AVISO: Para ler essa fanfic, você precisa ler pelo menos o capítulo 17 e 18 de Vessel e Noah Sebastian. Pular esses capítulos vai fazer você ficar perdido na história.
Enquanto estava no sofá, Rhys tentava dormir, virado de barriga pra cima enquanto olhava o teto da sala. Dave já dormia feito uma pedra, graças a cerveja. Estava meio irritado pela conversa de antes ainda. Deveria arrumar uma namorada, ah? Filho da puta. Bem, tentaria dormir, mas quando fechou os olhos, ouviu os barulhos no andar de cima, os gemidos que transpassavam as portas, sentiu uma pontada no baixo ventre, queria estar fazendo aquilo também. Virou-se para ele e a mão o atingiu em seu peito, sem força na verdade, estava chamando a atenção.
- Dave. Dave.
Dave estava dormindo tão bem, mas tão leve, que ao sentir a mão no peito, ouvir sua voz, certamente o respondeu, porém não estava mesmo ali, estava dormindo e cumprindo a cortesia de responder.
- Dave! - Rhys falou mais enfático, batendo nele novamente, irritado por demorar para ter uma resposta.
- Huumm? - Dave murmurou, um pouco arrastado, sonolento e até levemente confuso. - O que?
- Acorda, porra. Não consigo dormir. - Rhys disse e suspirou.
- E por isso eu não posso dormir? - Dave disse, um pouco irritado.
- Exatamente. Eu deveria ir procurar uma namorada e te deixar em paz?
Dave ergueu suavemente a cabeça e se virou para olha-lo com os olhos pequenos de sono e cenho franzido como quem ouvia um grande absurdo.
- O que? Você me acordou pra brigar?
- Você nem deveria ter dormido, pra início de conversa, se sabia que eu estava puto com você.
- Eu não achei que estava tão puto assim, Rhys.
- Você me mandou arrumar uma mina, na frente de todo mundo.
- E qual o problema disso?
Rhys estreitou os olhos.
- Você sabe qual o problema, caralho. - Disse, estressado.
- Quem falou isso foi o Leo, eu apenas dei corda.
- E por que você deu corda? Quer que eu vá atrás de uma mina mesmo?
- ...? - Dave olhou indagativo, ele realmente havia acordado a si para discutir. - Eu estava apenas enchendo o saco, não tem nada de mais nisso.
Rhys suspirou, quase bufando na verdade e enquanto olhava pro teto ainda podia ouvir os gemidos dos dois no andar de cima, ele ficou em silêncio por um momento, se perguntou se tinha dormido.
- Dave. - Chamou novamente.
- Hum... ? - Dave murmurou, sonolento, mas ainda não havia dormido, na verdade começou a estranhar o barulho, percebendo um pouco devagar do que se tratava já que estava com sono.
- ... Eles estão transando. - Rhys falou a olhar o teto ainda, batucando suavemente na própria mão.
- Bom pra eles. Eu estava tendo uma DR.
- Quem mandou você me falar pra arrumar uma namorada. Talvez eu devesse mesmo.
- Ah... - Dave resmungou, suspirando ruidoso na verdade. - Você quem sabe, Rhys.
Rhys desviou o olhar a ele e bateu em seu braço.
- Idiota. Você deveria me tratar como o Leo trata o Noah.
- Ai... - Dave reclamou, quase em câmera lenta, arrastando a voz. - Oi? Eu deveria por quê? Você não é meu namorado.
- Nós estamos juntos faz nove anos, caralho. E você não me trata assim.
- Ah? Não estamos juntos há nove anos. Começamos esse lance que nunca foi exatamente um relacionamento como o deles, Rhys.
Rhys cruzou os braços, era uma pessoa complicada, queria as coisas, mas tinha vergonha ou agonia de assumir um relacionamento com ele de fato por vários motivos. O silêncio se fez presente novamente e suspirou, não era realmente silêncio se podia ouvir o barulho da cama no andar de cima.
- ... Podíamos transar.
Dave suspirou e fez silêncio, não precisava de muito para voltar a dormir, por mais que pensasse ser inoportuno, embora não pudesse esperar muito além daquele assunto sem sentido. Fechou os olhos, porém ao reabri-los, fitou-o de soslaio, evidentemente confuso.
- O que? E você não tá bravo comigo?
- Sim, eu estou, mas eu tô excitado também. - Rhys suspirou profundamente.
- Ficou excitado ouvindo os caras? Uh. - Dave murmurou, risonho.
- Fiquei excitado porque me lembra da gente fazendo isso, então eu penso nas sensações, palhaço.
- Hum, achei que não queria falar comigo.
Rhys suspirou, profundamente, não queria continuar discutindo com ele, então virou-se e aproximou-se dele, o abraçando ao redor do corpo e repousou a cabeça em seu ombro, se aproximava devagar, porque ainda tinha vergonha de ter acordado ele pra brigar, ainda tinha vergonha de pedir por sexo, argh, que ódio. Dave sentiu-o se aproximar de si, e foi só então que percebeu que não estava dormindo no chão, onde ele havia dito que teria de dormir já que reivindicava o sofá. Se ajeitou para se virar pra ele, sabia que Rhys tinha um orgulho esquisito, era o típico "cu doce" mas na verdade, achava aquilo bem fofo. Deu espaço para ele no próprio braço, que parecia aceitar sem pestanejar, acomodando-se como quem ignorava todos os xingamentos que acabara de formular. O sofá era grande, aberto então era quase uma cama de casal, estavam bem confortáveis ali, o cobertor era quentinho, ele era quentinho também. Rhys Ergueu o rosto, aspirando o cheiro do pescoço dele, tinha cheiro de cerveja, perfume e sua pele. O beijou, deslizando a língua em seu pescoço e sugou sutilmente.
- ... Vamos?
Dave sentiu a respiração dele no pescoço, em seguida sua língua. Era claro, facilmente dobrado por ele, mas não por isso, também era muito tranquilo, talvez por isso se dessem tão bem, tinham um equilíbrio. Virou-se para ele e tocou seu rosto, próximo ao queixo onde o segurou, selou seus lábios, entrou em sua boca logo em seguida. Rhys retribuiu o selo e o beijo, provavelmente ali estava a resposta positiva que esperava. Sentia gosto de cerveja em sua boca, mas não desgostava, era um gosto que costumava estar na boca de ambos, gostavam de beber nas festas, embora não costumassem ficar bêbados, Dave era um cara mais fã de café do que qualquer outra coisa. Ajeitou-se no sofá, tocando os cabelos loiros dele, que agora estavam pouco mais compridos do que de costume. O beijo estalou por um momento, queria falar com ele.
- Você... Pode ficar atrás de mim e eu só abaixo a calça, se alguém descer, fingimos que estamos dormindo. - Murmurou.
