Vessel e Noah Sebastian #13 (+18)
Naquele dia, haviam saído cedo de casa, cada um para o seu lado, haviam se passado quase duas semanas desde o acidente, então Noah já estava melhor para poder voltar a ativa e claro, tinha que voltar aos shows que já estavam marcados e pagos, um deles, iria vê-lo, e estava animado por isso. Só havia visto ele como Vessel uma vez, quer dizer, em sua roupa completa. Eles não costumavam fazer turnês e os festivais eram quase inexistentes, tinha tido sorte de conseguir um com ele. Tinham algum tempo antes do show e alguns artistas estavam em seus trailers tirando fotos, já estava pronto para o próprio show, uma roupa comum, calça, camiseta preta e uma jaqueta, não se arrumava muito de fato, mas sabia que ele sim tinha que ter seu tempo pra isso.
- Seu namorado tá aonde? - Disse Nick.
- Acho que o camarim dele é o cinco. Sério, Nick, sem gracinha.
- O que? Eu nem ia fazer nada.
Noah estreitou os olhos.
- Eu acho muito engraçado que vocês estejam namorando, sei lá, nunca imaginei você com alguém como ele, mas fazem um casal bonito.
Noah sorriu meio de canto e pegou as próprias coisas, iria até a parte de trás do palco, os amigos vieram consigo para organizar os instrumentos, mas o viu, junto de seus amigos de banda, do lado de fora a tirar algumas fotos, era engraçado porque ele não tirava fotos como Vessel geralmente, provavelmente eram fotos de equipe apenas. Passou atrás do fotógrafo, com medo de estar atrapalhando algo e acenou para ele, se perguntando se ele podia ver a si com a máscara, não sabia nem se seus amigos sabiam quem era a si, quer dizer, como cantor sim, mas pra ele não.
- Hey, podemos tirar fotos com vocês? - Disse Nick.
- Hey, podemos tirar fotos com vocês? - Disse Nick.
Noah olhou o amigo, já tinha falado pra ele não fazer gracinha, era um filho da puta.
Tinha um certo burburinho e uma agitação, festivais tinham sempre aquela vibe, então estava mais descontraído naquele dia, ainda assim com as limitações que eram conhecidas pela equipe e produção inteira, portanto as fotos eram sempre limitadas, e na verdade agora estavam ali, fazendo uma piada, parados na frente no container onde uma placa gritava a proibição das fotos e uma câmera fazia exatamente o contrário do que se dizia. As vozes que se aproximavam eram diferentes, percebeu desse modo que haviam outros músicos além dos staffs, Vessel olhou um pouco alarmado, mas estava do personagem, então mesmo as reações eram um pouco diferentes, ainda que não fosse proposital. Em um certo momento notou rostos conhecidos, então viu um aceno tatuado, tímido, o que fez um sorriso destacado aparecer até mesmo na foto que terminou tirada naquele momento.
Era muito estranho e diferente ver ele de Vessel, Noah não sabia dizer porquê, mas ele parecia outra pessoa, parecia que tinha dois namorados, por assim dizer, um deles não via muito. Quase riu consigo mesmo ao perceber isso. Os staffs deles negaram, pedindo desculpas ao amigo, mas um dos membros da banda o chamou com uma das mãos, era o outro baixista que provavelmente conhecia o amigo pelo mesmo motivo. Riu meio desajeitado e seguiu tímido até eles.
- Desculpa, não queremos atrapalhar vocês, tem certeza?
Noah disse, um pouco confuso se eles sabiam que era namorado do vocalista, quis tanto dar um beijo nele, mas logicamente não podia, por diversos motivos, o mais básico, a tinta preta. Os amigos se dispersaram perto dos outros membros, quanto a si, ficou ao lado dele no centro e claro, encheu o saco dele tocando sua nádega no meio abraço. Junto do integrante, Vessel apenas gesticulou com quem chamava pela proximidade, sem falar nada durante a interação, deram espaço e intercalaram os músicos, claro que Noah havia terminado ao lado, e obviamente o sorriso na foto tinha uma razão que não era fotográfico, mas o time do disparo havia sido bom. Antes de soltar o abraço coletivo, aproveitou para dar uma roçada em seu traseiro da mesma forma, com a deslizada da mão. Havia tido poucas conversas a respeito do novo relacionamento com os integrantes, não por ter vergonha de assumi-lo, mas porque era naturalmente reservado, mas eles sabiam que estava saindo com um músico, o que certamente iriam deduzir àquela altura, e pela resposta do III, já havia entedido. O impedimento na verdade vinha não pelos amigos, mas sim pelos amigos dele, devia dizer que eram muito diferentes de si ou mesmo dos próprios colegas, pareciam extrovertidos, despreocupados, mas obviamente também já sabiam, talvez fosse o único fazendo papel de arrogante ali, mas tudo bem. Com uma certa distância, conforme dispersos, teve uma pequena brecha com o Noah, então se virou para ele e sorriu. Noah viu seus staffs se distanciarem, assim como os amigos que pararam para conversar com os membros da banda dele por um momento, na verdade, queria que eles fossem amigos porque seria muito legal poder juntar todo mundo, mas Leo era um pouco reservado e respeitava isso. Conforme ele sorriu para si, era tão gostoso ver aquele sorriso no meio da tinta preta, ele sempre se pareceu com um bichinho para si, o achava adorável. Sorriu a ele de volta, expondo os dentes e ajeitou os cabelos.
- Oi bonitão. Eu não devia estar conversando com você porque... Bom, eu tenho namorado.
O riso soou entre os lábios de Vessel, mesmo enquanto fechados.
- Hum, fiquei sabendo de algo assim.
- É, estamos bem sérios, fiquei sabendo até que ele vai me pedir em casamento. - Noah riu, brincando com ele como havia feito no dia do jantar na própria casa. - Mas, talvez eu possa te ajudar a tirar essa tinta depois do show se você quiser.
- Ah, verdade? Parece que você quer muito se casar, não é? - O riso de Vessel agora soou mais abertamente. Estava começando a levar mesmo como uma indireta. - Mas seu namorado não ia gostar disso.
- Eu gosto de encher o saco dele com isso só. Ele fica tímido e eu acho fofo. - Noah sorriu, era quase uma tortura não poder encostar nele enquanto conversavam. - Ah, ele não vai saber. - Disse num riso suave, se sentia engraçado falando com ele sobre ele mesmo, se sentia tímido perto dele como Vessel, era estranho.
Vessel podia sentir a estranheza partindo dele, era engraçado de alguma forma, mesmo que se sentisse um pouco esquisito por isso também. Sorriu e pendeu suavemente a cabeça para o lado direito.
- Talvez ele chegue na metade do percurso.
- Por mim ótimo. - Noah riu. - Ele é lindo, você ia gostar dele. - Sorriu e ergueu uma das mãos para tocar seu rosto como tinha costume.
Vessel sorriu, mais suave agora.
- Cuidado com as mãos, vai acabar as sujando. - Disse, risonho. - Mas até que ia ser legal se eu rosto estivesse sujo e você nem percebesse.
Noah parou a pouco centímetros do rosto dele e abaixou a mão, sorrindo meio de canto.
- Desculpe. É... Força do hábito. - Suspirou, mas riu suavemente. - Vai tocar alguma coisa pra mim hoje?
- Tudo bem, vou manter isso aqui pra você depois, assim pode aproveitar o que você quer. - Vessel sorriu canteiro. - Algum pedido especial?
- Mine. - Noah murmurou e sorriu a ele. - Vou te assistir do lado esquerdo do palco, atrás de você. Eu entro antes de vocês, então... Você tem um pedido especial?
- Hum, das antigas. - Vessel disse, mas sabia a razão do pedido e assentiu. - Mercy. Embora eu não saiba se você pode adicionar uma fora do álbum atual.
- Vou dar um jeito. Ela é bem a sua cara, digo... Imaginei que você gostasse da letra. - Noah riu e assentiu, abraçando o próprio braço esquerdo sutilmente. - Vai me assistir lá de cima também?
- É, você também escreveu pra mim antes de saber. - Vessel assentiu à pergunta porém. - Estarei lá, embora eu quisesse ver na frente do palco.
