Vessel e Noah Sebastian #16
Leo seguiu com ele até o chuveiro, entrando prontamente, já estava sem roupas mesmo. Ao entrar, notou a temperatura quente demais até para um chá num dia frio.
- Nossa...
Noah já havia entrado no banho, e realmente, gostava da água quente numa temperatura de fritar coisas. Riu, tocando a cintura dele, abriu um pouco o chuveiro, deixando a água mais fria.
- Desculpe, eu gosto da água bem quente.
Ao se afastar da água, talvez o fato de Leo não ter tatuagens deixava o rubor na pele ainda mais evidente onde a água havia tocado por alguns instantes.
- Quer me cozinhar, hum? - Brincou e negativou. - Tudo bem, pode fazer um ensopado.
Noah riu e negativou, puxando-o para si.
- Aranha frita. - Selou seus lábios.
- Oh, parece interessante. Soa bem. - Leo disse e riu contra seus lábios, Noah riu com ele.
- Será que é gostoso? Deixa eu dar uma mordidinha.
- Aranha frita soa como um petisco bem crocante.
- Hum, não quer uma mordidinha?
- Vai arrancar mais um pedaço da minha coxa?
- Ah, que mentira, eu nem mordi com força. - Noah disse num riso e ao colocar sabonete na esponja, usou no corpo dele, lavando sua pele.
- Bom, então eu me pergunto como será quando quiser morder com força. - Leo respondeu e deu um risinho entre os dentes, olhando sua atividade ao lavar o próprio corpo.
Noah fez um bico até bem expressivo, esfregando-o no peito com um pouco mais de força de propósito.
- Para de ofender minha mandíbula.
- Hum... Eu não estou, você só quer me esfregar com vontade. Você sabe. - Leo resmungou, fingindo-se dolorido.
Noah riu baixinho e deslizou a esponja em suas costas, mas parou antes de chegar a suas nádegas e entregou a esponja a ele, sorrindo de canto, ele prezava muito pela própria privacidade, fazia o mesmo com ele. Leo suspirou profundamente enquanto sentia a fricção nas costas, era como ganhar um carinho então apenas aproveitou.
- Ah, mas ainda estou com as costas sujas.
- Está nada, eu esfreguei. - Noah disse a olhar pra ele, mas alguns segundos foram o suficiente para entender. Riu, pegando a esponja e voltou a tocar suas costas, deslizando ali sem força realmente.
Leo sorriu pra ele enquanto o via rir, então fechou os olhos e balançou a cabeça, positivamente, sentindo a fricção suave da esponja.
- É, melhor do que qualquer massagista. Vamos, deixa eu te ajudar também.
Riu e esperou pela esponja. Noah riu mais uma vez e negativou, mas entregou a esponja a ele, Leo aceitou e enxaguou antes de colocar um pouco mais de sabonete, em seguida o ajudou como ele a si, iniciando a limpeza, embora fosse mais um tipo de carinho mesmo. Noah sorriu suavemente sobre a forma lenta que ele lavava a si, aproximou-se e selou os lábios dele, o abraçando ao redor da cintura.
- Hum, você e tão adorável.
- Sou, hum? Não estou nem dançando.
Noah riu e negativou.
- Pra você ver. - Disse a selar seus lábios mais uma vez, terminou o banho com ele, claro, iria de lavar quando ele enfim saísse. Usou sua toalha macia para se secar e no quarto buscou as próprias roupas na mala que havia levado dias antes, uma camiseta da banda dele e uma boxer, não vestiu calça. - Vou ficar assim pra receber seus amigos.
Após sair, Leo vestiu como sempre uma calça confortável. Como costume, ficou por um tempo com a toalha nos ombros, secando os cabelos. Observou Noah enquanto se vestia, buscando na mala que deixaria de ser útil para aquela ocasião em breve.
- Ah claro, vai ficar sim.
Noah riu divertido e olhou as máscaras, pegou a vermelha e branca, a penúltima que ele usara em shows, antes da dourada, olhou o elástico um pouco confuso, mas a vestiu em seguida e mostrou a ele, rindo baixinho.
- Sem a capa e a pintura preta não tem a magia.
Leo o observou se aproximar das máscaras, então se sentou na beira da cama, deixando se divertir com o adereço. Ficou surpreso que tivesse encaixado bem em seu rosto, já que tinham traços tão diferentes. Riu no entanto.
- Vamos te pintar de preto então.
Noah riu, divertido, mas negativou.
