que parecia nem ser muito usada, assim como a faca que usava agora para cortar os tomates. - Sabe alguma receita legal inglesa pra me ensinar? Ou... Gosta de comer algo de lá? Posso pesquisar algo pra gente comer junto.
- Sei algumas tradicionais, e que aprendi com a minha mãe antes de começar a morar sozinho. Tortas com carne, receitas com ovos, mas são as mais básicas.  Provavelmente não faria tão bem quanto alguém que entende bem de cozinha, mas podemos tentar.
- Não seja bobo. Tudo que eu aprendi eu aprendi em tutorial de YouTube, até parece que eu sou um Masterchef. - Noah riu. - Eu também sou algo básico, não espere uma coisa cinco estrelas no meu macarrão. Mas vamos fazer juntos, hum? Oh, eu trouxe vinho também. - Disse a tirar a garrafa, mostrando o vinho tinto suave para ele. - Eu não sabia se você gostava de vinho, mas... Com massa... É bom. Sei lá, eu geralmente tomo cerveja. - Suspirou, colocando as mãos na cintura. - Quem eu quero enganar? Estou tentando te impressionar.
- Hum, na verdade me parece que você faz coisas que são gostosas. E bem, geralmente comida de Masterchef não parece ser realmente apetitoso, seria algo mais de apresentação. Posso estar enganado. Vamos, me diga o que quer que eu faça? Coloco os tomates pra assar com manjericão ou o manjericão vai depois quando for bater os tomates? - Leo retrucou, mas o ouviu falar, quase pensando consigo mesmo. Riu e negativou. - Você não precisa de vinho pra me impressionar, Noah.
- Geralmente eu bato depois, me parece mais fresco. Pode colocar eles pra assar, você já até sabia disso, não precisa nem de mim. - Noah disse num pequeno riso, mas inclinou a cabeça de lado ao ouvir seu comentário seguinte, tinha aquele sorriso bobo mais uma vez. - Bom... Mal o vinho não vai fazer, né? - Sorriu.
- Ah, não é nada de mais. Pra falar a verdade, acho zoado adulto que não sabe se cuidar, ou que não sabe o básico, então eu sei alguma coisa. - Leo sorriu, notando seu olhar que parecia quase bobo, então riu. - Não vai.
- Então pega uma taça pra gente. - Noah disse a tocar a mão dele suavemente. - Claro, depois dos tomates. - Riu e colocou a água para ferver para cozinhar a massa.
- A taça é mais rápido. - Dito, Leo seguiu até o local onde armazenadas, pegou uma taça de vinho de louça fumê e trouxe deixando na bancada para ele. Em seguida deu atenção aos tomates. - Você quer que eu sirva o vinho?
Noah olhou a taça, ele era atento aos detalhes, gostava disso.
- Tudo seu é bonito assim? - Disse num pequeno riso e negativou, apenas buscando pelo abridor de garrafa para então poder servir. - Experimente.
- É, eu tento. - Leo riu entre os dentes e no fim aceitou a bebida, provando-a. Era doce numa boa medida, um pouco adstringente no final. - É bem gostoso. Você já conhecia ou..?
- Na verdade eu pedi o melhor vinho deles para uma atendente. - Noah disse num pequeno sorriso tímido novamente e provou logo após ele.
- Bom, ela sabia o que fazer. Me diga, gostou?
- Hum... É muito bom. Eu gosto de bebidas doces mais doces também, não só da cerveja. - Disse num sorriso e entregou a taça para ele. - Fiquei surpreso que você gostasse de café. Quer dizer... - Coçou a cabeça, tinha esse costume de falar demais. - Os ingleses não preferem chá?
Leo riu diante do comentário final. 
- Que esteriotipado, ah? Também bebemos café. Acho que normalmente tudo que se parece presente em um chá da tarde, gostamos.
- Desculpe, eu sabia que ia parecer meio babaca. - Noah riu baixinho e ia falando enquanto ralava o queijo. - Eu gosto mais de chá que café, por isso pensei.
- Eu não ligo, só estou provocando você. - Leo disse e por um momento admirou o queijo que era ralado, então petiscou um pouco dele. - Eu gosto dos dois. O chá eu gosto com laranja ou limão.
- Por sinal, eu preciso dizer antes que eu exploda, eu adoro o seu sotaque. Adoro demais. 
Noah disse num sorriso e ameaçou morder a mão dele que roubava o queijo, claro, uma brincadeira.
- Ah... - Leo sorriu, talvez um pouco tímido pelo elogio. - Obrigado? Eu acho. - Notando a ameaça, continuou no lugar, quase esperando. 