Noah riu ao ouvi-lo e assentiu, por fim acabou tocando ele mesmo assim, porém em seu braço direito, sobre o tecido, apertou suavemente.
- Nos vemos já já então, pequena aranha.
- Hum. - Vessel murmurou afirmativo. - Tenha um bom show, tubarãozinho. Faça o seu melhor!
Noah riu baixinho e beijou o dedo indicador, tocando gentilmente seus lábios com ele, depois piscou e seguiu para os amigos que já estavam no palco. Vessel beijou o ar afim de retribuir seu beijo, mas havia tirado o dígito rapidamente, então apenas soprou.
- Aproveite meu show em seguida, Seb. - Disse enquanto o via seguir seu caminho.
Noah estava animado, não podia negar, queria muito ver o show dele, fazia muito tempo que não via um, então subiu no palco ansioso. Conversou com os amigos para que pudesse colocar a música no repertório, eles fizeram uma careta, mas quando explicou que era para alguém, já se olharam com um sorrisinho e aceitaram. Eles eram cúmplices quando precisava de alguma coisa. O show começou tranquilo, falava com os fãs que conheciam a si, podia ver alguns pôsteres, mensagens, sorriu por isso, podia ver muitas pessoas que usavam camisetas dele, o que também deixava a si bem animado.
- Opa, eu tô vendo umas camisetas do Sleep Token aqui na frente. Deixa eu ouvir quem é fã desses caras. - Disse e ouviu os gritos dos fãs, sorriu. - Não ouvi ainda. - Ouviu os gritos e virou-se para ele na lateral do palco, estava sentado ali mesmo, achou adorável. Sorriu e sutilmente mostrou a ele o dedo indicador com a marca preta que havia tirado de seus lábios mais cedo, não tinha limpado propositalmente. - É, eu entendo vocês, eu também gosto bastante deles. Eu vou assistir o show ali atrás, então eu quero ouvir vocês bem alto quando for a vez deles. - Disse num sorriso. - Vamos cantar uma música mais antiga, essa é pra uma pessoa especial, espero que vocês gostem.
Vessel ficara num canto do palco de forma reclusa, tinham alguns seguranças e staffs ao redor, mesmo alguns integrantes de outras bandas no festival, mas do lado oposto. Vez outra conferiam se a maquiagem escura estava bem acomodada na pele. Não viu sequer quando Rhys chegou do lado, então teve um pequeno sobressalto quando o ouviu comentar provocador sobre o vocalista agora dando o suor na palco. Noah era muito diferente ali, parecia mais adulto, muito mais sério mesmo quando brincava ou interagia com seu público. Percebia o cacoete que tinha com o retorno, estava sempre tocando o ouvido e achava bonitinho. Curtiu a música, balançou os braços como os fãs faziam na frente do palco, saltitou como era habitual, fazendo graça, mesmo de forma menos espalhafatosa pelo espaço reduzido. Infelizmente não seria capaz de assistir todo o show, precisaria lidar com a própria apresentação em algum momento, então ajustes existiam até o último minuto, porém, ficou o máximo que podia.
Noah cantou pra ele, naquela noite sabia que seria tudo pra ele, não só a primeira música, sabia que ele estaria ouvindo ainda que não estivesse por lá, mas vê-lo brincar algumas vezes quando se virava, era realmente muito gostoso, se sentia compartilhando algo com ele ainda que não pudessem estar juntos. Naquele show sorriu mais do que geralmente fazia e sabia que haveriam muitas fotos disso depois, porque simplesmente não conseguia parar de sorrir. Bom, era a última música, podia sentir o corpo fervendo, estava cansado e suado, em certo momento até tirou o casaco que usava, não sabia se queria cruzar o caminho dele assim, mas sabia que ao fim do show, quando o visse, ele estaria igual. Despediu-se do público, pareciam muito animados então sabia que ele também iria se divertir. Quando ia saindo do palco, o viu na lateral, então passou por ele e tocou sua mão, agora não precisava mais estar impecável, o próprio show já tinha ido.
- Boa sorte, arainha.
Quando o show de Noah terminou, Vessel sabia que levaria um tempo até que a apresentação seguinte começasse, então não entrou no palco tão logo, alguns instrumentos estavam sendo arranjados, o público estava com uma música genérica enquanto pulavam na pista. Porém, quando chegou o momento de entrada, cruzou o caminho com ele e sentiu o toque nos dedos, o que retribuiu, manchando sua mão. Antes de partir até o palco, beijou os dedos médio e indicador juntos e jogou o beijo para ele, sorrindo em seguida. Podia ouvir a agitação do público conforme a entrada, diferente de Noah apenas caminhou até a frente, no limite do palco, parou em silêncio habitual, encarando toda aquela gente, tinha sempre aquela sensação, quase despersonalização, era surreal mesmo após tantos anos, juntou as mãos como quem faz uma prece e lá estava o começo da música, mas diferente dele, "Mine" estaria inserida como um gran finale, então esperava que ele pudesse estar ali, agora que sua apresentação já havia acontecido. Olhou para o lado enquanto começava a cantar, podia vê-lo com uma garrafa de água, nem havia saído dali pelo jeito. A sensação foi curiosa, havia se expressado mais que nunca, por saber que ele estava lá.
- Noah, vai pro camarim?
- Não, vou ficar, podem arrumar as coisas pra ir sem mim.
- Certeza?
- Tenho, tá de boa.
Noah sorriu e manteve a garrafa d'água consigo, haviam alguns músicos passando ao lado, staffs que até tentaram puxar conversa consigo, mas não queria conversa, queria prestar atenção no show dele, algumas vezes olhava a própria mão com as manchas sutis de sua tinta e sentia o peito palpitar. Podia perceber que ele vinha as vezes pouco mais para trás do palco, sabia porquê e todas as vezes, sorria para ele, indicando que estava ali, que não iria embora. Algumas músicas eram tristes, já conhecia todo seu repertório, mas gostava de todas elas, estava sempre esperando pela música que havia pedido pra ele, ansioso.
Quando a última música da lista acabou, Vessel ficou exatamente na posição em que estava quando o show começou, então podia ouvir o pedido da continuidade na agitação dos fãs, e era para aquele momento que havia guardado o pedido dele. O toque gentil da música começou, em outra ocasião provavelmente teria se sentado, feito alguma gracinha como as apresentações mais dóceis tipo Aqua Regia, mas aquela era uma situação diferente, então fez o que pôde para dar a apresentação para ele no canto do palco. Noah esperou por ele, achava engraçado que naquele show ele não tinha tocado tanto seus amigos da banda, talvez em respeito a si, ficava feliz por isso de uma maneira estranha. Sabia que era só brincadeira, mas sei lá, fazer isso na frente da pessoa que você namora é meio estranho, não? Sabia que ele não podia se virar para si, mas podia ve-lo de lado, podia ver sua mão trêmula, típica dele, a oscilação suave em sua voz no refrão, suspirou, apaixonado. Se quer percebeu qualquer pessoa que passava lado a si durante aquela apresentação, estava sentado ali como uma hipnose e bem, seus amigos provavelmente sabiam que era para si que ele cantava, porque III veio perto da lateral do palco e moveu a cabeça para si algumas vezes, numa gracinha sutil. Riu e negativou, estava tímido, mas apreciando tudo da música, até ela acabar.
Quando realmente chegou ao fim dessa vez, assim como Vessel, os demais integrantes da banda se reuniram em frente ao palco, fizeram uma reverência breve, juntaram palmas com o público, agradecendo e finalmente saíram, seguindo para o backstage, e claro, no fim do palco, encontrou Noah que continuou ali assistindo, e ia até ele, mas as pessoas ao redor pareciam quase impedir que fizesse isso, organizadores da banda a seguir, staffs, bem, tinha um pequeno ciclo de pessoas, então gesticulou para ele, indicando que fosse um pouco mais para trás, e ali sim o encontrou. Noah aplaudiu assim como o público, empolgado pela ideia de que aquela música havia sido para si, sorriu conforme o viu sair, acenando para ele e assentiu, levantando-se para seguir até ele, tinha a tinta suavemente lavada por seu suor, sorriu sutilmente por isso.