- Hum. - Dave murmurou e foi breve, deixando claro ao assentir que pretendia continuar o beijo. A sugestão era excitante, o beijo também, gostava do beijo de Rhys. Segurou seu queixo e o puxou para dar continuidade, tal qual se impôs para ele, mesmo que algumas das almofadas se tornassem um impasse.
Rhys retribuiu o beijo, continuando a segura-lo em seus cabelos com uma das mãos e a outra o abraçava ao redor de seu pescoço, sentiu uma imposição de seu corpo sobre o próprio e fora obrigado a tirar as almofadas do sofá, jogando-as para o chão, resmungando consigo mesmo sobre o porquê o amigo tinha tantas almofadas naquele maldito sofá. Quando percebeu, ele estava com seu tronco sobre o próprio e gostava, já tinha a pele completamente arrepiada. Dave debruçou-se parcialmente sobre ele, sentindo parte do peito repousado ao dele. Deslizou a mão esquerda por sua cintura, chegou até o quadril e empurrou o joelho entre suas coxas, quase podia sentir que seu corpo já estava esperando por si, por contato, por carícias, por sexo e não estava diferente, a personalidade mimada do guitarrista quase funcionava como estimulante. O gemido baixo de Rhys soou contra os lábios dele ao sentir sua perna, pressionando o sexo que já estava ereto. Puxou sua camiseta, não devia tirar, bem, se tivessem que fingir que dormiam era melhor não fazer isso, mas podia tocar as costas dele e fez com as unhas, arranhando sua pele, não parou o beijo porém e enquanto o beijava, todo o corpo se contorcia em direção a ele, exatamente como acontecia quando interagiam no palco, não era tudo uma encenação quando as coisas diziam a respeito dele, realmente ficava entregue.
Rhys sentiu a pele se arrepiar sob suas unhas, eram curtas em maior parte, embora algumas fossem maiores para as cordas da guitarra e eram exatamente essas que ele usava na pele agora. Segurou seu queixo, interrompeu o toque dos lábios mas não da língua, lambeu-o, encarando-o de cima. Já embaixo, tocou sua calça, era jeans, então teve que por algum esforço para abrir e abaixar o cós. Rhys suspirou profundamente, erguendo o rosto em direção ao dele ao sentir o toque da língua, queria mais, estava excitado e sedento por ele, ainda mais que agora parecia proibido, o lugar onde estavam parecia, não deviam transar na casa do amigo, certo? Estremeceu ao ouvir o barulho dos botões, o ajudou a retirar a própria calça, deixando-a embaixo da coberta mesmo, afinal estavam disfarçando, não? As mãos agora estavam na calça dele, que ao contrário das próprias, não eram jeans, mas também não eram tão soltas e confortáveis como as que o vocalista usava. Abriu os botões e o zíper, abaixando-a com um pouco de dificuldade e gemeu novamente contra seus lábios, em expectativa. Dave enroscou-se com ele algumas vezes, lidando com as roupas sob o farfalhar do cobertor que não pretendia deixar cair do sofá, que mesmo espaçoso, não era tão grande para se moverem demais deliberadamente. Após isso, era a vez dele tomar conta da própria roupa, o ajudou com a calça, ergueu, empurrou, arrastou pelas pernas até que estivesse nos tornozelos e daquela forma, empurrou o baixo ventre contra sua coxa, roçando sugestivamente para deixar conferir a própria excitação.
- Hum... - Rhys murmurou, mordendo o lábio inferior ao sentir seu sexo. - Sempre me surpreendo com a forma que você acorda bem rápido. Nem preciso de muita coisa. - Dizia contra os lábios dele e com uma das mãos tocou seu sexo sobre a roupa íntima, arrastando a mão ali para só então puxar a roupa por seu cós, abaixando-se junto de sua calça. Sorriu, sugestivo. - E eu gosto... Você é um vadio.
- Isso é pra você. - Dave retrucou, sincero e provocante na verdade. Moveu os quadris e empurrou o contato contra sua mão, sentindo seus dedos levemente porosos pelo instrumento que os calejava, e gostava da leve aspereza. - Eu? O Leo não faz ideia que você é ainda mais vadia que o Noah.
Rhys riu baixinho ao ouvir seu primeiro comentário, sabia que era, mas gostava de ouvir ainda assim. Agora sem sua roupa, podia tocar seu sexo diretamente e o fez sem delongas, o agarrou com uma das mãos, massageando como costumava fazer e mordeu o lábio inferior ao ouvi-lo, achando graça da provocação, costumavam se encher o saco daquela forma, também era algo que gostava. Segurou o rosto dele com uma das mãos, firmemente e o beijou, empurrando a língua para sua boca e enquanto isso, a mão trabalhava para deixar ele pronto para si, não que achasse que precisava de mais do que aquilo, mas gostava daqueles pequenos gemidos dele contra os próprios lábios.
- Eu sou uma vadia, ah? Seu filho da puta. - Murmurou, mordendo seu lábio inferior e riu, com seu lábio ainda entre os dentes. - Por que você não fode a sua vadia então, hum?
Dave ficou ali tirando proveito de seus dedos atenciosos, se ele queria dar aquilo a si, não iria mesmo reclamar, embora já estivesse tão firme quanto ele precisava que estivesse. Riu com ele e retribuiu o beijo, a princípio sem procurar dar a ele o mesmo toque, não queria atrapalhar seu movimento. Sorriu contra seus lábios conforme interrompidos, ouvindo a resposta ao pequeno elogio provocador, sentindo repuxar suavemente o próprio lábio inferior entre seus dentes.
- Hum... Viu só? Consegue imaginar aquele cara falando algo como isso? - O riso soou entre os dentes e então, finalmente retribuiu sua carícia, levando a mão até seu sexo, apenas o tempo suficiente para provocar e abaixar sua boxer que até então, não sabia a cor naquele dia. Conforme puxou o elástico da peça, deixando na altura de suas coxas, deu espaço entre ambos e pegou o guitarrista pela cintura, o virou parcialmente de costas. Rhys riu divertido, embora em tom baixo.
- Eu só sou mais sem vergonha na cara, já faz muito tempo, daqui oito anos o Noah tá falando assim também. - Suspirou ao sentir o toque no sexo, ele sabia como gostava, era engraçado como fazia tanto tempo que tinham aquela interação e realmente, nunca tiveram um relacionamento, eram mais amigos coloridos, digamos assim, mas não deixava de ter ciúme dele. Ele era magro, sempre se surpreendia como tinha força para segurar ou manipular a si, mas deixava ele fazer o que quisesse, aquela posição era boa, gostava dela. Conforme se virou de costas, colou o corpo ao dele, sentindo sua pele quente, suas mãos mais quentes ainda que seguravam a si ainda pela cintura. - Hum...