- Não... Vamos... Fazer isso quando eu puder te sujar de preto.
- Bom, e antes do banho seria melhor também. - Leo riu entre os dentes. - Ficou bem em você.
Noah sorriu e se aproximou dele na cama, abaixando-se para selar seus lábios.
- Ficou, é? I wanna be your provider... - Cantou e riu baixinho, nao era nem próximo de ser tão sexy quanto ele cantando aquilo.
Leo sorriu diante da proximidade, da música em sua voz, era tão diferente de si, tinha uma delicadeza descomunal. Suspirou em apreço. Noah riu suave e negativou, tocando a máscara para então retirar.
- Sou um Vessel soft aparentemente. Você é melhor.
- Eu gosto, você tem delicadeza e uma hora ela termina. Gosto de como soam na sua voz.
Leo sorriu e tocou seus quadris diante da altura em que estava, acariciando nas coxas. Noah tocou seu rosto com uma das mãos, acariciando sua bochecha macia e sentou-se em seu colo novamente, de frente pra ele, selou seus lábios e mordeu o inferior, só estava provocando, é claro.
- Garner you with silk like a spider. - Cantou baixinho, contra os lábios dele ainda.
Leo sorriu contra seus lábios, novamente após a música. Olhou para ele como quem aprecia um pequeno show e acariciou suas costas, na lombar.
- Adorável. A minha voz infelizmente não se encaixa bem na sua música.
Noah sorriu, gostava quando ele olhava pra si daquele jeito, era como olhava pra ele, tinha paixão naqueles olhos azuis e isso deixava a si muito feliz.
- Você se encaixa bem em qualquer coisa minha. - Disse, sugestivo e roçou o nariz ao dele, não conseguia tirar as mãos dele, era uma maldição.
O sorriso de Leo soou ambíguo como sua frase.
- Não nas suas músicas, mas onde você quer que eu encaixe, se conecta muito bem. - Sussurrou perto de seus lábios, sentindo o nariz roçando ao próprio, retribuiu a carícia por sinal. Noah sorriu a ele novamente.
- Bad Decisions ficaria linda na sua voz. Eu posso cantar o refrão. Ficaria um dueto incrível.
- Tá bem, podemos brincar com isso. - Leo sorriu para ele, ainda no colo como estava e tocou uma mecha de seu cabelo, deslizando-a do rosto para trás da orelha. Noah assentiu num sorriso.
- Ainda temos um tempo, quer tentar no piano? - Disse a tocar sua nuca com as unhas, como ele gostava.
- Hum, claro. Ainda não respondi as mensagens, então temos mais que um tempo.
Noah sorriu e se levantou, estendendo uma das mãos a ele como de costume.
- Ah, bem, deixa eu colocar uma calça antes.
Leo levantou-se logo após ele, segurou sua mão e então a beijou no dorso já que a dispensou logo em seguida, dando a ele espaço para seguir e se vestir. Noah suspirou ao sentir o beijo, evidentemente apaixonado e sorriu, buscando uma calça de moletom, era branca, quase meio acinzentada.
- Hum, essa calça ia ficar bonita em você. - Disse num sorriso, mas como ele já estava vestido, quer dizer, estava só de calça, vestiu em si. - Vai ficar sem camisa? Fica, eu gosto.
- Vai ficar em você também. - Leo disse enquanto o via se vestir, conferindo como se adequava. - Eu disse. - Negativou porém, risonho, então buscou uma camiseta, colocou a da banda dele, como ele gostava. - Assim você gosta também, hum?
Noah riu baixinho e assentiu, o abraçou ao redor da cintura e selou seus lábios.
- Estamos combinando, ah? - Mostrou a camiseta da banda dele que usava e riu. - Você é lindo demais, puta merda.
- É, eles vão querer me zoar muito, mas não farão isso na minha frente. - Leo sorriu e afagou seu rosto, acariciou as mechas de seus cabelos. - Você quem é.
Noah riu divertido ao ouvi-lo.
- Pode trocar se quiser, eu não me importo.