- Foi lindo. É... Diferente ver tudo da lateral do palco, ver você... Você é maravilhoso.
Vessel sorriu a ele diante do elogio, parecia apaixonado, mas não exatamente por si, pela música e gostava disso.
- Camarim, vamos?
- Uhum. - Noah disse e seguiu com ele pela parte de trás do palco, desceu as escadas na parte traseira e seguiram pelos pequenos containers até achar o dele. - E os seus amigos?
- Bom, eles são mais sociáveis que eu, você sabe.
Vessel disse, mas no meio do caminho trocaram algumas palavras com a organização, ganhou água, uma toalha no ombro, era muito silencioso então mesmo os staffs não procuravam muita conversa. Por fim entrou no contêiner e deu passagem pra ele. Noah sorriu e assentiu, os staffs dele deram uma garrafa d'água para si também e agradeceu a bater suavemente no ombro do garoto, bebeu um pouco mais, a própria estava vazia, então entrou com ele, sem saber se havia alguém lá dentro, então entrou meio tímido. Vessel suspirou profundamente e em paz pela privacidade. Bebeu a água com apenas uns simples goles e jogou a garrafa vazia. Então tocou a gola da camiseta de Noah, que de costas estava dando atenção a alguma coisa no camarim, o puxou suavemente para trás, em direção a si. Noah sentiu o puxão suave, deixou-se levar por ele, inclinando-se para trás e sorriu, virando-se para ele em seguida, tinha algum problema talvez, porque o cheiro dele, era uma delícia. Vessel riu entre os dentes e o virou para si. Podia sentir o cheiro de suor em sua pele, mais acentuado do que normalmente acontecia durante o sexo, mas era um cheiro que causava familiaridade, então se sentiu em casa mesmo sem estar. O lambeu nos lábios conforme se virou, devagar até a pontinha do nariz. Noah suspirou profundamente ao vê-lo, estava com todas as roupas pretas então o toque dele não teria nenhum problema, onde ele marcasse não apareceria. Selou os lábios dele, sabia que ficaria marcado numa espécie de batom preto, riu por isso e mordeu seu lábio inferior, ouvia barulho lá fora, mas ali dentro era como um refúgio.
- You are mine. - Disse, mudando um pouco a letra de sua música.
- Hum, e está percebendo isso hoje? - Vessel retrucou, se lembrando da última pequena confusão que tiveram a respeito de Gemma, uma vez que ele não parecia se dar conta de que era parceiro dele tanto quanto ele o próprio.
- Claro que não. - Noah riu. - É que eu sempre tenho a impressão de que... Você vai enjoar de mim em breve. - Suspirou, mas sorriu em seguida, abraçando-o por dentro de seu sobretudo ao redor da cintura.
- Curioso, cada dia que passa sinto que essa possibilidade fica ainda mais distante.
Noah sorriu a ele, era como dizer que ele gostava mais de si a cada dia que passa e a compreensão disso estava estampada no próprio rosto. Encostou em uma caixa de instrumentos atrás do corpo, apenas para ter apoio e o puxou para si, selou seus lábios mais uma vez e empurrou a língua em sua boca, era um pouco difícil beijar ele com a máscara, mas gostava mesmo assim. Sentia o gosto de tinta em seus lábios, era um suave sabor amargo, mas sabia que o Vessel tinha esse gosto, contrário a doçura que Leo tinha, amava os dois, da mesma forma. Vessel encostou-se contra ele, e embora em pé, sentia-se quase debruçando nele já que apoiou o corpo. O beijou como na primeira vez, tinha cuidado pela máscara, mas não era impedido. Compartilhava com ele o mesmo gosto, e uma textura quase adstringente. Deslizou as mãos em sua cintura, sentindo a curva quase inexistente. É, era interessante, quando ele estava de máscara, eram quase como personagens, mesmo Noah, se sentia um pouco assim, o Noah que estava com o Leo, era diferente do Noah que estava com o Vessel, se sentia no trabalho, mas de forma confortável, era o personagem que Noah era para a banda, não sabia se isso fazia sentido, mas para si fazia. Suspirou profundamente e puxou o corpo dele contra o próprio, sentindo seus quadris contra si, era engraçado que queria fazer isso a todo momento que o via no palco naquela noite, e provavelmente toda a plateia também, mas era a si quem havia terminado com a língua dentro da boca dele, quase riu por isso. Suspirou contra seus lábios, mostrando que estava excitado com ele, bom, ele já conhecia a si, qualquer mínimo contato dele era suficiente, o problema é que a porta do camarim se abriu lado a si e no susto cessou o beijo e virou o rosto, provavelmente todo manchado de preto. Passou a mão na boca, como se pudesse fazer alguma diferença, manchando agora o braço e deixando uma marca como um batom mal passado, era Rhys com sua máscara fofa de caveira, ele deu um risinho desajeitado, coçando a cabeça e negativou.
- Erm... Eu não vi nada. Vou levar os caras pra dar uma volta.
Noah havia tido uma reação tão rápida que Vessel estava no mesmo lugar enquanto ele já estava com o rosto todo manchado, o braço borrado e os olhos pequenos pareciam bem maiores agora. Voltou-se para Rhys e deu a ele um sorriso típico, sempre parecia ainda maior enquanto a tinta preta estava na pele. Sabia que ele queria se ajeitar para deixar o festival, mas acabou optando por fazer hora do lado de fora e deixar a pequena bagunça para si no camarim.
- Não vamos demorar. - Vessel disse a ele e o viu sair, voltando-se para Noah em seguida e claro, agora estava rindo por conta da tinta sujando sua pele, fazendo uma pequena zona. - Ora, Seb, onde anda enfiando essa boca?
Noah desviou o olhar a ele, tinha o rosto manchado de preto e vermelho ao mesmo tempo já que estava tímido, riu porém ao ouvi-lo.
- Da pra... Trancar? - Disse a apontar a porta e esticou-se sutilmente, alcançando a chave e virou no trinco, melhor assim do que algum staff entrando da mesma forma que seus amigos. Voltou-se a ele e sorriu, gostava de seus dentes destacando no preto. - Não vamos demorar, é, Vess? Somos coelhos? - Disse e riu, aproximou-se dele e beijou seu queixo, já estava todo manchado mesmo, foda-se. Desceu para seu pescoço, mordeu a pele como ele costumava gostar, era firme.
- Eu posso ser. - Vessel respondeu, ainda risonho, ou sorridente talvez, encarando-o perto como estava, até que ele mesmo desviasse atenção ao pescoço. - Hum, sabe que isso vai deixar um gosto bem desagradável na sua... Boca. - Disse, a princípio havia soado normalmente, até sentir a mordida que afetou o timbre vocal, soou mais rouco que de costume. Noah sorriu.
- Eu sei que vai, mas eu gosto do seu gosto amargo também, tanto quanto o doce do Leo.
Murmurou, só pra ele, sentia o gosto da tinta, mas também tinha gosto de suor, suspirou, novamente o mordeu e repetiu algumas vezes, descendo para o peito, uma das mordidas foi em um dos mamilos.
- Leo é doce, hum? Agridoce talvez. - Vessel murmurou, e novamente deu um risinho guardado na garganta. Se afastou dele, deixando se mover e seguir com sua degustação. Sentiu algumas pontadas, e não eram na região onde ele mordia, mas sim um reflexo noutra parte do corpo.
- Uhum... Acho que agridoce é a definição perfeita. - Noah riu baixinho. - Hum, eu estou meio suado também, então... - Suspirou e ergueu-se, puxou seus quadris contra si novamente, gemeu suavemente contra seus lábios. - Hum, o pequeno Vess está me dando oi.
- Eu gosto do cheiro da sua pele. - Vessel falou baixo, audível o bastante pela proximidade, soprou como um segredo, mas não era mesmo um sussurro. - E você não vai respondê-lo?
- Hum, claro que eu vou.