Dave suspirou num gemido suave de agrado, sentindo a textura sedosa da pele, macia de suas nádegas. Moveu a pelve e empurrou em direção a ele, apenas friccionando, sentindo a ereção contra seu corpo e sua pele morna. Levou os dedos até a boca, lambeu dois dele e então os guiou até seu âmago, encaixado entre suas nádegas, sentindo seu corpo que já estava bem receptivo.
- Hum, quer procurar os lubrificantes do Noah
Rhys estremeceu com o toque, geralmente eram direto ao ponto porque, quando transavam em lugares inapropriados, como um camarim, um banheiro, ou como estavam fazendo agora, não tinham tempo para preliminares e sinceramente, gostava assim, havia se habituado ao jeito dele. Também não eram tão românticos como Leo e Noah, pelo menos pensava assim, então quando Dave fazia algo mais suave e romântico, até estranhava.
- Tá na gaveta daquele móvel. - Disse a apontar a ele. - Fui pegar um isqueiro hoje cedo.
- E você quer usar? - O riso soou entre os dentes de Dave, ainda tocava seu corpo, esfregando suavemente a pele, sentindo seus leves espasmos, então ameaçou empurrar o toque, mas esperou ele decidir o que queria.
Rhys mordeu o lábio inferior e suspirou, mas estava curioso com os gostos dos amigos, então sorriu meio provocador.
- Pega lá.
- Você tá na frente, pega lá. Aproveita e desfila pra eu ver você.
Rhys negativou ao ouvi-lo.
- Desfilar? E eu lá sou bonito o suficiente pra desfilar pra você? - Disse e riu, levantando-se. - Eu pareço uma modelo da Victoria's secret é? - Não sabia fazer isso, até ficava meio sem graça, então caminhou normal até o móvel, a camiseta cobria o corpo e não dava muita visão a ele. Abriu a gaveta, tentando fazer silêncio e pegou o pequeno vidro, voltando para a sala a abrir enquanto andava, sentiu o cheiro, era menta, bem tradicional na verdade. Voltou a se deitar com ele na mesma posição, meio de costas, e pegou um pouco do lubrificante nos dedos, guiando a mão a seu corpo atrás de si, o tocou e não era realmente delicado, ele sabia disso, mas também não era grosseiro. Deslizou a mão em seu sexo, deixando o toque gelado por onde passava.
- Hum, o cheiro é bom.
- Ah para, você é mó gostoso. - Dave disse, se ajeitou no sofá e mostrou o corpo para ele, expondo o sexo. - Me deixa assim, você sabe. - Disse conforme ele voltava pedindo espaço, acomodou-se como antes e deixou provar do lubrificante. Podia sentir o cheiro mentolado, quase como de uma bala. - É bom, mas é gelado. Coloque em você.
Rhys negativou ao ouvi-lo e era até bom que ele não pudesse ver a si porque não sabia lidar com elogios, o rosto estava vermelho, mas é, gostava de saber que o deixava excitado, era um bom estimulante.
- Hum... Você é que... É gostoso. - Disse e sorriu meio de canto, desajeitado. Pegou pouco do lubrificante e guiou para o próprio corpo, tocando-se pela frente mesmo e estremeceu visivelmente. - É... É gelado...
Dave queria conferir, embora estivesse escuro, então apenas lidou com sua movimentação sugestiva sob o cobertor. Sorriu e levou a mão até seu rosto, o virou de lado, apenas o suficiente para tocar seus lábios e voltou a beija-lo, lambeu-o suavemente antes de entrar em sua boca. E com a mão agora desocupada, mesmo com atenção no beijo, voltou-se para baixo com o toque, entre os dedos se levou até o corpo dele, esfregando-se levemente, enfim empurrou-se sem delongas, sentindo deslizar com facilidade, não apenas pelo costume de Rhys como a ajuda do gel mentolado. Gemeu, baixinho e satisfeito, em direção aos seus lábios, que agora sim perderam a atenção. Rhys virou-se para ele, retribuindo o beijo meio desajeitado, mas era bom, ah, como era bom, tudo que faziam, por mais corrido ou sem jeito, era muito gostoso. Sentiu o toque de seu sexo, era uma provocação suave, mas não duraria, conhecia Dave, iria direto ao ponto e foi exatamente isso que fez. O gemido escapou de si contra os lábios dele, sem poder conter, mas tentou morder o próprio lábio inferior para sufoca-lo, não podia gemer ali, tinha que ficar em silêncio, não queria o amigo desconfiando que transavam em seu sofá. Ainda que tivesse costume, era dolorido no começo, mas nada que não pudesse lidar com facilidade. Fechou os olhos, apertado, tocando o rosto dele meio desajeitado pela posição.
- Porra... - Reclamou, deixando a respiração soar num sopro em seguida.
- Sh sh... - Dave murmurou, era apenas uma provocação, não ia mesmo tentar abafar o gemido dele, afinal, não era a si levando uma daquelas por trás. Roçou os lábios com os dele, movendo suavemente a cabeça com isso, ele tinha um beijo que gostava bastante, tinha os lábios macios, eram estranhamente macios, se perguntou por um momento se ele fazia alguma coisa pra isso acontecer. Então deslizou a mão por sua cintura, correndo até a pelve, apertou nos dedos e seguiu até a nádega, puxou suavemente para dar mais espaço e encaixar melhor consigo, em seguida foi até sua ereção, já falhando levemente pelo desconforto, mas estava ali, apenas um pouco afetada. - Ah não, não dorme não. - Murmurou, como quem falava com aquela parte nos dedos, então correu o toque em vai e vem, leve, sem apertar, mas ligeiro.
- Eu sei... - Rhys murmurou, rouco ainda e suspirou profundo. - É difícil, dói demais. - Grunhiu, meio manhoso sem intenção e roçou os lábios aos dele da mesma forma, era até bom porque se distraía com alguma coisa. Mordeu o lábio mais uma vez com o toque no sexo e empurrou-se suavemente para trás até sentir-se encaixar completamente nele, só então inclinou o pescoço para trás ainda a apertar os olhos fechados, mas por um momento, prendeu a respiração quando enfim ouviu um barulho no andar de cima. Cobriu a boca com uma das mãos, franzindo o cenho e cobriu o corpo junto ao dele com o cobertor, esperando em silêncio enquanto o corpo ardia dolorido, ele tinha que se mover e logo, porque as pernas começaram a estremecer suavemente pela dor.
Ao ouvir o barulho, por um momento, Dave parou completamente o que fazia, mesmo o toque em seu sexo, era como uma brincadeira de criança onde paravam como estátuas, mas queria muito rir, porque podia ver o olhar dele arregalado. Quando finalmente ouviu a porta se fechar, deu um risinho contido, esforçando-se para não faze-lo.
- Sua cara tá muito engraçada.
Rhys suspirou a retirar a mão da boca e bateu suavemente no braço dele, não queria, mas acabou rindo em conjunto.
- Dave... Puta que pariu, mano, se mexe logo antes que eu queime pra sempre por dentro.