Noah sorriu a ele, mas tinha se esquecido que gostava de mordidas, então deu uma suave em seu dedo mindinho, depois mordeu seu pulso.
- Hum, uma aranha que gosta de picadas.
Leo sorriu e virou a mão, tocou seu queixo, na verdade embaixo dele, coçando. 
- É, algo assim.
- Ou uma aranha na teia de outra? - Noah disse a erguer suavemente o queixo enquanto olhava pra ele, sentindo os fios de cabelo médios caindo sobre o rosto. - Acho que é assim que sua música faz parecer. É sexy, as vezes triste, as vezes calmo. Mas na maioria das vezes é sexy, acho que tem a ver com o vocalista.
- E não é assim que a vida é? - Leo sorriu e apertou suavemente seu nariz, apenas a ponta dele e brevemente. Observou seu rosto, a forma como os cabelos deslizaram na pele, combinava com ele e na verdade ele é quem era sexy. - Você quem é sexy, as vezes calmo, as vezes triste. - Disse, copioso. 
Noah negativou e riu baixinho, aproximando-se dele e selou seus lábios.
- Você já se olhou no espelho? Você é tão bonito. - Disse e sorriu a ele.
- Ah, infelizmente, já olhei por muito tempo.
- Infelizmente? - Noah disse a franzir o cenho.
- É, não sou muito fã de mim. Mas não quero falar disso.
Noah ergueu o rosto ao ouvi-lo, ainda com as sobrancelhas unidas, estava um pouco confuso, porque não via nada errado nele.
- ... O que... O que há de errado? - Disse, sincero.
- Tenho minhas inseguranças, só isso.
Noah negativou e o abraçou, beijando sua testa e encostou o rosto ao dele.
- Eu... Entendo, também odeio algumas coisas, minha mandíbula por exemplo. - Riu. - Odeio ser tão alto, eu era super magro quando era mais novo, isso me incomoda bastante... Meus dedos compridos. Nossa, da pra fazer uma lista. Eu uso óculos, sabia? - Sorriu meio de canto.- Também me incomoda um pouco. Com você eu uso lente, é claro.
Leo sentiu o beijo, o carinho, ficou no lugar enquanto ouvia, mas o envolveu pelos quadris, acariciando sua região lombar. Não precisava falar muito sobre o que incomodava a si, na verdade não gostava, porque sabia que era nítida. 
- Bom, temos a mesma altura, perfeitamente, na verdade. Também tenho dedos longos, e você vai gostar disso quando for tocar piano. - Leo riu baixinho e beijou a testa dele da mesma forma como ganhou o beijo.
- Bom, eu gosto dos seus dedos longos. - Noah disse num sorriso sugestivo e negativou, rindo baixinho. - Bom, você não precisa me falar, mas... Se um dia quiser, eu estarei aqui, tudo bem? Eu me importo com você. - Disse e olhou pra ele, tentava de verdade entender, procurando qualquer coisa que ele não se sentisse feliz, mas era tudo perfeito para si, então deixou pra lá. - Porra, eu gosto tanto de você. - Disse num riso suave, já havia dito tanto aquilo.
Leo sorriu para ele, sem dizer, mas em compreensão. O riso veio a seguir, e então envolveu seu pescoço, dando um abraço quase em sua cabeça. 
- É, gosto de você também.
Noah riu suavemente e voltou-se para selar seus lábios.
- Vem, deixa eu te encher de comida. - Disse e desligou o fogo, escorrendo a água para só então pegar os tomates cozidos, claro que não sem antes queimar um dedo no processo. - Ah... Filho da... -Disse a colocar o dedo na boca, sugando-o.
- Encher, ah? Vamos encher você também. - Leo disse e virou-se na intenção de pegar os tomates assados, dar continuidade ao molho, ele no entanto foi mais rápido, provavelmente porque não usou as luvas pra isso e agora, era o que era. - Tudo bem?!
Noah estava um pouco empolgado em cozinhar pra ele, por isso acabou por queimar a mão. Colocou os tomates no blender e só então buscou a água da torneira.
- Tudo bem... Só... Só queimou um pouquinho. - Disse num sorriso torto, mas estava dolorido.
- Hey, me deixe fazer isso... - Leo disse, resmungando. Por fim seguiu até ele, deixando o blender fazer o serviço com os tomates. No fim apenas pode olhar. - Tem certeza?
- Desculpe. Me desculpe, eu só... Só queria desviar a atenção do assunto rápido porque me senti meio mal. - Noah disse e desligou a torneira, mostrando o dedo a ele. - Parece tudo bem, só está meio vermelho.
- Não tem porque se sentir mal, está tudo bem. Acha que precisa passar alguma coisa? - Leo indagou e segurou a não dele, conferindo, soprou. 