Noah disse num pequeno riso e desafivelou seu cinto, olhando seu rosto enquanto fazia isso. Retirou o acessório e sorriu, colocando-o ao redor do próprio pescoço e piscou a ele. Enfiou a mão em sua roupa e também em sua roupa íntima, sentindo seu sexo suavemente acordado. O apertou com pouca força, mas fora um pouco dolorido, selando os lábios dele enquanto ainda estava perto, o mordeu no lábio inferior, sujando os dentes de preto agora e os lambeu, sentindo o gosto amargo na língua, mas não se importou. O massageou, devagar, de alguma forma, via Vessel como algo religioso, ele mesmo se ofertava como uma oferenda, então tinha uma espécie de fetiche em provoca-lo de forma dolorida, e claro, também gostava disso no contrário.
Naquele dia, como Vessel estava em um show, mesmo os olhos não eram visíveis para ele, tinha aquela fina camada escura que nublava a visão, privando a aparição dos olhos azuis, mas de algum modo, ele parecia ver ainda assim. Ouviu o tilintar do cinto, algo que não costumava usar casualmente, então era um detalhe que chamava a atenção. Em seguida a exposição da pele entrando naquela interseção gradiente entre preto e a palidez de Leo sob o próprio manto. Levou as mãos até o couro ao redor de seu pescoço, segurando no que pesava em sua nuca ao puxar levemente, não intencionalmente, mas com o peso das mãos apoiadas. Enquanto sentia seus dedos flertando com o dolo e o agrado, também sentiu os lábios pulsarem por seus dentes e como ele via, sentia prazer em ser ofertado como um provedor, como ser usado para seu prazer. Noah suspirou, por um momento desejou que estivessem em um lugar diferente, um lugar que pudessem aproveitar juntos ao invés de um camarim apertado, tinham pouco tempo, o que lamentava absurdamente. Ergueu o rosto para ele ao senti-lo segurar o cinto e sorriu, mordendo o lábio inferior, o próprio dessa vez e novamente empurrou a língua em sua boca, era firme, estava se impondo mais do que o normal dessa vez e gostava. O segurou em meio aos dedos e deslizou as unhas medianas em seu sexo, não iria feri-lo, era só uma brincadeira, como tudo ali. A outra mão, livre, deslizou em seu abdômen, quase traçando uma linha imaginaria de onde sabia que seu suor havia arrancado a tinta e seguiu para suas costas, ali sim as unhas foram mais dolosas, arrancando sua tinta preta, queria arrancar também um gemido dele.
- Hum...
Vessel murmurou contra sua boca, contra seu beijo, sentindo o roçar leve de suas unhas na pele, em um local verdadeiramente incomum para isso, por isso ruiu como um reflexo, não era um protesto. Os músculos se contrairam no abdômen onde sentiu o toque, não era proposital, assim como o grunhido em sua boca, havia sido um reflexo, sentindo um leve arrepio, como uma cócega muito leve, o que foi oposto ao toque nas costas, embora não tenha gemido de forma tão expressiva, estremeceu evidentemente e resmungou em sua boca, quase contrariado, mas não era, ainda assim, uma reprovação. Acabou adotando um sentir passivo, não como posição sexual propriamente dita, mas a forma como o deixou tomar a frente, era, como já observado, um provedor, dando a ele o uso da própria existência física, para pegar o que lhe era de proveito, até que pensasse ser o suficiente e quando isso chegou, como ele bem sabia dar limites, deslizou os dedos vagarosamente pelo cinto, subindo pelo toque do couro até seu pescoço e o segurou, pressionando os dedos, interrompendo o beijo ao afasta-lo de si e encarar seu rosto muito mais despido que o próprio. Tocou seu lábio inferior com o dedo polegar, apenas uma carícia que não foi um prelúdio a nada, apenas o virou de costas no movimento seguinte, obrigado-o por consequência, a interromper tudo o que fazia. Onde antes ele se apoiava com as costas, agora estava defronte, encarando o material cinzento do container substituindo o que seria a parede em outro lugar. Noah sentiu a quebra de sua paciência como algo palpável. Quando ele enfim segurou a si e afastou-se, não podia ver seu rosto, nem seus olhos, apenas aquela suave exposição de seus dentes e sua boca num arfar suave. Entreabriu os lábios, deixando-o tocar a si, esperando receber um de seus dedos na boca, mas não aconteceu, quase se assustou quando fora virado, já que esperava por seus dedos que não vieram. Apoiou-se na caixa, confuso se deveria apenas se apoiar ou se debruçar sobre ela, esperou por ele, por algo que ele pudesse fazer ou demonstrar para si, mas houve um silêncio nele, podia ouvir somente sua respiração, quase contra a própria nuca, entendia o que ele queria dizer sobre as palavras, as vezes, elas não eram necessárias, porque sua respiração arrepiava toda a extensão da pele mesmo sem dizer uma palavra. Sentiu os lábios tremerem, assim como as mãos que se seguravam na caixa, lá fora tinha muito barulho e ali, muito silêncio. Abaixou a cabeça, sentindo os fios de cabelo caindo sobre o rosto e o olhou meio de canto, sem se virar completamente. Vessel olhou para ele e seu semi-perfil conforme olhado de soslaio. Uma das mãos levou até seus cabelos, tocou a longa mecha que colocou atrás da orelha, deixando mais evidente o que podia vislumbrar de seu rosto. Deslizou o dorso dos dedos em sua bochecha, um carinho muito mais suave do que o fato de que o havia colocado de costas tão rapidamente, apertando seu ventre contra a quina da caixa de som, usando do próprio quadril para impor contra ela. Em seguida, levou a mão até sua calça, tocou o cós, sentiu o botão que tirou de sua casa e adiante, abaixou o zíper, ouvindo o som abafado do que fazia, tendo que ter alguma distância para ser capaz de abrir, então afastou-se e deu espaço para as mãos ali, abrindo espaço para descer a roupa, expondo sua boxer cinza, que não demorou para descer até as coxas como a peça superior, desnudando suas nádegas e ele tinha ali a pele tão intocada pelas tatuagens que sentiu vontade de morde-la, mas se limitou pelo tempo que tinham, apenas o tocou, deslizando os dedos que mancharam, agora não mais intocado. Podia quase ouvir seu coração, mesmo sem um som, ele estava à flor da pele e devia dizer, se surpreendia como achava fácil ler Noah, entender suas reações, seus sentimentos, mesmo na falta das palavras, mesmo que não estivesse encarando seus olhos.
- Mais? - Sussurrou, audível o suficiente.
Noah mordeu o lábio inferior ao senti-lo descer as roupas, é, estava eufórico, excitado, sedento por ele e sabia com toda a certeza que nenhuma outra pessoa no mundo deixava a si daquela forma, só ele. Sentiu o toque de sua mão, seus dedos quentes, provavelmente deixando sua nova mancha ali, mas não entendeu sua pergunta seguinte, não entendia sobre o que ele falava, mas queria mais, seja lá do que fosse, dele, qualquer coisa era ótimo.
- Uhum... - Murmurou, ainda trêmulo.
- Hum, até a sua voz parece trêmula, Seb.
Vessel falou ainda baixo como estava perto, e na exposição que deixou de sua pele ao colocar a mecha atrás da orelha, beijou-o logo atrás dela, perto o bastante para que a respiração ficasse alta em seu ouvido, o mordeu no lóbulo em seguida. Lembrou-se de toca-lo na primeira vez, de usar os dedos, de colocar tinta até dentro de seu corpo, teria rido da inconsequência do ato. Com a mão esquerda segurou o cinto que ele havia deixado em seu pescoço, segurou ambas as pontas e o apertou envolto em sua garganta, dando um cauteloso e pequeno impulso para trás. Noah sorriu meio de canto.
- É a expectativa... Não consigo ver você aí atrás.
Disse e sentiu o arrepio percorrer o corpo com sua respiração perto do ouvido, se encolhia e voltava a relaxar tentando ter mais daquilo em seguida, era como ter agonia e excitação ao mesmo tempo. Bem, a tinta era um problema em grandes quantidades, mas não mais do que a falta do preservativo desde a primeira vez em que ficaram juntos, não se arrependia porém, gostava quando faziam daquela forma e não tinha nenhuma intenção de mudar, ele também não parecia interessado, por isso nunca perguntou nada, era uma concordância silenciosa. Por um momento, havia se esquecido do cinto, se levantou é claro, quando ele o segurou e mordeu o lábio inferior conforme inclinou o pescoço para ele, fez questão também de empinar suavemente os quadris, sentindo as nádegas nuas roçarem em seu baixo ventre ainda vestido, suspirou em expectativa.
