Vessel e Noah Sebastian #14
Quando Noah voltou, exatamente uma hora e dez depois, encontrou alguns staffs retirando os instrumentos, sabia que ele estava lá dentro, então entrou para vê-lo.
Leo levou um tempo para ajeitar certas coisas, na verdade em especial, a si mesmo, o restante ficava como responsabilidade dos encarregados. Normalmente tirava as roupas, vestia um casaco que quase parecia a roupa de apresentação, mas era mais curto e volumoso, como uma jaqueta. No rosto já despigmentado uma máscara, oposta a de Vessel, cobria na verdade a boca ao invés dos olhos, e como a si, o restante dos integrantes. Pouco depois viu Noah retornar, não havia recebido mensagem então deduziu que voltaria e iria pra casa consigo ao invés de seus colegas de banda e lá estava ele.
- Foi rápido ou eu levei muito tempo pra tirar a tinta? - Disse e sorriu a ele, tocou seus cabelos no topo, como sempre, afagando-os. - Resolveu o que precisava?
Noah riu baixinho e negativou.
- Foi rápido, não era tão demorado. Resolvi. Podemos ir embora. - Disse num pequeno sorriso, estava um pouco nervoso, mas não diria a ele ainda. - Quer ajuda pra carregar alguma coisa?
- Achei que ia assistir alguma apresentação ou beber alguma coisa. O que foi? Você parece tenso desde que transamos. - Leo negativou. - Vamos pra van.
- Eu vou te falar logo. - Noah disse e riu baixinho, eu perguntei se você queria vir comigo, você não quis. - Estava um pouco perdido já que os staffs passavam para tirar as coisas dali, então saiu com ele, seguindo o caminho da van, não queria, mas chamava um pouco de atenção, então acenava algumas vezes conforme passava e algumas pessoas falavam consigo, mas indicava que não podia parar para conversar naquele momento e seguia rumo.
- Eu vou fingir que sou seu segurança. - Leo brincou conforme seguiam o caminho, e diante da forma chamativa com que Noah transitava, era fácil passar despercebido enquanto fingia fazer parte de sua organização. Junto dos demais, logo entraram na van e ali sim, abaixou a máscara com as portas fechadas e se acomodou confortavelmente no assento.
Ao entrar no carro, era engraçado porque Noah estava agora do lado dele, mas os membros de sua banda estavam logo atrás, todos eles sem máscara, e nunca tinha visto nenhum deles sem elas, então estava realmente se sentindo um peixe fora d'água. Achou que seria mais interessante se falasse com eles, sei lá.
- E aí gente, prazer, Noah. - Disse num sorriso meio tímido.
- E aí, cara. Pode ficar tranquilo, foi cansativo pra todo mundo. - Disse Dave, um dos mais interativos. Adam era o mais tímido, acenou com um movimento suave com a mão. Rhys como Dave, era mais tranquilo, mas parecia muito afim de dormir naquele momento.
- E você acha mesmo que precisa falar seu nome? - Disse Rhys, risonho e escondido atrás de um capuz sobre seus olhos.
Noah riu e negativou.
- Foi mal, eu tô nervoso. Não conhecia os amigos do Leo ainda. - Disse num sorriso sutil. - Vou deixar vocês descansarem. - Sorriu ao namorado, meio desajeitado, se perguntando se tinha feito besteira.
- Não precisa ficar nervoso. - Leo disse e tocou a perna de Noah, riu entre os dentes. - Relaxa, eu sou o Rhys, IV. Aquele é o Adam, o II, e o tiozão é o III.
- Porra de tiozão? - Disse Dave e deu um chute quase Indolor, quase, na canela de Rhys. - Eu sou mais novo que você.
- E esse do seu lado é o pai. Vessel, conhece? - Ele brincou.
Noah riu, divertido com as apresentações.
- Muito prazer. Ah não, esse aqui eu não conheço muito bem não. - Sorriu, tocando a mão de Leo sobre a coxa e acariciou suavemente. - Somos bem íntimos. Fiquei um pouco da caixa da sua bateria também, Adam. - Disse, brincalhão como era.