- Você queria que eu me mexesse com os caras tentando ouvir? Tivesse dito, eu teria feito. - Dave retrucou e moveu os dedos, acariciando novamente seu corpo ereto, em movimentos leves porém rápidos. Já com os quadris, finalmente deu a primeira investida, não muito forte e nem muito rápido, começando de modo gradual.
- Acho que eles foram... Pegar alguma coisa. - Rhys disse, meio embargado pela sensação dolorida e prazerosa, o sexo tentava manter a ereção enquanto o corpo tentava lutar com a dor inicial, quase riu de quanto era desconfortável. - Porra, não dá pra ficar uma semana sem transar que o corpo já esquece absolutamente como fazer isso.
Dave riu entre os dentes.
- Hum, você gosta de fazer charme. - Provocou, sabia que era dolorido de fato, mas gostavam de trocar farpas. Ao deixar o toque frontal, tocou o quadril de Rhys com a mão que trabalhava antes, empurrou-o com o peito no estofado, deixando-o de costas, pôs-se em cima dele, acomodando o peitoral em suas costas cobertas pela roupa que ainda tinha de usar. Manteve-se debruçado em cima dele e a única coisa que se afastava com o movimento eram os quadris, mesmo o rosto manteve junto de sua nuca, seu pescoço, onde roçou os lábios e deu uma mordidinha suave, indolor, apenas raspando com os dentes. O movimento era devagar, mas era firme, saia e voltava quase empurrando além do que era capaz de ir.
- Ah, é? Vem aqui que eu vou meter o pau no seu cu e você me fala. - Rhys disse e iria puxa-lo, claro que estava enchendo o saco, mas fora virado antes e teve que virar o rosto de lado, apoiando-o no travesseiro deixado por Noah, sentindo o sexo pressionado no sofá conforme ele se movia para si e só então se calou, agarrando-se ao travesseiro e até empinou os quadris para ele, de encontro aos dele, é, era dramático, não era tão ruim assim, mas a provocação era boa. Gemeu, contido no travesseiro e o mordeu, tentando abafar os sons ali.
- Porra, quase fiquei excitado. Quase. - Dave brincou, risonho e provocador. Passou o braço direito ao redor do travesseiro, o mesmo que ele segurava. Já a mão direita, acomodava em sua cintura. Sabia que o prazer havia começado quando ele finalmente não conseguia mais falar, substituindo seus comentários por gemidos abafados no tecido. Saia e voltava pressionando suas nádegas com o ventre e aos poucos o ritmo se tornava mais rápido, porém o atrito era sempre contido quando chegava perto de sua pele, abafado pela suavidade ou mesmo pelo cobertor que em certo momento, já incomodava pelo calor. Rhys riu, igualmente contido pelo travesseiro, mas o soltou dos dentes para poder falar com ele.
- Ah, você quer ser passivo? Eu vou ter que usar um banquinho. - Disse, mas o gemido interrompeu a frase, tendo que abafar de novo no travesseiro, sentindo-o atingir o ponto que gostava dentro do corpo, ele já sabia onde era com tanta facilidade, eram muitos anos afinal. Franziu o cenho, fechando os olhos, não conseguia olhar pra ele naquela posição mesmo, então só aproveitava, não só seus movimentos, mas sua boca perto da nuca, era uma parte que gostava bastante do toque, adorava sentir sua barba por fazer raspar ali.
- Eu disse quase, mas não foi por isso, é porque eu adoro como você é desbocado, parece até que não é fofo enrustido. - Falou ali mesmo, contra sua pele, tinha a voz mais baixa afetado pelo ritmo que continuava. Aspirou o cheiro em seu pescoço, tinha o cheiro do shampoo e um leve teor alcoólico pelo pouco do suor na pele. Com o braço que antes envolvia a almofada dele, tocou seu rosto, enfiou os dedos médio e indicador em sua boca, sabia que ele ia aproveitar aquilo, fosse para provocar a si, ou talvez até mesmo punir de algum modo.
- Fofo... Fofo enrustido? Seu cu que é fofo enrustido, Dave. - Rhys disse a estreitar os olhos a ele, mas riu, sem poder conter. Ouviu o barulho de sua respiração, é... Gostava dele, gostava de fazer aquilo com ele, pelo menos para si mesmo não precisava fingir que não, embora muitas vezes tentasse. Já haviam tido alguns episódios complicados, como quando uma fã tentou sair com ele e ele quase aceitou, passou dias emburrado e o ignorando. Era por isso que não podiam namorar, era ciumento, iriam acabar com a amizade assim. Fora tirado dos pensamentos porém quando ele enfim enfiou os dedos na própria boca, franziu o cenho um pouco confuso sobre como aquilo era fora de hora, mas sabia que ele era um pervertido, e bem, também era um pouco, então daria a provocação que ele queria, mas antes, o mordeu no dedo indicador e fora força o suficiente para causar algum ruído em sua garganta. Riu, satisfeito e só então o sugou, lambendo o local da mordida. Dave previu aquilo, então gemeu dolorido e descontou a mordida ao fazer o mesmo em seu pescoço. Porém ao ter o toque mais suave de sua língua, sua provocação retribuiu com algo que ele mutuamente gostava, então alcançou sua orelha, lambeu no lóbulo e penetrou suavemente o ouvido. Rhys gemeu dolorido com a mordida e encolheu-se suavemente com o toque na orelha, agoniado e excitado ao mesmo tempo e bem, naquele ponto, já estava mais sensível, tendia a não continuar a provocação quando chegava ali. Uma das mãos guiou para os quadris dele atrás de si, o puxou, firme, pedindo por mais, mais forte, mais firme.
- D-Dave... - Gemeu, baixinho, agarrando o travesseiro com a mão livre.
- Hum, parece concentrado, Rhys... - Dave murmurou, provocante e não provocador dessa vez. Sugou suavemente seu lóbulo uma última vez e então se afastou. Sentia sua mão quase numa das nádegas, então o deixava sentir o ritmo e mesmo o espasmo muscular quando chegava no fundo dele e dava um pequeno solavanco, como um suave impulso. - Quer ficar de quatro pra mim, Ivy? - Murmurou, usando o apelido quase carinhosamente, como os fans o faziam. - Ou quer ficar de frente e me agarrar com as suas coxas?
Rhys estremeceu ao ouvi-lo, quando ele falava consigo era geralmente muito melhor do que só sua língua na orelha, costumavam falar besteira e adorava isso, apertou sua nádega onde o tocava e a mão o acertou num tapa, não realmente forte, não podiam fazer barulho.
- Eu gosto das duas opções... Mas de quatro você vai mais fundo. - Disse a ele, erguendo-se agora com ambos os braços para a posição que havia dito.
Dave deu um risinho diante do tapa desajeitado, então se afastou para dar mais espaço e com isso, o puxou pelos quadris em direção a si, colocando-o tal como sugerido.