- Oh, gostou disso?
Vessel retrucou ao sentir suas nádegas impostas ao ventre, não foi apenas um roçar, foi quase uma fricção, e claro que o corpo gostava daquilo. Com a mão direita desocupada, levou o toque ao cós da própria calça, muito mais fácil de tirar do que a dele, abaixou pouco dela, provocando a expectativa do outro vocalista, tocando suas nádegas com a pele diretamente, então abaixou um pouco mais, suficiente para tomar-se entre os dedos e descansar a ereção em seu corpo, entre suas nádegas, sem penetração. Noah assentiu, bem, havia gostado de tudo, então esperava ter respondido de forma abrangente. Agora que podia sentir a pele dele, suspirou novamente, empurrando-se pouco mais, ele estava quente, também estava, mas o contato de sua pele fazia parecer que estava muito mais do que a si, se perguntava se sua roupa estava abafada ou se era só a vontade dele assim como a própria. Sentiu-o se ajeitar, e sabia que aquilo era uma provocação, já estava tão ansioso e ele parecia gostar de deixar ainda mais. As unhas deslizaram pelo material da caixa, fez um barulho suavemente agudo, sem intenção, estremeceu.
- Vess... Não me deixa esperando...
- É, temos pouco tempo. Você quer aproveitar tudo o que puder, hum? Bebeu o suficiente e agora está com fome. - Vessel falou com timbre paciente, não era baixo, mas também não tinha altura. - Precisa dos dedos antes?
Noah assentiu ao ouvi-lo, a voz dele arrepiava a espinha, eriçava os pelos do corpo, queria provoca-lo também, por isso uma das mãos levou para trás, tocou seus quadris, indicando que ele se afastasse suavemente, depois levou a mão para a boca, virado como estava não sabia se ele conseguiria ver, mas o fez meio de lado, talvez um vislumbre ele conseguisse. Enfiou o dedo indicador e médio na boca, o lubrificando com a própria saliva, depois guiou a mão entre as próprias pernas, tocou o próprio corpo, pressionando suavemente os dedos e empurrou ambos juntos, como ele disse, não tinham tempo e não precisava de fato, o corpo estava acostumado a ele, os dedos não eram mais necessários, o fazia mais como uma provocação, mas não olhava diretamente pra ele, tinha um suave tom rubro no rosto, não costumava fazer aquele tipo de coisa. Quando enfim retirou os dedos de si, voltou a se apoiar na caixa.
- Estou pronto.
Vessel afastou-se dele como seu mudo pedido, por alguma razão já havia imaginando o que ele pretendia, mas vê-lo, como se estivesse de forma desajeitada, casualmente, buscando facilidade naquilo, usando seus dedos, sentiu um frio no estômago, denunciando uma certa euforia, grunhiu satisfeito e pegou a mão disponível dele, levando até o próprio sexo, deixando-o sentir o efeito de sua provocação. Noah o apalpou suavemente, sorriu satisfeito e mordeu o lábio inferior.
- Vocês também parece pronto pra mim. - Disse num pequeno sorriso.
- Hum, se eu tenho um coração, sei exatamente onde ele está pulsando agora. - Vessel brincou, sentindo os espasmos na excitação. - Me dê a você.
Noah riu, divertido e assentiu, voltando a se aproximar de seus quadris e claro, o puxou ao tocar seu quadril novamente, segurou seu sexo, cuidadoso e guiou para si, um pouco desajeitado pela posição onde estava, guiando-o ao próprio corpo onde antes tinha os dedos, o segurou ali e devagar se empurrou contra ele, deixando-o entrar no corpo, mas era difícil, dolorido já que sem o lubrificante e por isso tinha um dos olhos fechados, agarrando-se firmemente à caixa com a mão livre, tentando descontar a sensação dolorida em algum lugar. Era exatamente aquela falta de jeito que tornava excitante para Vessel, como se estivesse apenas dando uma rapidinha num canto improvisado, e era quase isso mesmo, um desejo surgindo num momento impróprio, era o que tornava aquilo atrativo para si. Vessel se aproximou dele, guiado por seus dedos, por seu movimento sem jeito, pela posição atrapalhada, porém chegou onde precisava, facilitando pra ele. Empurrou-se como ele para si, sentindo a passagem um pouco áspera pela falta do lubrificante com que haviam se acostumado, mas sabia também que podia tornar aquilo prazeroso em alguns movimentos, sem rodeios demais, quanto mais lento, mais fazia a dor durar, então quando finalmente se colocou completamente dentro, deu apenas alguns segundos até sair e voltar para dentro. Sabia que ele sentia dor, mas o costume viria em seguida. Noah gemeu, dolorido sem poder conter quando finalmente o sentiu se empurrar para si, mas tentou abafar ao morder o lábio inferior, não podiam fazer muito barulho ali, além dos membros das bandas, ninguém mais sabia sobre ambos e sabia que ele era muito reservado, então, preservava sua privacidade, não era de fato assim, não tinha problema nenhum em contar pro mundo que estava com ele, mas não era o caso ao contrário e tudo bem, seria um problema também porque dava muitas entrevistas e ele não, então as pessoas começariam a procurar a si para saber dele e talvez ele não fosse querer isso. Suspirou, profundamente, embora quisesse prender o ar nos pulmões até a dor amenizar um pouco e sabia que ele faria isso ser rápido, já que começou a se mover sem muita demora, com certeza o que facilitou após alguns segundos foi o próprio sangue. Até sentiu as mãos trêmulas, os braços quase vacilaram a se apoiar na caixa e riu suavemente, apenas um sopro, apoiando-se mais firme ali. Vessel pôde notar a falha em seu movimento, como se faltasse a força dos músculos, levemente atordoado pela dor. Embora lamentasse por isso, afinal o músico já não era mais apenas um desconhecido com quem interagia, continuava se movendo, e pelo calor que sentiu, com a facilidade com que se moveu, sabia que tinha um facilitador, mesmo não realmente gentil, mesmo que não tão eficiente quanto um lubrificante, já era um atrito menor, pelo menos para ele. Mas podia sentir que seu corpo se adaptava mais rápido que antes, acostumado com o sexo, que era atualmente muito frequente entre os dois. Com a mão direita o segurou na pelve, com a esquerda segurou o cinto em seu pescoço. Noah podia ouvir o silêncio dele atrás de si, um sopro suave que já conhecia, queria falar pra ele que estava tudo bem, mas ele sabia que estava, já tinha sentido dores muito mais fortes do que aquela e bom, o corpo estava quente, estava se acostumando aos poucos. Abaixou-se suavemente sobre a caixa, mas sentiu o puxão no cinto, então voltou a se erguer. Sorriu, achando interessante que ele tivesse dado corda a própria brincadeira. Gemeu, dolorido e prazeroso e até se empurrou contra ele, sentindo os quadris baterem contra os deus, provavelmente já todo manchado de sua tinta preta em todos os lugares.
- Vess...
Noah quase tinha um reflexo quando Vessel o puxava pelo cinto, seus quadris se empurravam para trás quando o fazia, como um felino que sente prazer em receber tapinhas, Vessel sorriu para si mesmo ao compara-lo a um, afinal, já havia feito isso antes e ele realmente se parecia com um, talvez por isso fosse tão familiarizado com eles. Riu para si mesmo e curvou-se, apenas para alcança-lo e dar um beijo em sua bochecha, explicaria depois, mas precisava fazer isso. Então quando se afastou de volta, tornou a mover, exatamente como antes, sem se apegar à dor, apenas ao que ela se antecedia. Noah sabia que a caixa teria marcas das próprias unhas, porque se agarrava a ela com firmeza algumas vezes, a pintura era preta em cima, sabia que ficaria marcada, era uma lembrança para ele no futuro. Estava concentrado nos movimentos quando ouviu sua risada suave e sentiu o beijo, assustou-se sutilmente, não esperava por ele, então sorriu meio distraido, sem entender, mas quando fora perguntar a ele qual foi o problema, o sentiu voltar a se mover. Gemeu, abertamente dessa vez e franziu o cenho, rapidamente fechando a própria boca com uma das mãos, abafando os gemidos ali.