- É que acho que... Eu falar as coisas pra você vai te fazer reparar nelas. - Noah disse num sorriso meio sem graça, mas achou adorável que ele tenha assoprado o próprio dedo. - Não... Vai ficar tudo bem. Só... Um pouco de gelo talvez.
O riso soou soprado em Leo, não realmente com alguma graça, era mais em compreensão. 
- Eu não sei sequer no que é que você acha que estou reparando. Eu só te acho bonito mesmo.
- É, comigo é o mesmo. 
Noah disse e suspirou profundamente, mas sorriu para ele novamente, meio sem graça.
- Só vamos mudar de assunto e não queime seus dedos. - Leo sorriu canteiro, tocou seus cabelos, perto da orelha, afagando no couro cabeludo.
Noah assentiu e suspirou.
- Desculpa. - Disse e sorriu meio de canto, desligando o blender quando pronto e passou para a panela. - Pode pegar os temperos pra mim? Na sacola.
- Não tem porque se desculpar. - Leo disse e entregou a panela a ele, também os temperos e o manjericão. - Me fale como ajudar. Ah! - Exclamou ao se lembrar, então seguiu até a geladeira e no congelador, buscou uma pequena bolsinha azul com gel, uma bolsa térmica. Ao voltar com ela, flexível a envolveu ao redor do dedo dele. - Aqui, nunca achei que seria mesmo útil com esse tamanho.
Noah riu ao ver a bolsa e o deixou enrolar o próprio dedo com ela.
- Hum, sente muita dor de cabeça? 
Disse, deduzindo pela bolsa, era algo que costumava fazer quando bebia demais quando mais novo. Aceitou os temperos trazidos por ele e usou no molho, junto do manjericão, deixando-o reduzir um pouco para que os temperos liberassem seu sabor no molho.
- Na verdade eu tive um mau jeito no pescoço, então essa tinha um par, pegava dos dois lados do pescoço, mas eu fiquei apertando e acabei enfiando no rabo, sabe como é.
Noah desviou o olhar a ele após ouvir a frase, riu suavemente, mas o riso cresceu depois de um tempo.
- Desculpe... Voce já falou palavrão pra mim várias vezes, mas essa expressão é nova. Eu adorei, continue com ela. - Disse e desligou o fogo, ainda ria um pouco. - Onde... Onde vamos colocar o macarrão?
Leo olhou pra ele, deu um risinho no começo, porque ele fez isso também, depois o viu se entregar à risada, então apenas ficou olhando pra ele com um sorrisinho, achando graça pela forma que ele ria, na verdade, contagiado. 
- Pode usar ela se quiser. 
Disse, referindo-se à expressão que causava ânimo a ele, mas não achou ruim, na verdade riu com ele. No fim buscou uma louça para dispor o almoço, como a taça, de vidro escuro, dispôs sobre o balcão, vendo a cara de bobo dele enquanto sorria na falta da risada. Noah desviou o olhar para a louça escolhida, depois para ele.
- Ah pelo amor de Deus, a gente vai fazer um ritual satânico, e eu falei pra minha mãe que eu não estava num culto, mas pelo jeito tô namorando um cara que está. - Disse ainda no riso, era uma piada é claro, mas cessou e franziu o cenho. - Foi mal, saindo. Saindo com um cara.
Notando seu olhar, Leo olhou como ele para a louça, então seu rosto, depois para a louça de novo, sem entender exatamente, até ele falar. Então riu, até então, não havia realmente se prendido no detalhe do namorado, notou apenas quando ele falou, então sorriu em compreensão, embora tenha dado uma piscadela a ele. 
- Bom, você sabe que é uma seita. - Brincou. - Mas não usamos louças de cozinha. - Riu enquanto ajudava-o dispor a massa e também o molho, o cheiro estava realmente apetitoso, então abria o apetite. Noah riu, divertido.
- Ah mano, não me faz acreditar que é uma seita não, vai que eu viro uma oferenda. Não que eu me importasse de ser sua oferenda, mas pra uma entidade é mais complicado. - Disse num sorriso a ajudá-lo a finalizar o prato. - Comemos na sala?
- E se eu for a entidade? Você não sabe. Posso ser um recipiente habitado por uma entidade com que agora você está almoçando e transando. - Disse Leo, sem responder o final, dando corda na provocação.
Noah desviou o olhar a ele, colocando uma das mãos na cintura, evidentemente confuso por um tempo, depois sorriu a ele sugestivo.
- Bom, você é uma entidade muito gostosa.
Leo sorriu, abrindo o sorriso aos poucos na verdade, deu um risinho. Então se dobrou suavemente, apenas pra alcançar ele, então selou seus lábios. 