- Mais fundo, hum? Você está com tanta fome assim, Rhys? Parece que o Noah gemendo te deixou bem animado. - Disse, mas teve de se arquear para falar com ele, não podia ser ruidoso. Ao retomar o movimento, passou o cobertor ao redor dos quadris, abafando o atrito da pele toda vez que chegava nele, sentindo o ventre atingir suas nádegas. E era bom, embora tivesse a desvantagem de tornar tudo aquilo muito contido, gostava do improviso, mas queria dar uma boa conferida no guitarrista, queria olhar seu corpo, queria ver como ele respondia ao toque, já que era normalmente muito expressivo em tudo. Rhys iria provoca-lo, mas sabia que o que iria dizer talvez fosse demais, ou talvez não, ele não tinha mandado arrumar uma namorada? Sempre tentava despertar alguma coisa nele, um ciúme agressivo talvez, como o próprio, mas nunca tinha conseguido fazer nada nem parecido, por isso hesitava quando o quesito era relacionamento.
- E como você sabe que foi o Noah e não o Leo? - Murmurou para ele, olhando-o meio de canto e sorriu, maldoso, mas gemeu, contido e excitado ao mesmo tempo com seus movimentos firmes.
Diante da pergunta, diferente do efeito esperado, Dave quis rir, e até ameaçou fazê-lo mas teve de segurar a voz.
- E você ouviu o Leo gemer? - Retrucou. Não tinha um ciúme do vocalista, afinal, lidava com eles o dia inteiro, por períodos longos em turnês e não via Rhys parecendo interessado no amigo. Podiam não namorar, mas tinham química juntos e sabia disso.
Rhys desviou o olhar a ele meio de canto.
- E você tá rindo do que? - Disse a estreitar os olhos e ele, mas ele provavelmente não veria pela luz baixa. - Então talvez eu devesse procurar um Noah, ao invés de uma garota, ah?
- Rhys. - Dave murmurou e suspirou, ele queria provocar a si, só não entendia o que ele esperava e porque precisava fazer isso agora. - Vai arrumar outro cara pra você fingir que não gosta? - O riso soou entre os dentes. Afastou-se dele e saiu de seu corpo. Não precisava de muitos movimentos para guiar o guitarrista, um pouco de mão na cintura indicando onde ir e lá estava ele, gostava de como ele era entregue mesmo enquanto fingia que não, agora estava com o peito pra cima, podia encarar seu rosto e olhar seu corpo parcialmente nu.
- Eu sei que você quer seu meu, mesmo quando diz que não. - Retrucou e sorriu para ele, então se abaixou e acomodou-se entre suas coxas. Voltou a penetra-lo. Segurou seu rosto, seu queixo e então o beijou, tão firme quanto os quadris.
Rhys gostava daquela posição, mas estava de acordo que onde estavam, ela era complicada, tinham que fazer silêncio e gostava que fosse muito mais forte daquele jeito.
- Eu não finjo que...
Disse, porém fora guiado para o sofá e nem percebia que simplesmente acompanhava sem questionar, já era dele. O olhou, agora dando espaço pra ele em meio às próprias pernas, pensou em responder, mas não tinha uma resposta que pudesse dar a ele, era verdade e naquele momento, quando encarava o rosto dele daquela forma, despido não só das roupas, sabia que não podia esconder nada dele. Gemeu, porém fora baixo, contra seus lábios ao tê-lo de volta no corpo e o abraçou com as coxas, não realmente firme já que tinha que dar espaço para que ele se movesse, mas também queria tê-lo mais perto de si, o máximo que conseguisse. Retribuiu seu beijo e provavelmente era o mais quieto que conseguia chegar em suas provocações, quando não respondia, ele podia saber que tinha ganhado, e lógico, que era verdade. Gemeu contra os lábios dele e a mão livre levou ao lado do rosto, tocando a mão dele que se apoiava no sofá, era um pedido mudo e tímido para que segurasse a si.
Dave foi quase automaticamente até seu pulso, logo que teve a mão tocada, entendia suas entrelinhas, tinham intimidade e sempre foi assim, desde o começo, ele só havia ficado aos poucos mais folgado, mas gostava disso, havia se tornado real, havia mostrado quem era ele e era adorável. Apertou seu pulso contra o estofado, apoiando-se nele enquanto se movia, tinha algum espaço suficiente para se mexer, embora perto o bastante para sustentar o beijo firme e um pouco bagunçado. O movimento continuava, seguindo para dentro com insistência, embora não saísse completamente, era quase como roçar-se a ele, causando um atrito. Rhys estremeceu com o aperto no pulso, é, gostava de coisas bem específicas no sexo, tinha que concordar que era uma vadia mesmo, mas era a vadia dele. Pff, nem acreditava que estava pensando nisso. Ergueu o rosto suavemente, pausando o beijo que dava nele apenas para sussurrar contra seus lábios.
- Dave... Eu... Quero gozar... - Murmurou, sentindo o sexo pressionado por seu corpo contra o próprio abdômen, constantemente estimulado, por dentro e por fora, sabia que não ia aguentar muito tempo, o corpo já se contraía ao redor dele, tentando conter a sensação que insistia em atingir a si, não queria que ele parasse, por isso tentava se conter. Enquanto faziam isso, enquanto o tinha entre as pernas, enquanto estava entre os braços dele, era dele, era só ali, então sempre tentava prolongar o quanto podia daquela sensação, do sexo.
- Goza pra mim, Ivy. - Dave sussurrou contra seu lábios ao ouvi-lo, incentivando-o, gostava de vê-lo tendo prazer, gostava da expressão em seu rosto, e de como ele era sincero naquele momento. - E eu vou gozar em você. Você quer isso, não quer? - Prosseguiu, ainda perto como estava. Estimulava sempre seu falatório, adorava faze-lo dizer coisas que mais tarde levaria um tempo pensando que havia dito, era um pouco cretino? Bem, talvez fosse. Afastou-se dele, ajoelhando-se entre suas coxas, dando espaço suficiente para tocar seu sexo, sentiu nos dedos como estava ereto, quase pulsando no toque. Por um momento interrompeu, levou os dedos na boca, umedeceu os dígitos e os levou de volta, roçando na ponta, na pequena fenda em sua glande, podia sentir gotejar no prazer que tentava escapar, então voltou a deslizar pela base. Quanto a si, continuava se movendo, e queria muito ver enquanto entrava nele, mas estava escuro, podia ter apenas um leve vislumbre.
Rhys assentiu, quando estava naquele momento realmente era mais solto, respondia tudo o que ele perguntasse, provavelmente seria sincero sobre qualquer coisa, não sabia se ele tinha noção disso, porque sempre fazia apenas perguntas sexuais, imaginava se um dia ele perceberia.