- P-Porra... - Murmurou, abafado.
Vessel podia ouvir o ruído na caixa de som, mesmo que lá fora estivesse barulhento com música ou movimentação do pessoal, podia ouvir tudo lá dentro, mesmo que não fosse anti ruido, porque tinha uma concentração impecável no que se propunha a fazer. Gostava de olhar pra ele, ousava pensar que se excitava mais com o que via do que o que sentia propriamente dito, não saberia explicar nem que quisesse muito. Apertou mais uma vez o cinto, tal qual os dedos em sua pelve, afundando o toque que manchara sua pele em preto, era quase uma metáfora tomando forma, lhe dando sua mácula na pele antes intocada, no pouco da pura exposição que tinha. Curvou-se para ele, puxando pela tira de couro, erguendo suavemente seu tronco, mordeu-o em sua orelha, depois foi até a mandíbula e ali se manteve, sentindo o cheiro de sua pele transpirada. Noah não estava muito diferente dele, podia ouvi-lo extremamente bem, qualquer pequeno suspiro dele, um rastro de voz, a junção dos quadris com os dele quando se encontravam, as vezes suavemente, as vezes de forma mais violenta, e gostava das suas formas. Sentiu o cinto pressionar a garganta, forçando a si a manter a cabeça erguida e bem, quase não precisava da mão para conter os gemidos, a falta suave de ar de sua puxada fazia isso. Sentiu cada centímetro de pele se arrepiar com a mordida na orelha e fechou os olhos, sentindo os fios de cabelo que grudavam na pele suavemente transpirada, era engraçado, sabia que deveria tomar um banho, mas sabia que não se importava nem um pouco com a transpiração dele, na verdade até gostava, lamberia sua pele toda se ele pedisse. Segurou sua mão que antes nos próprios quadris e o puxou para si, só por um momento, o sentiu completamente dentro do corpo e gemeu, suavemente, mas satisfeito e guiando sua mão, entrou na própria camiseta, tinha o pescoço puxado então não podia ver, mas imaginava todo o percurso que ele fazia, imaginava as manchas pretas que ele deixava sobre a pele, subiu pelo abdômen, passou pelo próprio peito, suspirou, excitado e desceu até o próprio sexo, o roçou ali, mostrando a ele como estava duro, tanto quanto ele dentro do próprio corpo, e nem se quer precisava de qualquer toque ali, tê-lo era suficiente, aperta-lo dentro do corpo era suficiente.
- Vess... - Murmurou, mas tinha um tom pedinte na voz, quase manhoso, dificultoso como quando cantava uma música triste. - Me dê tudo o que você tem... Me marque, me suje, me macule. - Disse, sabia que compartilhavam o mesmo tipo de pensamento sobre suas manchas pretas, sobre sua pele. Mas mais do que isso, queria seu lado Vessel, o lado que segurava o cinto apertado no próprio pescoço, o lado que dias atrás, estapeou a si em sua sala de estar. O lado dele que fazia a coluna arrepiar, amedrontado sem saber se seria um tapa ou um carinho no rosto. Em certo momento, Vessel havia dispersado a atenção, imerso ao que sentia com ele, no corpo dentro dele, até enfim perceber seu toque, tomando a si daquele transe pessoal que ofuscava um pouco do que estava lá fora, sentiu sua cintura, subindo por seu peito, arrastando a tinta como uma possessão tomando conta de sua pele, infelizmente não tão nítido com o número incontável de tatuagens, mas sentir era suficiente, imaginar era suficiente, como uma gota de tinta tirando a pureza da água. Chegou em seu sexo, sentindo a ereção que não havia sumido com a dor, se havia, lá estava ele de novo, descobrindo como dar as mãos com o prazer, e gostava quando ele pedia pelo toque, então o envolveu, apertando nos dedos inconsequentes, sentindo no toque o espasmo muscular. Sabia o que ele estava falando, porque a mente estava seguindo o mesmo caminho, mas precisava de mais, de algo palpável, como consequência do sexo, era um lugar onde sempre chegava, um lugar onde o que tinha não era suficiente e não sabia como pegar. Então abandonou sua excitação, levou o braço firme ao redor de sua cintura, apertando-a contra o peito, tão rente a sua pele como o couro puxado em seu pescoço e enfim, enfiou os dentes em seu ombro, na intercessão do pescoço, sentindo a dualidade entre a maciez de sua pele com a rigidez muscular e gemeu abafando a voz ali, excitado, satisfeito. Noah suspirou, profundamente e quase podia sentir o caminho que sua voz fazia até a garganta, naqueles pequenos sons que ele fazia quando estava excitado, arfava contra a própria pele e era um dos motivos do próprio sexo estar duro de novo. Gemeu, abafado ao sentir seu puxão, a voz quebrava na garganta toda vez que tentava gemer, trêmula e pela primeira vez sentiu o ar faltar de verdade, porque a mordida levou a si a aspirar profundamente, prendendo o ar nos pulmões, mas não havia ar se estava tendo segurado pelo pescoço, de toda forma, tinha um treino bem extenso de respiração, não ia morrer, na verdade, era até interessante. Sem perceber, apertou a mão dele firmemente, por sorte, não tinha ar para gemer porque o gemido dolorido teria sido alto.
- Ah... V-Vess... - Murmurou, a voz completamente falhada e soltou sua mão, tocando seus quadris atrás de si e o apertou ali, cravando as unhas em sua pele de forma um pouco desajeitada. O corpo estava quente, podia sentir a pele arrepiada, mas estava no limite, sabia que ia começar a lutar pela própria consciência se não fizesse alguma coisa, então tocou o cinto no pescoço, puxando suavemente, pedindo que ele afrouxasse, mas era literalmente um pedido, de alguma forma, o deixaria fazer o que quisesse, mas não seria muito bom se acabasse no chão de seu camarim. Vessel tinha um tremor típico nas mãos enquanto o segurava, nos braços, mas também nas pernas, ainda que não fosse tão evidente a olho, por dentro de sentia agitado. Sabia que estava laçando seu pescoço com força, mas sabia até quando poderia fazer isso, ou ao menos pensava isso, ao tê-lo tocando o cinto, como quem pede por ar, percebeu que a noção havia se perdido a medida em que o prazer tomava posse. E foi ali que o soltou sem muita resistência, não porque estava à mercê dele, mas porque queria olha-lo, como sempre queria encarar seu rosto além de suas costas. Um movimento rápido em seu corpo manchado e ali estava sobre a caixa de som, ele era alto, mas também era, tinham uma certa simetria. Antes de voltar para ele, alguns centímetros de seu corpo, entre suas coxas e o corpo parcialmente nu, se expôs para ele enquanto o livrará de sua calça, apenas uma das pernas era suficiente. No meio tempo em que não voltou para ele, podia ver sua respiração presente no ritmo intenso do peito, subindo e descendo, com sua pele em dúvida entre estar preta em tinta, pálida como ele era ou rubra por seu calor.
- Hum, tão bonito.. - Murmurou, talvez não tão audível, mas ele ia entender.
Ao senti-lo afrouxar o cinto, só então Noah puxou o ar para os pulmões, tossiu, sentindo as mãos trêmulas enquanto recuperava a respiração. Sabia que ele viraria a si em algum momento e não tinha nenhuma reclamação sobre isso, queria estar de frente, queria olhar pra ele, e ali estava, sobre a caixa, assistindo-o retirar a própria calça pela perna trêmula como o resto do corpo, mas ainda que a respiração estivesse descompassada e sentisse o peito praticamente lutando pela própria vida por um momento, ainda estava excitado e ansiando por mais dele. Fez o mesmo que ele, sem perceber. Olhava seu corpo, seu abdômen manchado de tinta e suor, sua roupa bonita e ainda impecávelmente no lugar, a máscara branca, seu sorriso suave, não conseguia ver seus olhos, não sabia pra onde ele olhava, e também não sabia se a visão para ele era boa, estava como ele, exausto, mas sedento e separou as pernas como ele já sabia que faria, convidando-o para elas. Com uma das mãos, distraído jogou os cabelos para trás no topo da cabeça, os fios estavam úmidos e caíam sobre o rosto, queria poder olhar pra ele sem o impasse do cabelo. Quando enfim o ouviu, sorriu, mostrando os dentes suavemente e o respondeu no mesmo tom.