Suspirou mais uma vez a tocar a mão dele e acariciou seu dorso, algumas vezes fazia isso, olhava pra ele por longos segundos, olhava seus olhos azuis que pareciam aquele oceano que ele era, seus cílios clarinhos, seus lábios suavemente rosados, conhecia todos os detalhes de seu rosto, sabia que ele tinha lábios mais finos, era uma característica dos ingleses, sabia de cada uma das pequenas marcas que haviam no rosto dele, as marcas de suas olheiras e que achava extremamente charmosas, as marcas de expressão quando ele sorria, as ruguinhas quando ele estreitava os olhos. Era louco por ele. Era completamente louco por ele. Apertou sua mão suavemente. Por favor... Por favor, não me acorde, murmurou dentro da própria cabeça, como uma de suas músicas. Leo olhou para seus olhos pequenos, encarando o rosto como se tentasse descobrir algo novo, analisando alguma coisa ou quem sabe gravando algo em sua mente. De alguma forma se sentiu um pouco desconfortável, então abaixou um pouco a cabeça e desviou para algum outro ponto enquanto dava um sorrisinho canteiro.
- Vamos?
Noah segurou seu queixo conforme ele abaixou a cabeça e ergueu seu rosto, olhando para ele novamente, seus olhos principalmente e sorriu, mostrando os dentes a ele.
- Eu sou completamente louco por você, Leo. - Disse, embora sorrisse e ficasse até um pouco tímido por dizer, a voz não vacilou nem um pouco.
- Está encarando a minha alma agora, hum?
Leo murmurou ao sentir o toque no queixo, erguendo a direção visual para ele outra vez, por fim sorriu ao ouvi-lo, mantendo aquele sorrisinho brando, um pouco desajeitado, sentindo-se encarado e não podia ler exatamente sua mente, então não tinha certeza sobre o que pensava, sobre o que reparava, mas era um pouco tímido quando era verdadeiramente visto. Noah sorriu a ele, ele parecia tímido, um pouco nervoso talvez, por isso segurou sua mão com a própria mão livre, entrelaçando os dedos aos dele.
- Eu... - Disse, sem saber se deveria dizer aquilo, os lábios estremeceram suavemente, se lembrando da briga que havia tido com ele por falar algo sobre sua aparência, era como uma lembrança traumática. - Não é nada. - Disse num pequeno suspiro que fez a voz falhar suavemente. - Vamos.
Leo esperou ele completar, mas a voz perdeu firmeza antes que o fizesse, talvez por isso agora tivesse deixado de se sentir encarado e passasse a prestar atenção nele e no que ele podia estar querendo falar.
- O que houve?
- Não é nada demais. Eu só... - Noah sorriu meio de canto. - Só ia dizer o que eu acho bonito no seu rosto. Mas... Bom você não gosta que eu fale sobre isso, eu acho.
- O que você acha bonito? É um detalhe, hum? - Leo falou em leve tom de humor. - Achei que seria o rosto.
- Claro que é o rosto, palhaço. - Noah riu e negativou. - Eu ia dizer os detalhes que eu gosto. - Selou seus lábios e sorriu contra eles.
- Os detalhes que gosta, não deveriam ser todos? - Leo provocou-o novamente e sorriu contra seus lábios como ele nos próprios.
Noah estreitou os olhos e fez um pequeno bico.
- Vai se foder, Leo. - Riu e mordeu seu lábio inferior, não era firme, era mais uma mordiscada.
- Oh, é sua primeira ofensa. - Leo disse como se estivesse surpreso de fato e grunhiu sob seu mordisco.
- Não foi, eu já te chamei de palhaço antes. - Noah riu, sabia que ele entendia que era uma brincadeira. - Mas é, eu gosto de todos. Eu só ia citar todos eles.
- Mas palhaço não é uma ofensa, o vai se foder é. - Leo sorriu com o canto dos lábios. - Bem, gosta da minha cara de cansado, ah?
- Não realmente. É diferente de ofender tipo babaca, idiota, sei lá. - Noah disse, mas franziu o cenho quando o ouviu. - Cara de... Cansado? - Riu suavemente. - Você não tem cara de cansado. Se for por causa das olheiras, eu acho elas muito atraentes na verdade.
- Ah, eu tenho sim. Por causa das olheiras também. Mas eu não me importo realmente.
Noah negativou, acariciando o rosto dele e tocou uma de suas olheiras, sorrindo.