- Você... Sabe que eu quero... - Murmurou e antes que ele se afastasse, puxou-o para si, roçou os lábios aos dele, os beijou, mordeu seu lábio inferior, era quase violento de alguma forma, rude, mas era a própria forma de expressar o que sentia. - Goze em mim, Dave. - Murmurou e o deixou se afastar só então, fechou os olhos, inclinando o pescoço para trás e sentiu a aflição causada por seu toque direto, estava sensível, ainda assim ele era sutil o suficiente para não deixar perdurar o incômodo. Puxou a própria camiseta para cima, não queria suja-la, só tinha ela afinal e conforme ia chegando mais perto do ápice, achou que seria melhor tampar a própria boca com uma das mãos e foi uma boa ideia já que o gemido veio logo em seguida, quase sem poder conter quando enfim atingiu o ápice, o apertou, sugando-o para dentro do corpo e claro, as pernas estavam trêmulas enquanto puxava ele para si, sentindo todos os músculos se contraindo. Franziu o cenho e olhou pra ele com os olhos semecerrados, era quase como usar a máscara que usava no show, só tinha os olhos expostos. Dave ainda lambia os lábios sentindo a sensação residual de seu beijo intenso, era acompanhado levemente por seus dentes, quase como arranhado por eles. Sorriu, para si mesmo na verdade, observando enquanto cautelosamente erguia a camiseta, se preparando para o clímax, numa casual atenção ao detalhe, por consequência teve mais de sua exposição e com a mão esquerda inutilizada, deslizou os dedos em sua barriga, descendo da altura do estômago até o umbigo, mas voltou-se para a cintura, onde deu um tipo de sustento no movimento, empurrando-se para ele. Conforme o clímax ia se aproximando, o movimento em seu sexo ia ficando mais rápido também, quase como se estivesse tentando descontar a euforia em algum lugar além dos quadris. Em certo ponto podia ouvir a pele atingir a dele e já nem dava atenção se estava fazendo barulho ou não, embora os gemidos de satisfação ainda fossem cautelosos, eram como uma respiração intensa entre os lábios, com pouco vocal, mas tinha ali algum resquício. Ia gozar, e ele também, então como sempre, tentava manter até o momento em que Rhys o fizesse e lá estava, com respingos quentes nos dedos e em seu abdômen. Com as pernas trêmulas e músculos tensionados em toda parte, mesmo por dentro, o que, se não fosse por estar no limite e atingido o clímax com ele, teria sido arrancado por seus espasmos. O gemido arranhou a garganta, mas foi abafado entre os lábios, quase um resmungo frustrado, porque precisava extravasar o desejo e tinha de conte-lo. Moveu-se em estocadas firmes, não tão rápidas, mas contínuas, até que tudo o que pudesse dar ele, tivesse sido entregue. Rhys gostava do pouco que podia ver dele assim como ele a si, mas com certeza queria um pouco mais de claridade, queria ver sua expressão, adorava a mania dele de morder os lábios quando gozava e sabia que lá estaria ele fazendo isso embora não pudesse ver com nitidez. Sentia seus espasmos como ele os próprios, seu corpo quente e claro, sabia que ele já tinha chego lá consigo e não só por seu gemido contido. Estremeceu, agarrando-o pelos pulsos e puxando para si, mas claro, não o deixaria cair sobre si ou sujaria as roupas dele, precisava se limpar primeiro, não estavam na própria casa, mas, queria beija-lo, naquele pequeno espaço de tempo após o ápice, onde todo o corpo estava sensível e até os sentimentos estavam meio aflorados, ele já sabia, iria dar a ele tudo o que ele esperava, aquele amor que ele queria, estava cheio dele¹.
- Dave... - Murmurou contra seus lábios, franzindo o cenho ainda na sensação gostosa que tinha pelo corpo. - Eu amo vo... - Disse, levado pelos sentimentos, mas talvez tivesse saído de forma totalmente inesperada e bem, sem intenção alguma.
Dave abaixou-se para ele, tão afim daquele beijo quanto ele, quando terminavam o que faziam, aquele toque era quase esperado, como se pudesse extravasar o que restava, os sentimentos, a sensação formigando no corpo, a leveza cheia de excitação, lambeu seus lábios enquanto o ouvia proferir o próprio nome, porém, ele prosseguiu, começando uma frase que não ia ter volta, mesmo que fosse inacabada.
- Foder. - Completou por ele, faz-se desentendido. Sabia o que diria, e sabia também que ele não precisava dizer, mesmo que continuassem naquela enrolação, sabia o que ele sentia e não era diferente, sentia o mesmo por aquele pirralho. Segurou seu rosto com a mão limpa, acariciou seu queixo, lambeu seus lábios apenas numa carícia suave e então o soltou, sem poder deitar sobre ele, saiu de seu corpo e tomou espaço ao lado no sofá. Pensando no prazer, sentindo o mesmo que dizia suas palavras inacabadas. Encontrou sua mão no sofá, e apenas a segurou. Rhys até se assustou com a forma rápida que ele concluiu o próprio raciocínio, sorriu meio desajeitado, nunca tinha dito algo assim, talvez... Estivesse chegando num lugar que realmente seria impossível de sair. Engoliu em seco, olhando o teto da sala a sentir um nó na garganta por longos segundos enquanto ele se sentava, mas depois, sentiu o toque de sua mão, era como encontrar um tronco pra se segurar enquanto boiava a deriva. Entrelaçou os dedos aos dele e suspirou, ainda a permanecer em silêncio por algum tempo antes de enfim falar alguma coisa, pigarreou primeiro.
- Hum... Eu... Preciso me limpar...
Dave fechou os olhos, respirando fundo, ganhando fôlego após a agitação. Encaixou os dedos no entrelace dos dele. Estava leve e muito confortável, mas sentia sempre que alguma coisa faltava quando terminavam, Rhys sempre parecia um pouco perdido depois, ou algo parecido com isso.
- Ah, relaxe um pouco.
Rhys sabia o que era, quer dizer, inconscientemente sabia. Desde que começaram sempre levou como uma brincadeira, mas conforme o tempo fora passando, foi ficando mais sério e não sabia o que fazer com os sentimentos que tinha dentro de si, ficavam todos amontoados jogados atrás de uma porta que sempre abria um pouco mais quando transavam e se tocavam de forma íntima. Tinha uma pedra no peito toda vez que a euforia do sexo passava, ainda mais agora, que tinha dito a ele o que sentia. Não que ele não soubesse, bem, pelo menos imaginava que não.
- Dave... O que eu disse, eu...
- Hum? - Dave murmurou, tentando parecer desprendido daquilo, não queria ter uma conversa tensa, mesmo que normalmente gostasse de fazer exatamente aquilo, faze-lo dizer coisas que mais tarde ficaria envergonhado ao pensar, aquilo era diferente.
Rhys suspirou, estava leve, mas ao mesmo tempo a beira de um ataque de pânico.
- T-Tavez... Não... Talvez não. Eu... Eu sinto.