- Você é que é. - Murmurou e esticou as pernas, puxando-o para si com elas e sentiu seus quadris atingirem a si, gemeu, baixinho, em expectativa.
Vessel sorriu de volta, uma vez que embora retrucado, parecia aceitar o elogio e gostava disso. Deu uma pequena cambaleada em direção a ele conforme puxado, com equilíbrio, porém levemente desajeitado e riu por isso, embora tenha grunhido logo depois, sentindo o conforto de suas coxas, o calor de seu corpo. Com os dedos se ajeitou para ele, colocou-se no devido lugar e afundou os dedos em seus quadris, segurando por suas nádegas. Moveu-se, gemeu por isso, e fez de novo, em inúmeras vezes, aos poucos tornando aquilo novamente intenso, e por mais que quisesse se enfiar em seu pescoço como entre suas pernas, queria olhar seu rosto, então apenas ficou numa distância suficiente para ser capaz de encara-lo. Noah gemeu prazeroso ao senti-lo entrar no corpo novamente, estava mais acostumado, agora não tinha mais a dor intensa de antes. As mãos foram para seus ombros, uma delas na curva de seu pescoço já que não queria acabar estragando sua armadura no braço, era estranho porque sentia seu olhar embora não pudesse ver, ele não se aproximou de si, geralmente era isso que ele fazia, escondendo-se no próprio pescoço, mas agora estava um pouco longe. Ergueu o rosto para olhar pra ele, mas estava em desvantagem, não podia ver seu rosto. Mordeu o lábio inferior, sentindo-o atingir frequentemente aquele pequeno ponto do corpo que tanto gostava e agora sufocava os gemidos na garganta, transformando eles naquele pequeno arfar com som. Puxou-o para si por seu pescoço, selou seus lábios, mordeu seu lábio inferior como tinha costume de fazer, sentindo o gosto da tinta e gemeu baixinho ali mesmo.
- Goza em mim, Vess.
Vessel encontrou a direção visual dele, mesmo que através da máscara e ao fazer isso, sorriu-lhe daquela típica forma, com os dentes destacados pela tinta que agora estava borrada, mas ainda existia. Ao ser puxado no entanto, teve uma certa relutância inicial, mas permitiu ao retribuir seu beijo, lambeu vagarosamente seus lábios antes de ouvir seu pedido, soando com o hálito contra os próprios. Não se afastou, mas sorriu outra vez como resposta, em seguida mordeu o próprio lábio inferior, como se aquilo fosse um apoio para o que faria a seguir, já que moveu-se mais firme, não muito rápido, mas não era lento, era de fato como quem havia se prontificado a atendê-lo.
- E você vai me dar o mesmo?
Noah suspirou profundamente quando enfim viu seu sorriso, gostava quando podia ve-lo de certos ângulos quando a tinta já estava se dissipando porque reconhecia o outro embaixo de toda aquela fantasia, podia ver seu queixo, seu maxilar, sua boca, seus dentinhos fofos e por isso, sorriu em retribuição. Gostava do Vessel, gostava mesmo, mas sentia falta do Leo. Ao sentir seus movimentos agilizarem, agarrou-se em seus ombros, podia ouvir seus quadris batendo contra os próprios e em um certo momento até a caixa batendo contra a parede do container, bom, tinha muito barulho lá fora, não achou que um pequeno barulho como aquele fosse chamar a atenção.
- Vou... - Murmurou, ofegante, quase pedinte, embargado demais talvez para completar uma frase. - Eu vou gozar em você. - Murmurou e sorriu meio de canto.
- É, então me dê um pouco de você e te farei o mesmo.
Vessel sussurrou ainda perto dele, mas se afastou em seguida, queria ver, queria vê-lo claramente enquanto atingia seu clímax. Deslizou as mãos por suas coxas, subindo com a mão esquerda, tocou seu sexo, apenas uma carícia breve, não se ateve naquela região. Tocou a barra de sua camiseta, puxou-a para cima e levou até sua boca, fazendo segurar entre os dentes e expor seu tronco tatuado, não ia sujar a roupa e ia vê-lo em todos seus espasmos como ele os próprios. Quando voltou as mãos em suas pernas, o puxou mais perto, como se fosse possível, encontrando-o com atrito mais firme, e podia ver o que queria, podia ver seu corpo se contrair quando se tocavam. Noah assentiu, mas quase resmungou ao vê-lo se afastar, entendia que ele queria ver a si, mas era uma pessoa tátil, gostava de sentir o toque, o calor da pele, de toda forma não reclamaria da vista, podia ver seu corpo bonito assim como ele o próprio. Notou a camiseta a ser erguida, sorriu antes de então dar o que ele queria, a mordeu, era até bom porque assim podia abafar os gemidos e conforme ele se moveu mais forte, mais firme, eles saíram abafados contra o tecido, estava perto, muito perto e sabia que não ia aguentar muito tempo. Fechou os olhos por um pequeno momento, inclinando o pescoço para trás, não soltou a camiseta porém, voltou a abrir em seguida, as sensações eram tão gostosas pelo corpo que quase obrigava as pálpebras a fechar os olhos pequenos, mas queria olhar pra ele. Quando enfim não podia aguentar mais, gozou, dando a ele a visão que queria, e claro, os respingos recaíram sobre o próprio corpo dessa vez ao invés do dele, já que estava longe. Gemeu, prazeroso e satisfeito, ainda mais enquanto o sentia se mover insistentemente onde fazia o prazer perdurar. Franziu o cenho, tentou olhar pra ele, mas não conseguiu, precisava fechar os olhos de novo, ou iria revira-los. Vessel subiu as mãos até sua cintura, sentindo nos dedos cada vez que o atingia, num espasmo abdominal como se tentasse se preparar para receber a investida. Sentiu suas coxas se apertarem ao redor dos quadris, exatamente como seu interior, sabia que ia gozar pelos reflexos dele, como tentava se agarrar a qualquer coisa que pudesse. Grunhiu sentindo a pressão dentro dele, apertado, sufocando, até que finalmente ele relaxasse inteiro, foi como perder completamente a força, estremecendo acima da caixa de som, sem conseguir manter as pernas estáticas, o quadril quase se arqueava, e sobre sua pele tatuada respingou o prazer que lutou para abafar na camisa. Ah, era o estímulo que precisava, sem sequer um toque a mais, apenas olhar para ele sentindo prazer, e não apenas um qualquer, era culpado por isso. Agarrou tão firme nos dedos que as unhas mesmo curtas atingiram sua pele e marcou, atingiu o ápice sem conter ou tentar, dentro dele, continuou o movimento até que fosse incapaz de fazer isso, sentindo a sensibilidade, a onda de prazer, o corpo instável pelo tremor que parecia estar dentro de si. Interrompeu o ritmo quando mais fundo dentro dele, mantendo-se por um longo minuto transitando pela sensação sem qualquer atividade. Noah se apoiava com ambas as mãos atrás de si na caixa, mas sabia que até os braços estavam vacilando, as pernas já nem tentava mais conter, tremiam ao redor da cintura dele a cada investida que ele ainda dava e em sua última, tentou firma-las suavemente, mas foi pior, deixou pra lá. Soltou finalmente a camiseta, mas a retirou ao invés de descer, precisava limpar o corpo primeiro antes de enfim colocá-la de volta. A respiração estava descompassada, até mais do que antes quando o cinto sufocou a si, mas estava tão satisfeito, e sempre ficava tão satisfeito com ele, que acreditava que não poderia se sentir melhor em nenhum outro lugar. Sentia a onda de prazer percorrer o corpo e agora olhava pra ele, mordendo seu lábio a conter a voz, talvez conter os sentimentos que tinha, se lembrou de quando ele bateu na própria cabeceira da cama, tentando extravasar os sentimentos e sorriu por isso, mostrando os dentes, ele agora fazia isso não só em seu lábio, mas na própria cintura também, não era uma reclamação, gostava disso. Conforme a sensação amenizava, firmou os braços, mordendo o lábio inferior ao vê-lo suavemente deslizar pra fora do corpo, ah, aquilo era bom, ele era tão bom. Aproximou-se da beira, firmando as pernas trêmulas ao redor de sua cintura e o puxou para si, respirando pesado ainda e selou seus lábios, teve tenta calma para fazer isso que o selo durou alguns segundos, notando seu peito subir e descer. Segurou sua mão na própria cintura, ergueu para si e beijou seu dorso, depois seus dedos, um a um e finalmente voltou a beijar sua boca, apenas um toque suave de lábios e enquanto fazia isso, com uma das mãos, abaixou seu capuz, devagar, levando as duas a cada lado de sua máscara, iria tirar, mas queria sua autorização primeiro, então esperou alguns segundos. Vessel se aproximou e retribuiu o beijo, apenas um toque superficial, sem levar a língua para dentro. Durou tanto quanto teve tempo de recuperar a respiração. E conforme se afastou, não entendeu exatamente o beijo nos dedos, mas riu por isso, enquanto tornava retribuir o beijo que novamente, era apenas um leve toque. Ao sentir no entanto seus dedos na máscara, levou as mãos sobre as dele.