- Que maravilha, por sorte é tudo preto. - Disse Adam com um sorrisinho meio desajeitado, como bem observado, era o mais tímido dos outros.
- Ele é meio tímido a princípio, vai se acostumar. - Disse Dave dessa vez.
- Ta tudo bem. - Noah sorriu. - Hey, ahn... Podíamos marcar de comer uma pizza qualquer dia desses, com os meus amigos da banda também, que tal? Vocês se dariam bem.
- Eu quero ver você convencer o Leo. - Continuou Rhys.
- Hum, a gente faz a festa, todo mundo conversa na sala e eu fico dando apoio moral pra ele no quarto sozinhos.
- Ah, mas pra que precisa de festa então se podemos ficar no quarto?
Noah riu, divertido.
- Você é muito anti-social, ah? Mas eu gosto de você do mesmo jeito. - Disse, talvez sem perceber que iria soar meio gay perto dos amigos dele.
Eles nem ligavam na verdade, afinal, mesmo eles tinham brincadeiras íntimas entre si.
- Ele é tímido, sempre foi. Quer dizer, não pra câmera e vídeo, mas fora de casa...
- Acho que ele não é tímido como Vessel, hum? - Disse Noah a olhar o namorado, sorrindo a ele. - O que eu acho um absurdo, ele é lindo pra caralho.
- Aí... Viu, Vessel lindo pra caralho. - Disse Dave, provocador e riu no fim.
- Com máscara eu posso ignorar muita coisa, mas deixa o cortejo pra outro momento, senão eu vou ter que brigar aqui.
Noah riu e assentiu, ajeitando os cabelos que jogou pra trás, meio desajeitado.
- Olha, IV, Rhys... Pra ser sincero eu tenho um pouco de ciúme da interação de vocês, podem parar com essa brincadeira gostosa aí.
Ele riu, quase uma gargalhada na verdade.
- Aí você vai ter que me desculpar porque chegamos antes. As fãs adoram.
- Você chegou antes, mas eu sou ruim. Pode parar. - Noah disse, mas evidentemente era uma brincadeira, riu com ele.
- Relaxa, aqui é tudo irmão. Meio esquisitos, mas irmãos. - Disse Dave.
- Aí, boa a conversa mas enfim chegamos antes que alguém diga alguma besteira. - Respondeu Leo.
- É, seu amigo gosta de incesto, já percebi. - Noah riu e negativou, assim que abriram a porta, saiu, esperando por ele e estendeu a mão, tocando a mão de seus amigos, um cumprimento. - Até a próxima, caras, gostei de conhecer vocês.
- Falou, mano. Até a próxima.
Leo desceu e despediu-se aos amigos, colocou a mochila no ombro e levou consigo, seguindo caminho, finalmente para dentro de casa. - Suas coisas, alguém pegou pra você ou.. ?
Noah seguiu com ele, agora um pouco mais silencioso do que no carro, assentiu e retirou o celular e a carteira do bolso.
- Trouxe só isso, as roupas e o resto o pessoal levou pra casa do Nick provavelmente.
- Eles são legais, hum? - Disse Leo e sorriu ao outro enquanto abria a porta, deu passagem a ele e fechou assim que adentraram. - Ah, finalmente.
- São. - Noah sorriu. - Eu gostei bastante deles. Será que eles gostaram de mim? Espero que sim. - Riu baixinho e suspirou. - Ah... Eu preciso de um banho, um analgésico e cama.
- Gostaram sim. O Adam é um pouco tímido mesmo no começo. Acho que entre eles, talvez o mais parecido comigo fora do personagem. - Leo sorriu canteiro. - Hum, fique à vontade. Eu vou pegar algo pra você tomar, mas só tenho dipirona mesmo.
- Ta bom, pode ser. - Noah disse num suspiro e deliberadamente retirou a camisa, suspirando. - Eu... Tenho que te contar uma coisa, mas primeiro preciso que você me prometa que não vai ficar bravo ou surtar. Eu não sei... Exatamente qual vai ser a sua reação a isso.