- Podemos comer onde quiser. - Sussurrou contra seus lábios.
Noah retribuiu o selo, sentindo aquele frio na espinha que já conhecia e a suave pontada no baixo ventre, aí estava ele confirmando que era gostoso.
- Vou comer em cima de você então. - Sussurrou igualmente.
- Hum, bem, estou acostumado a ter o corpo pintado. Dessa vez no entanto, em vermelho.
Noah sorriu e mordeu seu lábio inferior.
- Não faz isso comigo não... Não posso transar hoje mais.
- Você quem sugeriu comer em cima de mim. Provavelmente é coisa de quem gosta de coisas japonesas.
Noah fez um pequeno bico e riu, negativando.
- Vamos, você deve estar com fome. - Disse e pegou o pequeno bowl entregue por ele, servindo o macarrão primeiro para ele e depois para si. Pegou o talher e seguiu com ele para a sala. -  Vamos assistir um filme, ou?
- Já provou daquela forma? Aquela coisa de sushis sobre garotas como geishas. - Leo perguntou, curioso e agradeceu com um gesto silencioso ao pegar o bowl, sentiu o aroma do manjericão e adicionou o queijo recém ralado sobre as massas, a própria e a dele.  - Ou?
- Não. Bom, os caras tentaram me levar, mas eu não quis ir não. Ah sei lá, me parece bizarrice. - Noah disse conforme foi com ele para a sala e se sentou. - Ou só conversar. - Sorriu.
- Ah, é? Me parece algo que você teria curiosidade de ir com os amigos. Bom, podemos jantar primeiro e então podemos ver um filme depois. Eu gosto de prestar a atenção enquanto como. Se importa?
- Não, esse tipo de coisa não. - Noah riu. - Eu não sou o tipo de... Turista sexual, sei lá. Eu gosto de beber cerveja, brincar, comer, mas... Transar com qualquer um, ou ver coisas assim não é muito a minha praia não. - Disse e experimentou a comida, estava gostoso. - Hum, claro que não. Fazemos o que você quiser.
- Hum, entendi. Mas isso seria mais sobre um fetiche eu acho, não parece exatamente como sexo. 
Leo retrucou e deixou a comida sobre a mesa por um momento, indo buscar a taça de vinho de volta, trouxe para ambos após servir um pouco mais e então se sentou de novo, entregou a ele uma das taças.
- Então, mas eu não tenho esse tipo de fetiche. Meu fetiche é mais tipo... Tipo você. - Noah riu baixinho e aceitou a taça, bebendo um gole pequeno. - Você provou? Me diz o que acha.
- Tipo eu? E qual é meu tipo? - Leo indagou curioso. O que em si poderia ser atrativo a ponto de ser um fetiche. Enfim provou o macarrão, após bebericar uma dose do vinho e deixar na mesa, trocando de lugar com a louça do macarrão. Então enroscou os fios no garfo e finalmente experimentou, ah era muito bom. - Caramba... Isso é bom. Nossa... É muito.
Noah sorriu a ele.
- Bom, um cara num culto que usa máscara e faz rituais me usando. - Riu. - Brincadeira. Um cara lindo, atencioso, romântico, inteligente e muito bom músico. Esse é o meu fetiche. - Disse, mas o ouviu elogiar a massa e sorriu, animado. - Gostoso? Que bom que gostou.
- Hum, você quer um cara como você mesmo? - Leo disse, para a segunda parte, não se prendendo a primeira, embora tivesse um sorrisinho canteiro para ela. - É muito, é forte, mas não é enjoativo.
Noah sorriu em resposta e negativou.
- Não seja bobo. Eu não sou nem metade do homem que você é. - Disse e comeu um pouco mais. - Essa é uma das melhores receitas que eu aprendi, gosto muito dela.
- Claro que é, não seja modesto. Ou pessimista. E ainda é um bom cozinheiro. Acho fofo que você goste de comida desse jeito.
Noah sorriu de modo que os olhos ficaram pequenos, negativando.
- Eu adoro comida, mesmo. - Riu. - Me deixa feliz, sei lá.
- É, eu entendo. Eu também gosto. Mas eu sou bem inglês mesmo... Clichê, do tipo que adora café da manhã, pães e essas coisas.
- Bom, nesse caso eu vou precisar aprender várias receitas de comidas de café da manhã. Você pode ser minha cobaia, hum? - Noah disse a beber mais um gole de vinho.
Leo riu, entre os dentes.
- Não precisa aprender nada, me mostre o que você já conhece. Mas claro, posso provar o que decidir fazer. - Leo disse e continuou com a comida, era mesmo saboroso, adorava o toque do manjericão.