- Elas te dão uma aparência de quem passou algumas horas tocando piano, apenas. Eu gosto muito delas, de verdade. Gosto dos seus olhos azuis, seus cílios clarinhos como seus cabelos, gosto da sua pele macia... - Disse a tocar cada parte em que falava, acariciando sua bochecha quando falou de sua pele. - Eu gosto dos seus lábios. - Disse, deslizando o polegar por eles. - Adoro quando você franze eles suavemente quando sorri com seus dentinhos pontiagudos. - Riu baixinho. - Eu adoro as pequenas ruguinhas que seus olhos fazem quando você sorri. A curva suave que seu queixo faz e eu consigo ver na máscara. - Sorriu suavemente. - Eu adoro o seu nariz, e como você franze ele suavemente quando sente um cheiro que você não gosta como algo queimado, ou como você fareja e dilata as narinas quando é cheiro de bolo. - Riu baixinho, sentindo os olhos suavemente marejados enquanto falava, percebendo que reparava em cada pequeno detalhe dele e em como tudo era tão bonito para si e como provavelmente suas inseguranças não significavam absolutamente nada através dos próprios olhos. Tocou novamente sua bochecha, aquelas pequenas marcas que seu rosto fazia na lateral do nariz, sabia que ele não gostava delas, porque já o havia visto no espelho enquanto se ajeitava algumas vezes, também percebeu que era o primeiro lugar que ele cobria de preto quando ia se arrumar. Acariciou exatamente aquele lugar e sorriu, sabia que ele não gostava, mas não via absolutamente nenhum problema. - Gosto de como as pequenas marcas do seu rosto emolduram o seu sorriso.
Leo o ouviu em silêncio, sabia que nada que dissesse seria compreensível para ele e também sabia que nada do que ele dissesse faria a cabeça aceitar repentinamente aquela vaidade que tentava criar desapego, Vessel conseguia. Como Vessel algo se sobressaia em si e não era sobre físico, com a música deixava tudo para trás, mas devia viver na realidade na maior parte do tempo. Então apenas olhou para ele e sorriu, suspirou profundamente e assentiu.
- Obrigado por ver em mim tudo aquilo que eu não sou capaz.
Quando Noah o viu sorrir, sentiu o coração quase bater forte no peito, quando terminou de falar, ficou assustado por um momento porque não sabia qual seria a reação dele, então ver que ele não iria perder a paciência consigo novamente, era um alívio. Soltou a respiração que nem percebeu que havia prendido.
- Eu disse... Eu sou louco por você. Eu já vi tudo o que eu podia ver e eu ainda sou e eu sei que por mais que eu ame o Vessel, eu jamais conseguiria viver uma vida toda sem ver o seu rosto de novo.
O riso soou apenas como um sopro pelas narinas de Leo, sentindo aquele afago mental que estava ganhando. Infelizmente não aceitava com facilidade, mas ia tentar, porque sentia diversas coisas por ele, visualizava muitos detalhes como ele e sabia que tudo o que via em sua forma, parecia impecável. Claro que não poderia se comparar com Noah, mas sabia que não era um homem superficial a ponto de sentir todas aquelas coisas por ele apenas por sua aparência, apenas por ser bonito, então estaria sempre trabalhando para entender que era visto da mesma maneira que olhava para ele. Noah assentiu, ele parecia ouvir, ainda que parecesse um pouco contrariado, mas não se importava, sabia que era óbvio o que sentia, só pela forma como olhava pra ele. Tinha uma coisa que sempre pensava quando não se sentia suficiente, ele era famoso, podia ter qualquer um, qualquer um que quisesse, mas escolhia ficar consigo, era a mesma coisa da própria parte, queria ele, o amava exatamente como era. Segurou sua mão, entrelaçou os dedos aos dele e caminhou para fora, para o andar de baixo. Soltou sua mão no piano e na sala buscou a caixinha dos próprios óculos, olhou pra ela por algum tempo, ele não havia visto a si de óculos ainda, sempre usava longe dele. Pensou se deveria devolver à mesa, mas levou consigo, geralmente quando faziam aulas de piano tinha dificuldade de entender as partituras porque tinha vergonha de usar os óculos e tinha que colocar as lentes de contato.Leo seguiu para o andar de baixo com ele, foram diretamente para o piano, embora a conversa tivesse deixado um rastro sentimental no clima. Ao se sentar, esperou por ele até que voltasse de sua breve ida, deu a ele um espaço na banqueta e se virou parcialmente em sua direção.
- Escute, você, eu também amo tudo o que vejo em você.
Noah deixou os óculos do lado, na verdade, ergueu a mão na menção de deixar, mas o ouviu e puxou de volta devagar. Sorriu meio tímido e olhou a caixinha preta, suspirou profundamente e a abriu, abaixou a cabeça para colocar os óculos no rosto, mas não olhou diretamente para ele depois disso.