Leo seguiu até a cozinha e pegou num dos armários o medicamento dentro de uma caixa de primeiro socorros que, devia dizer, praticamente estava vazia. Ao ouvi-lo, virou-se para ele, esperando seguir adiante.
- Surtar? - O riso soou entre os dentes. - Parece algo que eu faria? - Indagou, embora tenha ficado incomodado com o suspense. - Diga.
- Na verdade não. - Noah riu. - Mas enfim. - Suspirou, abriu a calça que usava, retirou, bem, ia tomar banho mesmo, então não tinha problema em ficar só de cueca. Expôs o corpo para ele e ergueu suavemente a boxer na coxa direita, onde ainda não tinha tantas artes tatuadas, na parte superior da coxa, onde ficaria coberta com a roupa todo o tempo e não teria perigo de ninguém ver nem por acaso, somente ele, havia uma nova tatuagem e era sua máscara, havia feito algo discreto porque realmente, era como um presente pra ele. Sorriu meio de canto, sem saber exatamente como ele iria reagir.
Leo evidentemente estranhou o gesto, ia dizer algo, mas apenas tirou a roupa, então franziu levemente o cenho enquanto aguardava, encarando expor a região superior da coxa, alguns centímetros abaixo da virilha, ficou imaginando o que poderia ter ali que fosse deixar a si bravo, definivamente não esperava por nada específico. Ao ver a máscara, ao invés de achar ruim, riu, quase gargalhou, era pequena e até realista de alguma forma, só não conseguia entender como ele havia feito isso depois de transar, depois de cantar e em uma hora. - Cara, como você conseguiu tempo pra isso? Você é meio louco, não é?
Noah riu, divertido, a reação dele havia sido completamente oposta ao que imaginava, ainda bem, era realmente meio inconsequente, tatuava tudo que tinha vontade, momentos que gostava e com certeza, queria levar aquele tempo com ele pra sempre.
- Eu sou um pouco louco sim. - Riu. - Bom, você deve ter visto que tinha uma área de tatuagens lá, alguns artistas convidados. Um deles era um amigo meu, eu já tinha marcado com ele, como era uma arte pequena, ele conseguia fazer numa parte reservada. E eu não quis te contar porque... Bom, eu queria que fosse surpresa.
- Ele é bem rápido. - Leo disse e conforme voltou até ele com a medicação, abaixou-se e conferiu a tatuagem, era bem feito, era... Fofa. - Que bonitinha. - Riu.
Noah riu suavemente conforme ele se aproximou e aceitou o remédio junto da água, tomou o comprimido e deixou o copo sobre o balcão.
- Gostou? É você. Quer dizer, é sua máscara.
- É, ficou bem legal. - Leo sorriu e se levantou por fim. - Cuida bem disso, já que você foi suado e pós sexo. - Risonho, afagou seus cabelos. - Você teria feito ainda que não estivéssemos namorando, eu tenho certeza. - Sorriu, mais afável. - Obrigado pelo carinho, Seb.
Noah assentiu e sorriu a ele, mas tocou seu rosto e selou seus lábios, não queria abraça-lo sem antes tomar um banho.
- Ele higienizou bastante. Eu... Tenho muita coisa tatuada, a maioria são coisas aleatórias que meus amigos fizeram, mas essa é especial pra mim, mesmo que um dia você pare de gostar de mim, quero me lembrar do tempo que passamos juntos porque sinceramente, foi o melhor relacionamento que eu já tive. Ninguém nunca me fez tão feliz. Então... Obrigado.
- Por que fala assim? Fala como se estivesse sempre à beira do precipício, pronto para pular. Não é assim que funciona, não deveria ser.
- Eu não estou falando dessa forma. - Noah disse num pequeno sorriso. - Só estou tentando ser romântico da forma como eu consigo. Você só prestou atenção nessa parte, é? Eu falei que você foi a melhor coisa que já me aconteceu.
- Mas seu romantismo vem sempre com alguma dor. - Leo sorriu, suave. - E é diferente da minha. Você fala sempre como se fosse ser deixado para trás.