- Hum, eu gosto de aprender coisas novas. Não vai ser nenhum problema pra mim. - Noah disse num sorriso e estendeu a própria taça para ele, para que não precisasse se inclinar para pegar a sua. - Além disso, adoro essa sua expressão de agrado. Que bom que ficou gostoso. - Se aproximou e beijou-o na ponta do nariz, claro que estava brincando com ele.
- Expressão? - Leo retrucou, sem perceber que havia se expressado fisicamente, mas sorriu e ficou confuso com a proximidade, esperou por um beijo, mas nos lábios, porém enrugou o nariz como reflexo. - Hum?
- Estou só brincando com você. - Noah disse e selou seus lábios em seguida, dando espaço para ele. - Eu sei que preciso respeitar seu espaço pessoal, é difícil, desculpe.
- Você gosta de contato, hum? - Leo sorriu por trás do talher que levava para a boca. Ao terminar com o conteúdo do almoço, deixou a louça vazia sobre o móvel. - Beijo de manjericão.
- É, eu gosto. Fico muito feliz de ter sido o último naquela sessão de fotos, ainda que eu estivesse meio puto no dia, depois quando eu saí a raiva já tinha passado totalmente. - Noah riu, divertido e deixou a louça sobre o móvel junto dele, pegando a taça de vinho. - Hum, é gostoso seu beijinho de manjericão.
- E estava puto por que? Não parecia puto na ocasião, pelo menos não fez sequer alguma menção. - Leo riu no entanto, diante do comentário seguinte. - Manjericão fica bom em tudo.
- Bom, os caras me largaram sozinho lá. Todo mundo já tinha ido embora e iam me dar carona, eu estava meio puto, aí eu vi que tinha cerveja e fiquei de boa, pensei em beber uma e ir pra casa, até você aparecer. - Riu baixinho. - Pareço maluco se eu te disser que guardei uma roupa suja de preto pra me lembrar de você? - Disse num riso. - Já provou torta de maracujá com manjericão? Maracujá não é tão comum aqui, mas eu comi uma vez e achei incrível.
Leo sorriu canteiro e riu em seguida.
- Parece um pouco. - Brincou na provocação, mas prosseguiu. - Na verdade parece um fã.  - Sorriu mais afável, achava meio fofo que ele não se percebesse como alguém que era um ídolo e não um fã. Sobre o manjericão, na verdade não, mas parece que fica bom, como um drinque.
- Bom, eu sou maluco então. - Noah riu. - Tudo bem que além do preto tinha sangue meu, mas... - Disse e coçou a cabeça. - É brincadeira. - Bebeu o resto do vinho da taça e deixou ela sobre a mesa. - Eu vou fazer pra você experimentar.
- É, a tinta até vai, mas o sangue e de onde você tirou ele, acho que é bom lavar. - Leo disse e riu em seguida. - Mais? - Referiu-se ao vinho terminado. Assentiu no final, referindo-se agora à torta.
- Até porque não tinha só sangue. - Noah disse num sorriso de canto, sugestivo. - Por favor. - Indicou a taça.
- Ela realmente precisava ser lavada.
Leo disse, quase muito sério, mas riu enquanto se levantava, trouxe a garrafa para ambos e então serviu a taça dele, também a própria, embora em menor quantidade, tinha um paladar mais enxuto, não bebia com frequência.
- Hum, acho que eu sou tão seu fã que se eu pudesse engravidar, eu mantinha o filho. 
Noah riu, lógico, esperou que ele levasse na brincadeira e que não soasse estranho.
- Nossa, que cantada intensa. - Leo disse e riu, muito divertido na verdade.
Noah riu, divertido junto dele e pegou a taça, bebendo mais um gole do vinho.
- Po, mas um bebê nosso seria lindíssimo.
Leo riu e negativou ao pegar a taça, não para sua afirmação é claro.
- É, acho que você tem razão.
- Imagine um bebê com olhinhos miudinhos e azuis, e o seu cabelo loiro lindo. - Noah disse num sorriso. - Eu tô parecendo esquisitão agora né? Foi mal.
- Um pouco, mas eu concordo, ele ia ter uma infância bem musical.
Noah sorriu ao ouvi-lo, ele parecia seguir o próprio fluxo ainda que fosse meio precoce e animado demais, gostava disso e ficava mais apaixonado por ele toda vez que ele fazia isso. Aproximou-se dele e selou seus lábios, mordendo o inferior.
- Filme?
Leo retribuiu o toque dos lábios, suspirou pela mordidinha de presente e fez o mesmo por ele, gostava de morder tanto quanto ganhar a mordida, mesmo fora de contextos sexuais. Assentiu por fim, é, seria um bom descanso, podia fazer isso. 