- Hum, está com vergonha dos óculos? Eu já vi você usando eles. Eu gosto.
- Hum? Já viu quando? Eu não uso perto de você.
- Noah disse num riso suave e desviou o olhar a ele, porém cobriu a boca com uma das mãos.
- Eu já vi em lives que fazia. Eram bem legais na real.
- Hum, você já viu meus vídeos de live? - Noah riu baixinho, achando curioso que ele tivesse procurado algo assim. - Você procurou ou...?
- Ou? - Leo indagou, curioso com que pretendia completar. - A primeira vez eu vi por acaso em uma fanpage da banda no Instagram, então percebi que era conteúdo de qualidade e volume. - O riso soou provocador. - Acabei achando vários outros, passei horas na verdade.
Noah riu divertido, negativando consigo mesmo.
- Ah... Naquela época as coisas eram muito caras, eu fazia lives pra financiar boa parte das coisas que eu precisava. - Coçou a cabeça meio desajeitado.
- Você se esforçou bastante, você é incrível, Seb. Você parecia se divertir, espero que sinta isso novamente algum dia. - Leo sorriu canteiro. - Gosto dos óculos, parece atencioso com eles.
Noah sorriu meio de canto e assentiu, de fato havia se esforçado bastante, em quase tudo que fez na vida.
- Bom, eu gosto quando jogamos vídeo game, isso me diverte. - Riu. - Mas... Acho que as lives eu nunca mais vou fazer. - Suspirou, mas sorriu meio de canto ao ouvir seu elogio. - Pareço um aluno, hum? Pronto, vamos brincar de professor e aluno um dia. Mas eu não posso sentar em cima do piano ou vou quebrar ele.
- Bom, você não precisa de lives pra se divertir, mas foi uma coisa interessante, certamente. Me diverti e aposto que seus fãs adoraram o tempo. - Leo disse e sorriu no entanto, negativou. - Acho que seríamos mais como amigos de colégio, embora provavelmente você fosse me achar estranho, porque você era descolado.
- Eu era descolado? - Noah riu e negativou. - Nunca fui parte dos descolados, eu era o estranho que gostava de rock. Os descolados só não mexiam comigo porque achavam que eu era satanista, mas nossa, eu era emo, horrível. Queria apagar meu passado com uma borracha. - Riu divertido.
- Bom, provavelmente com seu jeito emo era melhor do que o meu jeito de nerdão, ah?
- Ahh, você era tão fofo. - Noah disse num sorriso e negativou. - Tem um vídeo seu que eu adoro absolutamente, gosto de ver seu rosto erguido enquanto canta. Eu derreto todo. - Riu.
- Ah gosta, hum? Qual é? Quer dizer, acho que sei. - Leo riu e negativou. - Não é da época da escola aquele, é da faculdade.
- Uhum. Você já era mais velho. Tão lindo, é uma pena que a sonsa da sua ex namorada estava do seu lado. - Noah disse, mas percebeu o que havia dito e mordeu o lábio inferior. - Oh, desculpe.
Leo olhou-o surpreso, porém riu, divertido com a forma como ele soou.
- Sabia que a maioria das pessoas diziam que parecíamos irmãos?
- Você não tem cara de sonso. Nem voz. Ela tinha uma voz de sonsinha. - Noah riu. - Bom, agora eu já falei mesmo.
- Diziam que eu tinha cara de cãozinho de caiu de mudança.
Noah sorriu.
- Ah, eu não acho que isso seja uma ofensa. Quer dizer que você era fofo. Você era fofinho mesmo. Que vontade de.... Amassar, morder todinho o Leo bebê.
- O Leo bebê, hum? O Leo adulto não?
- O Leo adulto também. - Noah riu e aproximou-se dele, beijou seu rosto, seu pescoço e mordeu suavemente. - Me diz uma coisa. Vocês chegaram a ficar noivos?
Leo fechou os olhos, sentiu os beijos e até Inclinou o pescoço de lado para ganhar o mordisco. Reabriu os olhos em seguida, voltando-se para ele.
- Não. Tínhamos uma mentalidade diferente, quer dizer, nunca falavamos abertamente sobre essas coisas, apenas íamos deduzindo e seguindo o ritmo.
Noah sorriu a ele, meio de canto e começou a sentir sinais de incômodo, era hora de parar de perguntar, as pernas começaram a ficar suavemente trêmulas.
- Ahn... - Pigarreou. - Vamos cantar?