- Hum... - Noah calou-se ao ouvi-lo, percebeu que talvez aquilo era tudo o que conhecia, já que na vida havia sido deixado pra trás ou de lado muitas vezes. Sorriu meio de canto, sem saber o que dizer. - Desculpe... Eu vou tomar um banho.
Leo o segurou no pulso conforme se moveu, um reflexo, o soltou em seguida e negativou, porém gesticulou e chamou pra perto.
- Vamos dar certo, estamos dando certo.
Noah aproximou-se dele, um pouco confuso com seu toque anterior, mas assentiu em seguida.
- Eu sei. Eu sei que vamos. - Sorriu. - Vou tentar melhorar isso.
Leo segurou seu rosto com ambas as mãos e beijou sua testa, em seguida passou os braços ao redor de seus ombros.
- Você têm sido minha música, Noah.
Noah iria alertar ele sobre estar com cheiro de suor, mas ele sabia, afinal, ele era a maior razão do suor depois do show. O segurou em sua cintura, o ouvindo atencioso e sorriu, expondo os dentes, franzindo os olhos pequenos.
- Você também é a minha... - Disse, e realmente, aquilo havia pego o próprio coração na mão por um momento.
Leo sorriu para ele, próximos como estavam, poucos centímetros e selou seus lábios. Era uma declaração de amor, talvez ele não fizesse ideia, mas estava feliz em dizer daquela forma, talvez um dia ele compreendesse.
- Você pode ir tomar banho, sei que está aflito. Eu devo estar precisando muito também.
Na verdade, Noah havia compreendido, por isso estava olhando pra ele daquela mesma forma típica agora e tinha até os olhos sutilmente marejados. Piscou algumas vezes e assentiu, tentando afastar o choro conforme se afastou, pigarreou.
- Sim... Eu... Quer vir comigo?
- Estou vendo esses olhos brilhantes. Isso significa que você entende minha entrelinhas.
Noah sorriu meio de canto e assentiu, voltando-se para ele novamente.
- Você ama música. Ela é sua vida. Dizer isso pra mim é a coisa mais bonita que você poderia dizer.
Leo sorriu suavemente, talvez um pouco tímido. Tocou seu queixo, um carinho breve. Sentia que estava indo um pouco rápido com ele, mas era isso que era estar apaixonado afinal, sentir muito, tão rápido.
- É. - Falou baixinho. - Vamos tomar banho.
Noah assentiu, limpando os olhos com o dorso da mão e estendeu a mão a ele, tinha aquele costume, gostava de toques e agora estava guiando ele por sua casa novamente, subindo as escadas para o banheiro de seu quarto no andar de cima. Ao entrar, tirou a última peça de roupa que faltava, a íntima, sabia que ela estava suja de sangue, então apenas dobrou e deixou de lado, lavaria depois. Olhou-se no espelho por um breve momento, ajeitando os cabelos que bem, iria lavar, mas parou a olhar a si um pouco mais de perto, tinha uma marca no pescoço que seu cinto havia deixado, vermelha. Virou-se para ele e franziu o cenho.
- Mano... Eu saí assim por aí?
Leo seguiu o caminho com ele, já acostumado com a forma como era guiado dentro da própria casa, um hábito dele e seus dedos sempre buscando por contato. Quando se soltaram, passou a despir as roupas também, precisava daquele banho, sentia como se o calor não fosse apenas do casaco que usava, mas sim da camada de sujeira que precisava tirar da pele corretamente. Olhou pra ele diante da pergunta, notando seu pescoço marcado.
- É, saiu. Mas, tem tatuagem aí, então você está quase a salvo da percepção. - Riu entre os dentes. - O que seria um problema se fosse o contrário.
Noah permaneceu um momento parado, olhando pra ele e negativou.
- Agora eu entendi porque o IV me olhou estranho quando eu saí do container. Não era só porque eu tinha tinta preta no meu rosto. - Disse e escondeu o rosto com ambas as mãos. - Nunca mais vou ver seus amigos. - Riu.