- Ah, não acho que seja interessante fazer isso agora.. Tenho tinta diluída e partes sem ela.
Noah sorriu a ele, deslizando os dedos pela máscara até abaixar as mãos.
- Hum, só queria ver o meu Leo. - Murmurou e beijou seu nariz bem na pontinha, no pouco que aparecia na máscara. - Eu não me importo, me deixa ver os seus olhos.
- E não está vendo ele com tinta preta e máscara?
- Vessel disse e sorriu canteiro, se virou por um momento e tirou a máscara, a tinta estava criando um efeito gradual no rosto, ia até o nariz, mas sumia aos poucos até chegar nos olhos. Algumas falhas apareciam onde o suor havia escorrido, era quase como se tivesse chorado por trás dela.
- Não, estou vendo o Vessel. - Noah disse e riu, quando ele enfim tirou a máscara, sorriu a mostrar os dentes, tocou sua bochecha manchada de preto e selou seus lábios, roçando o nariz ao dele. - Oi, meu amor. - Disse, não percebendo o quão gay aquilo poderia ter soado.
- Mas somos a mesma pessoa. - Leo disse e deu um sorriso canteiro diante da saudação. - Hey... está tudo bem? - Indagou, estranhando o modo como foi chamado.
Noah riu e assentiu.
- Estou só brincando com você. É claro que são a mesma pessoa.
- Não, eu sei. - Leo disse, meio sem jeito de falar sobre o que estava falando.
- Ah... Entendi. Está tudo bem sim. - Noah sorriu, sentindo o corpo um pouco pesado, estava realmente cansado, do show, do sexo. - Eu não sabia que ia soar tão... Gay, desculpe. - Riu. - Eu só queria... Tipo, oh, surpresa, é o Leo. Sabe?
- Hum, achei que havia soado um pouco diferente. Meio melancólico. Transou e ficou triste. - Leo disse e sorriu canteiro. - Acho que está cansado, tomei toda sua energia, ah?
Noah riu, divertido e negativou.
- Estou cansado sim... Quero ir pra casa. Mas, ainda tenho uma coisa pra resolver por aqui, será que tem um lugar que a gente possa tomar um banho?
- Acho que aqui no festival vai ser difícil. Podemos pegar um quarto de hotel na frente do estádio.
- Hum, mas será que não vai estar cheio de fãs? - Riu. - Bom, acho que podemos só nos limpar um pouco e ir pra casa. Eu ainda vou ficar uma hora aqui, posso te encontrar lá. Pode ser? Quer que eu leve comida?
- Eu vou esperar você, se importa? - Leo indagou enquanto se afastava, buscando na própria mala algo que pudesse usar e se higienizar, assim como dar o mesmo a ele, lenços umedecidos, os mesmos que usava para lidar com a tinta.
- Não, não me importo. Eu chamaria você pra ir comigo, mas... Bom... Trouxe uma máscara? Se quiser vir. - Noah disse e aceitou o lenço, limpou primeiro o corpo, retirando os traços do próprio ápice e um pouco do suor com outro lenço, depois, usou um limpo para limpar o rosto, removendo a tinta preta que estava pela boca e bochecha. - Saiu? - Disse, mas ainda estava completamente sujo.
Leo olhou para ele enquanto ia se limpando, aproveitou para fazer o mesmo dentro do que era necessário. Diante da pergunta porém, sorriu e mordeu o lábio inferior conforme olhou pra ele, ficou em dúvida se deveria zoar ele, mas isso seria problemático depois.
- Oh minha criança... - Murmurou risonho e pegou outro lenço, ajudando-o na limpeza.
Noah riu e negativou, mas ficou quietinho, formando um pequeno bico enquanto o sentia limpar o próprio rosto.
- Eu não tenho espelho...
- Eu sei, mas tem um espelho ali. Esqueceu que é um camarim? - Disse, risonho e indicou o espelho, porém, já estava fazendo o serviço então apenas aproveitou a atividade incomum. - O que você tem de compromisso?
Noah riu baixinho e assentiu.
- Quer que eu limpe você? Mas bem... Você vai dar trabalho... - Riu. - Hum, vou ver um amigo.
- Oh sim. Eu espero por você, isso ainda vai me dar algum trabalho. - Leo disse, pensando sobre como ele parecia fazer algum mistério, mas não ficou enciumado, afinal havia sido convidado antes, então sabia que não era nada com que devesse se preocupar.
- Hum, tudo bem então. - Noah disse num pequeno sorriso e selou seus lábios, acabando por sujar o rosto novamente e olhou pra ele com cara de paisagem, percebendo a idiotice feita. Suspirou, profundamente e limpou a boca novamente, depois as mãos. Leo riu e o ajudou com o que restava da limpeza, o afagou na bochecha em seguida.
- Me mande mensagem se for demorar, hum?
- Uhum, não vou demorar. Volto logo. - Noah disse e colocou a camiseta de volta, caminhando para fora, antes voltou-se para ele, sorriu afável, apaixonado na verdade enquanto o via limpar a tinta preta. - ... Amo você.
Leo olhou-o de volta e sorriu da mesma forma diante do sorriso que ganhou. Deu a ele uma piscadela, o que afrouxou e tornou-se novamente mais dócil diante de sua declaração de amor.
- E... - Abriu a boca, em um reflexo, ia responde-lo, ia mesmo, mas parou por um momento, tinha tempo certo para fazer isso? Pensou, deveria dizer numa ocasião melhor? Apenas ficou em silêncio, um pouco atordoado talvez.
O sorriso de Noah afrouxou suavemente quando ele parou a frase, não entendeu exatamente, ele tinha medo? Ou talvez ainda não merecesse aquele eu te amo? Negativou na própria cabeça, não devia começar com isso.
- Eu... Entendi. Até logo. - Disse e tocou a maçaneta, esperou ainda por alguns segundos antes de sair.
- Eu sou meio romântico, você sabe. Não acho que eu quero dizer isso aqui. - Leo murmurou, um pouco suave demais ao falar, pensando se não devia simplesmente não pensar muito sobre aquilo, mas era metódico, e desconfiava que Noah entendia isso. Noah assentiu novamente num pequeno sorriso.
- Tudo bem. - Disse e finalmente saiu, ficar ali estava fazendo a si pensar demais, ponderar sobre as coisas, não queria. Quando saiu porém, viu IV sentado numa caixa há pouca distância, ficou com pena, riu, meio desajeitado. - Desculpe, cara.
- Relaxa. Parece que foi divertido. - Ele disse, estendendo uma das mãos e limpando uma pequena mancha preta que tinha na bochecha e não tinha visto.
- Cuidado com isso aí.
- Foi mal. Vejo vocês depois.
Noah seguiu pela multidão, como disse, veria um amigo como disse a ele, só não disse exatamente o que faria, e era melhor assim.


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