- O que você gosta de ver?
- Filmes de suspense. Terror eu sou meio medroso, mas assisto se estiver com você. Mas vai ter que dormir comigo. - Noah riu.
- Medo de filme? - Leo riu entre os dentes. - Porra, deve ser legal sentir medo de filmes, como quando criança.
- É, eu imagino que depois de sonhar com entidades demoníacas a gente não tenha medo de mais nada. - Noah disse num sorriso falsamente nervoso.
- Exatamente, especialmente quando você se torna um receptáculo. - Leo brincou como ele.
- Eu vou acabar levando essa porra a sério e tendo pesadelos. - Noah riu e negativou.
- Bem, talvez um dia ela te visite nos seus sonhos.
- Para, Leo. Tô falando sério. - Noah riu, cutucando sua cintura.
- Por que? Não iria querer isso? - Leo sorriu e pendeu suavemente a cabeça para o lado.
- Eu não. Uma criatura gigante, com asas e tentáculos de polvo? Eu infarto dormindo mesmo.
- Uma entidade não precisa ter uma forma monstruosa. Pode vir como um anjo.
- Hum, você é apaixonado por ela né?
O riso de Leo soou entre os dentes.
Noah fez um pequeno bico, evidentemente enciumado.
- ... Sabe, eu vi um tipo de meme na internet, eu não tinha entendido, entendi agora.
Noah desviou o olhar a ele, arregalando os olhos.
- Não... Você também não. - Disse e cobriu o rosto com ambas as mãos.
Leo riu, quase maldoso, quer dizer, um pouco provocador, mas tocou seus cabelos e os afagou. 
- Eu achei que você fosse um tubarão, mas é um patinho.
Noah negativou e encolheu-se, riu atrás das mãos, mas não as tirou do rosto porque estava vermelho.
- Sou um tubarão sim.
- Você o que? - Leo entendeu, mas fingiu que não, apenas para fazer com que tirasse as mãos da frente do rosto.
- Eu sou um tubarão sim! 
Noah falou ainda a segurar o rosto, mas tirou em seguida, mantendo o rosto abaixado com os cabelos sobre ele, riu. Leo riu, divertindo-se e então bagunçou seus cabelos compridos. 
- É, peixes também fazem bico, não é?
Noah negativou e riu, desviando o olhar a ele, mas já estava quase da cor do vinho.
- Acho que não os tubarões.
- Esse faz. - Leo disse e tocou seu rosto, sentindo um suave toque áspero, não via a barba crescendo, mas o toque dizia que logo apareceria. - Hum...
Noah riu baixinho e desviou o olhar a ele, meio confuso, parecia tocar a pele como quem analisava algo, só então percebeu que talvez devesse ter feito a barba, bom, novamente o pensamento sobre ser um homem invadiu a cabeça.
- Desculpe, eu devia ter feito a barba.
- Hum, é bem gostoso de tocar. Esfrega o rosto nas minhas costas.
- O que? - Noah disse e riu novamente, o riso estava um pouco mais frequente, provavelmente porque duas taças de vinho eram um pouco demais, não costumava beber vinho, costumava beber cerveja, que tinha menor teor alcoólico. - E eu aqui me preocupando se você preferia algo mais macio por eu ser homem.
Leo o fitou diante do comentário, mas franziu o semblante como quem expressa a bobagem que ouvia sem dizer uma palavra direta. 
- Eu gosto das duas formas. Macio ou firme, áspero ou sedoso, quente ou frio. Gosto de muitas coisas diferentes.
- Hum... É que você namorou por tanto tempo uma mulher... - Noah resmungou, repousando o rosto no encosto do sofá enquanto olhava pra ele de lado. - Eu sei que bato nessa tecla, mas é sobre mim e minha auto-estima, não tem a ver com você.
- Mas não estou mais com ela há um bom tempo. É incrível que consiga ter uma auto-estima ruim sendo como você é.
Noah sorriu meio de canto, não tinha de fato graça no sorriso.
- Pois é, pra mim também é incrível que você esconda esse rosto com a máscara. Absurdo na verdade.
- Mas faz parte do conceito da minha banda. O restante eu consigo privacidade.
Noah cruzou os braços ao ouvi-lo.
- Eu dei... Uma rápida olhada no Google e te achei. Privacidade?
Leo o olhou, evidentemente contrariado sobre a resposta que ganhou.
- Desculpe. - Noah disse a franzir o cenho. - Acho que eu... Bebi um pouco demais.
- Sim, eu tenho privacidade. Nem todos os que leem as notícias sabem a verdade e maior parte deles sequer querem acreditar que sou eu, então eu tenho privacidade.