Leo notou um incomodo, já que ele fez aquele bico. Tocou a perna dele e acariciou em vai e vem leve.
- Não tem porque se incomodar com isso. É com você que eu quero estar agora.
Noah suspirou profundamente e assentiu.
- Desculpe. Eu simplesmente tento não me importar, mas as vezes eu fico nervoso. Minha cabeça é uma bola de leve, quando eu percebo, estou imaginando você com ela.
- Hum, eu entendo. Mas veja bem, eu deveria pensar na época em que foi casado? Não é mais algo importante na sua vida. Então, porque a Gemma ainda seria na minha?
- Pois é, eu na verdade até esqueço que eu fui casado. - Noah disse e riu baixinho, negativando. - Parece que... Minha existência antes de você era meio nebulosa. Faz sentido?
- Algumas fases na vida parecem assim mesmo. - Leo sorriu, não realmente um sorriso animador. - Mas felizmente as coisas mudam. Nos encontramos no limbo.
Noah sorriu e tocou a mão dele sobre a coxa, acariciando suavemente.
- Please let me in.¹ - Murmurou e riu baixinho.
- Oh... - Leo murmurou, surpreso e deu um risinho, era constrangedor.
- Hum? O que foi? - Noah ergueu a mão dele, beijando seu dorso.
- Ah, eu estava começando a compor, então...
- Eu adoro essa música. - Noah sorriu. - Você é perfeito, não se envergonhe de absolutamente nada.
- Bom, você fica envergonhado pelos seus óculos, então, não pode falar muita coisa. - Leo riu. - Eu era newbie.
- Fofo, apenas. Eu quando era newbie não escrevia tão bem assim. - Noah riu. - Vamos tocar, hum? Você tem que começar.
- Hum, pra falar a verdade eu gosto dela também. Lembro de uma época onde tudo era muito novo. Estava começando a ir além dos falsetes, aprendendo a lidar com a minha voz por ser grave. - Leo riu baixinho e no entanto, virou-se para o piano, por um tempo ficou mentalizando a música, tentando tirar nota e adequar para o instrumento. - I'm taking it slowly, you'd never know... How quick it gets lonely here at the top. Her skin feels unholy, but I'm still drawn. The morals I'm holding, you know they're gone.
Noah riu baixinho e assentiu, tocando sua perna enquanto ele enfim iniciava a música, silencioso o ouviu, sorrindo enquanto ele cantava, é... Se adequava bem a voz dele, ficava muito mais bonita na verdade. Suspirou apaixonado.
- No god, no religion. Just bad, bad decisions. - Cantou a primeira parte, esperando que ele cantasse a segunda.
- No God, no religion... Just bad, bad decisions... - Leo completou a segunda parte e então esperou por ele, aquela parte mais aguda de sua voz, e que pessoalmente gostava ainda mais do que a sobriedade dela na parte inicial. Era delicada, gostava do contraste. Então sorriu ao ouvi-lo, suspirou como ele, sem nem perceber.
- You can be all I got, what's the difference? Henessy and a lot of bad decisions. All I know, all I know, it's bad bad decisions. - Noah cantou o refrão, já sabia que ele estava esperando por si, então sorriu para ele na segunda parte mais grave, o deixaria canta-la também, adorou ela em sua voz.
Leo seguiu tocando as notas que se encaixavam no ritmo, embora pensasse que faria melhor no violão naquela música, talvez por ser acostumado com suas versões acústicas com um aspecto menos clássico. Cantou com ele toda a música e se sentiu confortável com isso, era como ter um hobby, era como cantar sem tornar aquilo um trabalho.
- You and me and a lot of bad decisions, all I know, all I know, is bad, bad decisions. - Noah finalizou a música, ouvindo-o tocar as últimas notas no piano e sorriu, aproximando-se dele para beijar seu rosto. - Como eu imaginei, lindo na sua voz.
Leo suspirou quando terminaram e então se voltou para ele, sorriu genuinamente satisfeito, ele ia saber e então retribuiu seu beijo dando um no ar.
- Eu gosto muito da sua voz. Ela se encaixe bem em muita coisa.
Noah sorriu a ele, desviando o olhar ao piano e tocou algumas teclas, a forma como o fazia agora era diferente, já estava aprendendo algumas coisas com ele.
- É, os críticos não concordam com você.
- Bom, quem sabe fazer faz e enxerga quem sabe. Quem não sabe, vira crítico.
Noah riu, divertido ao ouvi-lo e negativou.