Dave franziu levemente o cenho, agora estava um pouco confuso mesmo, não havia entendido seu raciocínio.
- O que? - Indagou e se virou para olha-lo.
Rhys cobriu o rosto com ambas as mãos e as mãos estavam visivelmente trêmulas, suspirou profundamente.
- Eu te amo. - Disse, sentindo todo o ar sair dos pulmões e talvez um pedaço da alma em conjunto.
Dave sentiu desvencilhar o toque, e então afundar o rosto contra as mãos, a voz soou abafada, mas entendeu perfeitamente. Ficou em silêncio por um tempo, não sabia se devia dizer uma resposta com naturalidade, se devia ser menos direto, mas bem, falou então sem rodeios, enquanto levava a mão até um de seus pulsos, tirando da frente de seu rosto. Abaixou-se em direção a ele e encostou em sua testa.
- Eu sei, e eu também.
Rhys retirou as mãos do rosto e olhou pra ele conforme se aproximou, tocando-o em sua bochecha áspera pela barba, franziu o cenho.
- Desculpe... - Murmurou, e não sabia dizer mais do que isso, queria pedir desculpas a ele por muita coisa, por todo o tempo que ele havia perdido consigo, tentando alguma coisa que não lhe dava, por todas as vezes que deveria ter dito aquilo a ele, por ter desejado muito ser tudo que ele queria, mas não conseguia. Era uma palavra tão simples, mas era tão carregada de milhares de significados que saiu até pesada do peito. Não seria capaz de dizer a ele o porquê daquelas desculpas, só esperava que ele entendesse sem questionar.
Dave afastou-se pouco e suficiente para olhar pra ele, sem entender o motivo do pedido de desculpas, mas quase o via torcer os lábios quando falava, então preferiu não perguntar. Embora sentisse por Rhys o mesmo que ele por si, nunca esperou nada dele, nunca exigiu nada dele, então não entendia a razão de se sentir tão pressionado. Era um homem adulto e entendia as implicações das relações, especialmente porque na banda, eram quase uma família, mas talvez, para ele, entender que sentia alguma coisa, era como ter uma pressão da própria parte, como se estivesse o tempo todo exigindo algo que ele não podia entregar.
- Eu sei, estamos bem.
Rhys assentiu e suspirou, ficou ali por alguns segundos, mas parecia não ter ar o suficiente naquela sala depois do que havia dito. Era um inferno dentro da própria cabeça, por que não conseguia simplesmente falar as coisas? Queria realmente ser como o Noah, indo morar com o Leo em três meses de relacionamento. Ver os dois juntos, se abraçando, era quase um soco no próprio rosto. Eram amigos, certo? Dave era o próprio amigo, só... Queria abraçar ele e fingir demência como fazia todas as vezes. Tocou os cabelos dele, acariciou os fios macios, ele cuidava tão bem daquele cabelo. Se sentou no sofá assim como ele e se levantou em seguida.
- Vou no banheiro, você... Devia lavar sua mão também.
Dave sentiu a carícia nos cabelos e tocou sua mão ali, ele parecia estar matutando alguma coisa. Parecia sempre incomodado quando sentia a necessidade de estar verdadeiramente vulnerável. Se fosse uma carícia aleatória sem tanto significado, era fácil, como pedir um sexo casual, agora quando vinha carregando alguma carga emocional, era completamente diferente, podia entender facilmente as emoções de Rhys, gostava de sua transparência involuntária. Assentiu ao comentário por fim, mas o deixou ir primeiro. Ficou no sofá esperando sua ida e sua volta para que pudesse fazer o mesmo. Rhys seguiu até o banheiro, primeiro limpou o corpo, se livrando dos resquícios do sexo feito com ele, na verdade, iria se limpar melhor, mas percebeu que o amigo não se importaria se tomasse um banho por ali, precisava e sinceramente, estava surtando um pouco naquele momento, mas... Abriu a porta do banheiro, voltando devagar para a sala e viu o amigo sentado no sofá, não sabia se estava pensativo ou sonolento, parecia esperar, sorriu afável para si mesmo.
- Dave. - Falou baixo perto dele. - Quer tomar banho comigo?
Dave voltou-se para ele conforme o viu se aproximar, reabrindo os olhos até então fechados enquanto esperava por Rhys. O olhou como quem silenciosamente se perguntava se era uma boa ideia, não por tomarem banho juntos, mas pelas circunstâncias.
- Bom... Vamos, acho que já ouviram mesmo. - Disse conforme se levantou e seguiu o caminho com ele. - Mas não tem toalhas nem nada.
Rhys caminhou com ele para o banheiro, sabia que não tinham toalhas ali, mas tinham uma toalha de rosto, olhou pra ele após perceber isso, mas imaginou que talvez fosse hora de relaxar um pouco a tensão que tinha em si pelo que havia dito antes.
- Não tem problema, eu lambo seu corpo até secar ele todo. - Disse e sorriu, deixando claro que estava tentando o melhor para voltar ao normal.
Dave sorriu a ele conforme tentou descontrair e claro que deu corda.
- Vai me babar inteiro?
- Tá, vai tomar no cu. Eu tento ser sensual e você... - Rhys disse a tirar a camiseta finalmente, deixando de lado e abriu o chuveiro.
Dave riu, agora mais deliberado pelo fato de estarem dentro de um cômodo fechado.
- Ora ora, hoje está muito desbocado, Ivy. - Disse e seguiu logo atrás dele, tocou sua cintura conforme tirou a camisa, apenas com a mão limpa, é claro.
Rhys virou-se para ele ao sentir o toque, era engraçado porque sabia que estava longe de ter um corpo perfeito ou de ser lindo, mas ele nunca havia desistido de si ainda assim, sabia que ele gostava do que era e não de aparências. Quando pensava nessas coisas, é... O amava mesmo. Puxou a camiseta dele, cuidadoso e deixou junto da própria, ele já estava sem o resto da roupa, então foi fácil. Aproximou-se e selou os lábios dele, entrando no chuveiro a puxa-lo consigo. Com ajuda dele, Dave tirou o que restava da roupa, puxando por cima o que desalinhou os cabelos e tentou ajeitar com a mão útil. Sorriu conforme ele se aproximou, então retribuiu o selar de lábios antes de ir com ele até o chuveiro. Entrou embaixo d'água e deu uma suspirada, satisfeito.
- Ah, eu queria estar em casa, daí teríamos toalhas.
- Se quiser podemos ir. Eu tô bem pra dirigir. Só ajeito o sofá e vamos. Assim o Leo e o Noah ficam mais confortáveis também. - Rhys disse num suspiro pela água quente, assim como ele. - E você pode dormir enquanto eu dirijo, eu não moro longe mesmo.
- Him, agora já não faz diferença. Já transamos, já ouvimos eles gemendo, já te ouviram gemer, já estamos sem toalha. No mínimo eu quero um café da manhã bom. Noah deve fazer alguma coisa legal, ele gosta de cozinhar.