- Eu sei... Eu sei disso. Me desculpe. - Noah disse a tocar a coxa dele, acariciando suavemente, mas piscou algumas vezes, confuso. - Por que eles não acreditam que é você? Pra mim é nítido. Você era tão talentoso quando mais novo, as músicas eram tão bonitas, seu timbre de voz.
- Mas não é porque eles não acreditam, é porque não querem acreditar. Não faço o tipo da maioria sem a caracterização.
- Leo, pelo amor de Deus, você é loiro, tem olhos azuis, é extremamente bonito. Não é possível que você não tenha um espelho em casa, mano.
- Não seja hipócrita, Noah. Você mesmo sabe disso, não precisa de muito pra descobrir. Eu... Não quero continuar com esse assunto, tá bem? Eu vou acabar sendo estúpido com você.
Noah levou as duas mãos para o rosto, o esfregou com calma e desviou o olhar a ele em seguida.
- Cara, eu juro por Deus que eu não consigo entender o que você está falando. Mas, se você quer assim, então não falamos. - Disse meio incomodado por ter sido chamado de hipócrita.
- É muito simples, se você está se fazendo desentendido, procure como você já fez. Vai, olha por uns cinco minutos, e você vai achar alguma coisa. Pegue seu celular.
Noah franziu o cenho ao olhar pra ele.
- Por que está falando assim comigo? - Disse confuso ainda, havia dormido muito pouco e agora ainda tinha álcool no sangue. - Você... Por que está agindo como um babaca comigo? Nós tivemos uma noite tão boa, transamos mais de uma vez, e todas as vezes você estava sem máscara, eu já vi todos os ângulos possíveis do seu corpo e rosto, eu voltei, eu te liguei, te mandei mensagem, senti sua falta mesmo depois de saber quem era o Vessel, eu te pareço hipócrita? - Disse e tinha a voz suavemente trêmula.
Leo notou sua expressão e a forma magoada com que dizia, mesmo sua voz parecia um pouco diferente, mas estava um pouco chateado, ele sempre parecia bater naquela tecla, como se desejasse saber mais, ouvir mais, como se quisesse tirar de si um tipo de confissão, talvez não com más intenções, talvez porque queria gerar algum consolo, mas não queria isso, preferia fingir que nada acontecia.
- É porque eu sei, Noah, eu sei que se você pesquisou por mim e viu os meus vídeos, já viu também os comentários de algumas pessoas neles, já viu pessoas dizendo que infelizmente eu era o vocalista da banda, você não precisaria ir muito além desses vídeos pra ver esse tipo de comentário. E você insiste em falar comigo sobre isso, sobre a máscara, sobre me esconder, por quê? Por quê?
Noah franziu o cenho novamente, havia de fato visto o vídeo e pego as fotos dele, mas nunca via nenhum tipo de comentários em redes sociais, nunca, mas sabia que se dissesse isso pra ele, ele não ouviria, era quase surdo quando algo não o agradava.
- ... Leo, eu não vejo comentários em vídeos ou fotos. Eu não tenho mais Instagram há muito tempo, nenhum tipo de rede social porque eu sei o quanto esses comentários são nocivos. Eu simplesmente falo sobre isso porque você parece ter um problema e eu quero que você entenda que você não tem nada de errado. Eu juro por Deus, eu... Eu juro por... Eu não sei, eu não tenho nada mais pra jurar, não me sobrou ninguém, mas eu não... Eu não vejo nada de errado em você. Eu juro por mim, sei lá. Deus pode me matar agora mesmo se ele quiser, mas eu... Eu não consigo entender. - Disse e tinha os olhos marejados, estava frustrado por não conseguir se explicar, porque sempre que tentava falar alguma coisa ele insinuava que era mentiroso, odiava que as pessoas falassem aquilo porque não sabia mentir, não sabia nem disfarçar a expressão quando tinha um problema. - Eu não entendo, mas eu... Eu não vou mais falar sobre isso. Me desculpe.
- Eu não estou dizendo que você pensa como eles, se é o que você entendeu. Sei que não pensa assim porque vejo isso no seu rosto, vejo nos seus olhos, mas não gosto quando age como se eu fosse louco achando coisas onde não existem. Você sempre fala sobre a máscara, simplesmente não aceita quando digo que é o conceito da minha banda, tem sempre uma pergunta nova mesmo quando já respondi, então parece esperar uma resposta diferente, então, se você acha que não estou sendo convincente com a resposta, é porque você deduz que é outra coisa, e se acha que é outra coisa, é porque no fundo você tem uma ideia.
Noah negativou, mas sabia que a culpa era própria, não devia ter bebido, não devia ter brincado ou falado algo assim, se sentia um idiota.