- Hum, não, eles tem bom gosto, você estava na lista.
- Noah, você sabe que isso não faz deles pessoas que sabem o que estão dizendo.
Noah desviou o olhar a ele, silencioso, mas assentiu em seguida.
- Você não deveria duvidar das suas capacidades pelo que pessoas que não fazem metade opinam a seu respeito.
Noah assentiu novamente, na verdade há alguns dias se percebia um pouco incomodado porque percebia que ele estava ganhando e sendo indicado pra vários prêmios, pessoas da própria gravadora estavam no Grammy e bem, estava se sentindo deixado pra trás. Não tinha inveja dele, é claro, não se sentia mal por ele, muito pelo contrário, o amava e queria tudo de bom pra ele, mas se sentia cada vez mais inferior, e não era muito bom se sentir assim quando já havia tido um burn out alguns meses atrás. Suspirou profundamente.
- Tudo bem.
Leo olhou para ele, que não exatamente parecia dar ouvidos ao que estava dizendo, sabia porque era exatamente assim também, mas ainda que não desse ouvidos, as dúvidas nunca eram sobre a própria competência musical e queria que ele pudesse entender como era incrível também.
- Achei que você respeitasse o meu trabalho, com isso, que talvez desse ouvidos a minha opinião como músico, não é assim?
- Claro que é. Quando você diz que gosta da minha voz, que era meu fã, é muito importante pra mim. Mas eu fico pensando se você não mentiria pra tentar me fazer sentir melhor porque estamos namorando.
- Eu levo isso muito a sério, e eu quero que você continue crescendo, assim como eu quero crescer e evoluir nisso. Estaremos sempre piores hoje do que estaremos amanhã, mas vamos continuar melhorando. Então se eu pensasse que deveria melhorar em alguma coisa, eu diria e vou dizer a você porque sei que seria capaz. Já te ouvia antes de me relacionar com você, por sinal. Nomeação, prêmios, isso não é importante, o que você faz é que é, uma estueta que você ganha pelo voto de pessoas que praticamente podem ser compradas? Você não deve levar isso a sério, esse tipo de ocasião é apenas um circo. Eles querem apenas lucrar com o que fazemos.
Noah assentiu, veemente dessa vez, ele tinha razão de fato.
- Obrigado... Eu... Me sentia meio agoniado há uns dias, mas não queria que pensasse que eu tinha inveja de você.
- É claro que não. - Leo tocou seus cabelos, acariciando a mecha que colocou atrás de sua orelha. - É acima de tudo um trabalho, queremos ser reconhecidos por isso, mas não deixe esse desejo de reconhecimento sobrepor o amor que você tem pelo que faz. Se você decidir fazer tudo pra agradar as outras pessoas, vai perder a si mesmo cada vez mais.
Noah assentiu novamente e virou-se para ele, repousando o rosto em seu ombro, sentindo o cheiro gostoso de seu pescoço, ele fazia tão, tão bem para si, que era quase um pecado, se perguntou por um momento o que tinha feito pra Deus pra recebê-lo como presente.
- Eu te amo, Leo.
- Não importa o que digam, ninguém no mundo deseja mais a sua felicidade do que você mesmo, a única pessoa que sabe o que realmente poderia te fazer feliz, então não dê ouvidos e não pense que você é menos pelo que os outros dizem, é tudo midiático e não importa quanto você dê a eles, eles sempre vão exigir mais. - Leo continuou, porque aquele assunto gerava muita ira para si, havia passado por camadas diferentes da carreira e sabia que a indústria era um verdadeiro inferno, era um caso de amor noscivo. - Isso é que é Sleep. Aquilo pelo qual você se entrega, recebe por isso, mas quanto mais ela te dá, mais de você precisa dar de volta e nunca é suficiente. Mas não deixe que isso te consuma, hum? Eu.. também te amo, Noah.
Noah ouviu em silêncio, fazia sentido, era por isso que algumas músicas eram tão tranquilas, amorosas e outras raivosas, ele também passava pelo que passava, as vezes era normal se irritar, mais normal do que imaginava. Entendia tudo, tudo o que ele falava, era engraçado porque se sentia recebendo conselhos de um pai, mas nunca de fato teve um e ele era três anos mais velho do que a si. O final porém, não esperava que fosse ouvi-lo dizer, talvez ele tivesse falado apenas porque estava no meio de sua linha de pensamento, ficou em silêncio alguns segundos para ter certeza que ele entendia o que havia dito e ergueu o rosto a olhar pra ele.