Leo riu e negativou.
- Os caras já tem 30 anos, eles já devem saber como brincar com um cinto. - Disse e deu a ele uma piscadela.
Noah riu igualmente e suspirou, erguendo o rosto para olhar pra ele.
- Hum, eu gostei da brincadeira do cinto.
- Ah gostou, hum? Não havia imaginado que poderia gostar de coisas assim. - Leo sorriu canteiro e indicou o banheiro a ele, dando passagem para seguir e fez o mesmo, despindo o que restava da roupa.
- Você ou eu? - Noah riu baixinho. - Na verdade, as coisas são meio novas pra mim, eu estou descobrindo muita coisa que eu gosto, com você. - Sorriu a ligar o chuveiro, entrando embaixo da água e a deixou levar a sujeira que tinha em si, suspirou. - Quer dizer, quando eu olho pra você de Vessel, eu nos vejo dentro das histórias que você cria, então... Imagino que o Vessel seja um pouco mais agressivo e... Um provedor. - Disse, indicando sua música e riu baixinho. - Faz sentido ou parece que estou falando só um monte de porcaria?
- Você. - Leo respondeu enquanto ele continuava. Deixou entrar no banho e aproveitar a água por um tempo antes de se juntar a ele. Sorriu com o canto dos lábios. - Ah é? E eu sou o que?
Noah sorriu a ele.
- Ah... Você é tudo. - Disse um pouco tímido, mas estendeu a mão para ele, queria sua companhia. - Voce é... Misterioso eu acho. Eu olho pra você sempre tentando entender o que se passa na sua cabeça, tentando decifrar você, mas acho que seus olhos são como um oceano profundo. Talvez... Seja fácil categorizar o Vessel como uma criatura porque não dá pra ver os olhos dele, mas você é mais... - Suspirou. - Você é um universo inteiro. Desculpe, não está fazendo muito sentido.
Leo sorriu novamente, deu um risinho na verdade, achando curioso como Vessel era mencionado como um alterego muito distinto, quase como uma outra pessoa e não personalidade.
- ... So, I will flood you like Atlantic. - Sussurrou, levemente cantarolado, mudando sutilmente a letra para encaixar em um contexto. Ele havia descrito sua visão como sentia aquela música.
Noah riu baixinho e assentiu.
- Vocês parecem diferentes. Já sei, é como se o Vessel fosse uma criatura no oceano, e você é o oceano todo. Eu adoro estar com o Vessel, mas gosto muito mais de estar me afogando em você.
- Se estiver afogando em mim, no fundo você encontra a criatura do oceano. - Leo sorriu, mostrando-lhe os dentes. - Não precisa estar sempre tentando gentileza nas suas palavras sobre mim e sua percepção com Vessel, eu sinto que tem medo de me deixar inseguro.
Noah sorriu a ele e negativou.
- Eu não tenho, eu realmente só queria explicar como eu vejo. É que na minha cabeça as coisas são muito mais líricas. - Disse como ele havia falado para si um tempo atrás.
Leo sorriu diante do comentário, se lembrava da conversa.
- E assim todos deveriam ser, uh? - Tocou seu rosto, acariciando sua mandíbula marcada. - Me deixe tirar suas impurezas. - Disse, brincando com ele.
- Oh, fique a vontade. - Noah riu baixinho, era uma boa definição, Vessel maculava, Leo limpava as impurezas, ele era calmo, tímido perto de seu pequeno alter ego. Deu um passo para ele e tocou sua mão sobre a mandíbula, acariciando-a. - Você é tão lindo.
- Você que é. - Leo falou quase baixo, mas audível o suficiente. Buscou o que precisava para ajudar o banho dele, que não parecia, como sempre, incomodado em ser tocado, era quase como se preferisse aquela invasão de privacidade. Pegou o sabonete e uma esponja de banho, esfregou-o começando pelos ombros.
Noah sorriu a ele, estava tão cansado, mas tão cansado, que tinha certeza que se fechasse os olhos, dormiria em pé. Sentiu a massagem suave da esponja, suspirou profundamente, como quem agradece pelo carinho da limpeza.