- Eu só queria entender... - Disse, com honestidade e balançava uma das pernas de forma incessante desde que começaram a discutir, só havia percebido naquele momento. - Eu só queria entender. Me desculpe.
Leo suspirou, agora estava chateado, incomodado, estava pensando coisas que não pensava há algum tempo, e odiava isso. Ainda assim, fez o possível para não levar isso até ele, podia ver que estava confuso, e sabia que ele não tinha culpa de nada. Não queria falar sobre aquilo. 
- Sinto muito. Eu... Não fique assim, você não fez nada errado. - Disse e o tocou na perna agitada, mas o tocou no ombro, puxando-o suavemente em direção a si. - Vem cá...
Embora Noah tenha ouvido sua voz, havia entendido o que ele disse, mas sabia que havia feito, tudo o que ele disse era verdade. Estava sempre fazendo uma pergunta ou outra, porque queria entender, havia passado a vida de sentindo mal sobre si mesmo e não queria que ele se sentisse assim, queria que ele soubesse o quão incrível era, mas não devia ter feito isso. Aproximou-se dele quando chamado, sentindo uma lágrima escorrer pela bochecha e o abraçou, encostando o rosto em seu ombro. Era um homem de quase dois metros de altura, mas era uma criança ainda no fim de tudo. Não queria estragar tudo.
- Eu fiz... Eu não devia ter falado nada, eu sei que a culpa foi minha. Eu só... Eu queria que você soubesse o quão incrível você é. Você foi a coisa mais maravilhosa que me aconteceu em muito, muito tempo. Por favor, eu não quero estragar tudo... Me desculpe.
Leo o puxou tão perto quanto poderia e até tomou suas pernas sobre as próprias para fazer isso. O abraçou, sentindo aquele desejo de consola-lo, tanto, que até se esqueceu de se sentir inundado pelas próprias inseguranças. Descansou o rosto em seu ombro, como ele no próprio. 
- Não, está tudo bem, você não fez nada errado.
Noah suspirou profundamente, aspirando o cheiro dele quando fez isso e fechou os olhos, apertado, depois o beijou no pescoço
- Eu não vou mais falar sobre isso...
- Obrigado. - Leo murmurou, perto como estavam ainda, sustentando o abraço e o lugar onde se colocou. - Em algum momento nós conversamos sobre isso, mas deixe que eu te procure e não o contrário.
Noah assentiu, veemente, com certeza não diria mais nada sobre o assunto se ele não falasse consigo.
- Tá bem... Tudo bem... - Murmurou assim como ele. Tinha medo de perguntar, então as palavras saíram até um pouco roucas. - Você... Quer que eu vá embora?
- O que? Não. Parece que eu quero? 
Leo estava ainda a segura-lo por perto, portanto, não entendeu a razão da pergunta. Noah negativou, o abraçava tão forte que mais um pouco se fundiria com ele.
- Não parece, mas eu... Precisava perguntar.
- Está tudo bem. 
Leo disse e deu um pouco de espaço no abraço, olhando o rosto dele, seus olhos pareciam até menores que habitualmente. Ao perceber que ele queria se afastar, Noah o fez, olhou pra ele igualmente e franziu o cenho, mas tocou sua bochecha, acariciando-a, sentindo sua pele quentinha e macia que tento gostava. Leo beijou sua testa, sua têmpora. O afagou na nuca e descansou o rosto em sua cabeça, contra seus cabelos. Noah fechou os olhos quando ele se aproximou, o abraçando novamente e suspirou, sentindo a respiração se acalmar aos poucos, Deus estava com tanto sono e aparentemente, a dose de adrenalina que havia sentido havia sido ainda pior pra isso. O tocou nos cabelos loiros e piscou algumas vezes, tentando afastar a sensação sonolenta, não queria deixar ele sozinho. Pra falar a verdade, ele não precisava de esforço para se manter acordado. Leo apenas se ajeitou com ele, acabou se deitando em um determinado momento, ali no sofá mesmo. Não queria conversar, estava sentindo um cansaço estranho, mas não era físico, sabia disso. Conforme ele puxou a si para se deitar, Noah entrelaçou os dedos aos dele em uma das mãos, ainda tinha o rosto encostado em seu ombro, mas cansou de lutar consigo mesmo para se manter acordado, precisava dormir, precisava descansar e tudo o que conseguiu fazer foi segurar a mão dele para indicar que ainda estava ali, que não ia deixá-lo ir, mas adormeceu, mesmo sem perceber exatamente o momento.


Momento apreciação do Noah Duck Sebastian para contextualização. Te vejo no próximo capítulo!



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