- Bom, ainda podíamos ter a minha cama, podíamos transar de novo. Mas, se você prefere comer o café da manhã do Noah ao invés da minha bunda, tudo bem.
- Opa, eu não disse isso. Eu não estava pensando que você queria mais um round. Inclusive podemos fazer aqui mesmo.
- Isso tudo é preguiça de ir embora? - Rhys riu, bagunçando os cabelos curtos molhados pela água.
- Hum, um pouco. Mas se tiver afim de ir, podemos ir sim.
- Não, tô enchendo seu saco. Você quer é ver o Noah, hum? - Rhys disse provocador. - Só porque ele é bonitinho.
- Ah não, prefiro você. - Dave disse, direto e até provocador.
Rhys sorriu meio de canto ao ouvi-lo e puxou-o para si, selando seus lábios.
- Vamos tomar banho, ah? Você está com sono.
- Isso eu estou mesmo. - Dave disse após retribuir o beijo. Na verdade passou os braços sobre os ombros dele e deitou-se ali, quase se escorando nele.
Rhys riu e ao contrário do que ele imaginaria, o abraçou, segurando-o nos braços ao invés de afasta-lo. Acariciou seus cabelos e beijou seu rosto meio de lado.
- Está tão quentinho aqui...
- É, por isso eu estou com preguiça de ir embora, ainda mais que tá nevando. Vamos só desmaiar de novo. - Dave dizia preguiçosamente, tendo passado a euforia sexual, o peso do sono começava a voltar.
Rhys riu e assentiu.
- Você de novo né, eu pela primeira vez. Eu não gosto de dormir brigado com... - Pigarreou. - Eu não gosto de dormir... Na casa dos outros. Vamos, vamos tomar banho.
Dave sorriu, sabia o que ele ia dizer, mesmo depois de se declarar, estava ali tentando escolher palavras. O riso seria audível apenas num sopro pelas narinas.
- Você quem disse pra dormir aqui.
- Sh... - Rhys disse, buscando o sabonete líquido e passou a se lavar com ele, tirando os resquícios do sexo do próprio corpo.
Dave suspirou e estava mesmo querendo voltar a dormir. Pegou o sabonete após ele, que evidentemente era um sabonete para as mãos, então tomaram aquele banho improvisado e se vestiram com as roupas de antes após secarem-se com uma miúda toalha de mãos, ou rosto, provavelmente de mãos. Após o guitarrista terminar o uso, voltou-a aos cabelos e passou a sacudir, esfregando-a contra eles já que havia molhado, quando suficiente, pendurou de volta no lugar.
- Podemos?
Rhys assentiu, agora limpos podiam voltar a se deitar, e bem, por sorte não haviam sujado o sofá, ou ainda teriam que limpar tudo ao redor. Ele parecia cansado, dificilmente recusava sexo, não tinha recusado no banho, mas não insistiu depois também. O escuro e o silêncio eram confortáveis demais, nem tinha se deitado e já estava com sono.
- Acho que eles dormiram também.
- É, vamos aproveitar enquanto está escuro ainda. - Dave disse e se virou para ele antes de se deitarem de volta no sofá, o tocou no rosto, quase nos cabelos. - Vai ficar lá em casa amanhã?
Rhys sentiu o toque e ergueu o rosto, tinha que fazer isso pra olhar pra ele uma vez que era mais alto do que a si. Tocou a mão dele no próprio rosto, acariciando-a suavemente.
- Uhum... Podemos fazer algo legal, tocar um pouco, sei lá.
- Transar, jogar alguma coisa. - Dave sorriu canteiro e afagou sua bochecha antes de solta-lo e voltarem para o sofá.
Rhys sorriu e assentiu, mas o segurou pela barra da camisa antes de se deitar, puxando-o para si e selou seus lábios, demorado e se permitiu beija-lo, empurrando a língua para sua boca de forma delicada, aquele não era um beijo como antes do sexo, era talvez um de finalização, um beijo de boa noite podia dizer assim. Quando finalizou, o olhou de perto, seus olhos azuis eram quase invisíveis naquela luz, assim era perfeito, tinha vergonha de falar qualquer coisa em muita luz.
- Nós... Podemos namorar...
Dave fez menção de ir até o sofá, mas sentiu a barra da camisa segurada, conhecia aquela puxadinha e gostava dela, estava acostumado. Então voltou uns passos atrás e se virou para ele, ganhou um beijo o qual retribuiu, gostava mesmo do beijo dele. Pensava, mas saiu da divagação ao ouvir seu pedido? Ou sugestão? Não sabia o que era aquilo, mas mesmo na luz baixa, o olhou um pouco surpreso.
- Ah, tá.. Podemos mesmo.
- Eu só não... Não sei se quero falar pros outros sobre isso. Podemos só manter entre a gente? - Rhys disse e suspirou, era evidente que ficava desconfortável em falar dos próprios sentimentos, sempre parecia trêmulo.
- Tudo bem. Não tem porque ficar anunciando de qualquer forma. - Dave sorriu e não era um sorriso apenas de casualidade, mas sim um reflexo dos sentimentos na ocasião. Estava ainda estranhando a situação em si, será que seria assim no dia seguinte? Rhys parecia coturbado naquele dia. Se aproximou e beijou sua testa, quase nos cabelos, na verdade.
Rhys assentiu e sorriu, se sentiu confortável em falar aquilo com ele naquele dia, entre ambos, quando sozinhos, tudo era mais fácil, tudo fluía muito bem, eram perfeitos juntos e por isso, achou que se fossem passar mais tempo juntos, poderiam continuar como um casal. Parecia razoável, não? Assim seria fiel a ele e ele a si, embora duvidasse muito que ele não fosse, porque era a ele ainda que não tivessem um título expondo isso. Ergueu o rosto ao sentir o beijo e fechou os olhos, sentindo o toque na testa e sorriu igualmente, seguindo finalmente para o sofá com ele. Esperou que ele se deitasse e se deitou em frente a ele, virando-se de frente e acomodou-se em seu peito, como tinha costume de dormir na própria casa. Quando finalmente de volta ao sofá, Dave afundou-se nele e quase gemeu satisfeito, estava mesmo cansado naquele dia, havia resolvida diversas coisas até finalmente ir até lá. Cedeu o braço para Rhys, então o sentiu se acomodar como era típico. Gostava daquele jeito dócil que ele tanto tentava esconder, mas sabia como ele era no fundo, e por isso era apaixonado por ele afinal.
- Boa noite, Ivy.
- Boa noite, III. - Rhys murmurou, sorrindo para si mesmo já que ele não podia ver, estava animado, quer dizer, estava feliz por ter conseguido falar pra ele. Talvez... Pudessem morar juntos também no futuro. Mas... Uma coisa de cada vez.
Referência a música The Love you want - Sleep Token


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