- Hum...
Leo podia ver em seus olhos o quanto estava cansado, eles pareciam ainda menores quando ele tinha sono. O puxou mais perto, e deu o ombro a ele, aproveitando a proximidade para lavar suas costas. Levou um tempo, mas finalmente o ajudou com o que podia, deixando o que era mais íntimo para ele enquanto lavava a si mesmo, tirando os resquícios de tinta manchada na pele, esfregando-se. Noah aconchegou-se nele sem nenhuma resistência, apreciando ainda a carícia da esponja e quando enfim ele se afastou, sorriu meio de canto e terminou de lavar o corpo, percebia que ele sempre dava privacidade a si para se lavar, nunca tentava tocar partes íntimas quando não estavam fazendo algo sexual e achava isso adorável. Ele tinha um respeito enorme e fazia o mesmo por ele, como ele queria. Lavou os cabelos, o viu fazer o mesmo e até tocou a ponta de seu nariz com a espuma do shampoo, sorrindo a ele em seguida. Quando enfim limpos, desligou o chuveiro com o consentimento dele e buscou a própria toalha entregue, se secou, secando os cabelos com o tecido mesmo, estava tão cansado que não queria seca-los com secador e só naquele momento percebeu, estava na casa dele, ele provavelmente não tinha secador.
- Hum... Estou exausto.
Leo deixou o banho logo após ele, tateando-se com o tecido felpudo e macio, que passou no rosto antes do restante do corpo, mas terminou agitando os cabelos que eram fáceis de secar. Vestiu-se com calça e uma regata, sem roupa íntima. Deixou a toalha úmida pendurada, já a dele estava em seus cabelos, enrolada, riu baixinho, achando graça do adorno. Noah riu, sabia do que ele ria, buscou na própria mala uma calça confortável e uma camiseta, como ele estava sem roupa íntima, faria o mesmo. Depois de se vestir, só então voltou os cabelos e pendurou a toalha no banheiro, voltando para a cama onde se jogou, gemendo preguiçoso. Leo o viu de um caminho a outro até se jogar para a cama, riu e diferente dele apenas se ajoelhou e engatinhou no colchão até o topo, afundando-se no travesseiro. Suspirou, tão profundo que sentia roubar o ar do cômodo inteiro. Noah olhou pra ele e engatinhou igualmente assim que ele se deitou, jogando-se novamente, mas a seu lado e devagar se moveu na cama, se ajeitando junto dele.
- Hm... - Grunhiu, quase como um gato.
Leo riu por seu aconchego, parecia mesmo confortável e preguiçoso. Cedeu o braço e o peito para acomoda-lo.
- Hoje seremos breves nesse boa noite, ah? - Quase via-o como Tobi, seu gatinho.
Noah sorriu e assentiu, erguendo o rosto para selar seus lábios.
- Eu estou tão confortável que eu acho que eu vou morrer. - Riu.
- Não pode, só desmaia um pouco e amanhã volta a acordar.
- Não pode? Você não deixa?
- Não deixo.
- Hum, não quer ficar sem mim? - Noah disse, claramente procurando por uma declaração sutil.
- Não quero. - Leo respondeu, direto como antes.
Noah sorriu novamente e beijou seu rosto, seus lábios e deu uma pequena mordida em seu lábio inferior.
- Boa noite, meu amor. - Falou, como tinha dito mais cedo.
Leo retribuiu em seu beijo, lambiscando seu lábio superior conforme tinha o próprio inferior mordido. O sorriso soou como um sopro pelas narinas diante do novo apelido romântico.
- Boa noite, tubarãozinho. Tenha um bom sono.
- Você também, arainha.
Noah disse num sorriso e aconchegou-se em seu peito, abraçando-o ao redor da cintura e fechou os olhos, sentindo o cheiro dele e ouvindo seus batimentos cardíacos, aquilo trazia uma paz indescritível para si. Já estava com muito sono, só precisou se ajeitar e adormeceu em poucos minutos.


0 comentários:
Postar um comentário