- ... Ama?
Leo o olhou de volta, ficou esperando porque ele parecia estar esperando algo também, como se fosse dizer algo. Por fim sorriu, um sorriso canteiro e afável.
- Falar é tão necessário pra você acreditar? Achei que já sabia disso.
Noah sorriu meio de canto.
- Hum, não precisa ser grosseiro comigo. Eu sei... Mas ouvir... É outra coisa, eu sei que você não fala se não for verdade e que é difícil pra você falar.
- Ora, não fui grosseiro. - Leo resmungou e até o imitou, fazendo um pequeno bico, mas assentiu, ainda afirmando o que havia dito.
- Ah, isso aí é novo. - Noah disse e segurar suas bochechas, apertando aquele bico fofo que ele havia feito. Riu e depois acariciou o rosto dele, aproximando-se e selou seus lábios.
- Você é tudo pra mim. É assim que eu me sinto todo o tempo. Como se tudo que eu tivesse não fosse nada comparado a você. Como se a comida não fosse ter gosto, a música não fosse ter se quer um som, sem você.
- Eu imitei você. - Leo disse com a bochecha apertada entre suas mãos. Sorriu ao ouvi-lo, afagando seus cabelos no topo da cabeça. - Sentia falta de fazer música assim, como é com você
- É... Eu também. Poder cantar só... Só por diversão. Só pra ouvir como ficaria na sua voz, só pra compartilhar um amor em comum.
- É, como um amor em comum. - Leo disse como ele, em uso de suas mesmas palavras. - Bem, venha, toque algo pra mim. - Disse, dando a ele o espaço para o piano.
Noah riu baixinho e assentiu, ajeitando-se em seu lugar, embora estivesse um pouco tímido. Fazia um bom tempo que estava fazendo aulas com ele e nas horas vagas, treinava algumas coisas diferentes, não era como ele, é claro, nem perto, mas se esforçava muito. Era como uma criança aprendendo, e era bem mais velho. Deslizou os dedos pelas teclas e devagar, tocou o início da Atlantic, mas, errou algumas notas, o que fez com que parasse por um momento, sentindo as mãos suavemente trêmulas.
- Desculpe. Eu ainda...
Leo ficou ao lado e não olhou para o piano, apenas fechou os olhos e o deixou tocar, sem ver seus movimentos, sem demonstrar atenção no que ele fazia. Compreendeu o início da música e mesmo com algumas teclas indo em casas diferentes, sorriu quando se voltou para ele, reabrindo os olhos.
- Está indo muito bem, Seb. Essa é uma música importante pra mim. Continue estudando ela.
Noah sorriu suavemente.
- Eu vou me esforçar mais... - Disse e franziu o cenho, não devia ter tocado ela ainda pra ele, deveria ter esperado mais.
- Você está indo muito bem, ficou muito bonita. Você tem dedos de pianista. - Leo disse e segurou a mão dele.
Noah desviou o olhar a ele, deixando-o segurar a própria mão, sorriu, afável.
- ... Mas eu errei duas notas.
- E você sabe disso. - Leo sorriu canteiro. - Se você sabe onde está o erro, saberá como corrigir. E bem, ficou muito bonito mesmo com pequenos ajustes.
Noah sorriu ao ouvi-lo e puxou sua mão para si, beijando-a no dorso.
- Argh, que ódio. Onde você estava nos trinta primeiros anos da minha vida? - Disse num riso suave, mas evidentemente apaixonado, porém fora interrompido pela campainha e o olhou confuso. - Está esperando alguma coisa?
Leo riu, mostrando-lhe os dentes por isso, divertido. O puxou de volta e mordiscou seu dedo Indicador, bem no meio dele, o que não durou ao ouvir a campainha. Suspirou, sabia que não esperava nada específico, mas era o próprio aniversário, então possivelmente alguém.
- Bem, acho que os caras...
- Oh... Eu já tinha esquecido. - Noah disse a coçar a cabeça e retirou os óculos, guardando-os sobre o piano para então se levantar, sabia que ele iria atender a porta e que não teria outra chance de fazer aquilo aquela noite, então selou seus lábios firmemente. - Vai lá.
Leo retribuiu o toque nos lábios e sorriu no fim dele. Gostava de como conseguia consola-lo, ficava feliz em se sentir bom naquilo.
- Vou. Você pode vir também, se quiser.
Referência a música Limbo - Blacklit Canopy (antiga banda do Leo)

