Vessel e Noah Sebastian #17



Noah sorriu e assentiu, se levantando a ajeitar as roupas no lugar e também os cabelos, queria parecer apresentável para os amigos dele. Caminhou atrás dele para a porta e quando ele enfim abriu viu Rhys e Dave acenarem com uma das mãos.
- Caralho mano, achei que você tinha morrido, já ia começar a ligar pros hospitais. Custa responder a gente? Daqui a pouco nem é mais seu aniversário. Parabéns, cara. - Disse Rhys e abraçou o outro, apertando-o a bater algumas vezes em suas costas, sem força de fato e carregava consigo uma sacola de presente, achou o detalhe fofo.
- Parece até que você não conhece o Leo, Rhys. - Disse Dave. 
O riso soou entre os dentes de Leo e primeiro apertou a mão dele, o que precedeu em um abraço. Logo após fez o mesmo com Dave. Adam ainda não estava com eles.
- Obrigado, cara. Valeu. Entrem, venham. Bom, vocês já se conhecem, então...
Noah acenou para eles atrás de Leo e riu baixinho, Rhys quis cumprimentar a si da mesma forma, então apertou sua mão naquele meio abraço, achava aquele toque interessante, foi o primeiro que havia dado no namorado, depois cumprimentou Dave.
- Não sei se a gente vai pedir pizza ou...
- Ah eu estava pensando em assar uns hamburgueres pra gente, sei lá, Leo tem uma churrasqueira lá fora, posso comprar as coisas rapidinho, cerveja, vocês bebem o que?
- Você ganhou na loteria né, Leo? - Disse Rhys. 
- Ele gosta de cozinhar com os amigos dele. - Leo sorriu com o canto dos lábios e fitou-o de soslaio com o mesmo sorriso.
- E aí. Podemos só comprar algumas paradas pra não ter que ficar cozinhando, mas se fizer questão, podemos pedir pro Adam trazer umas coisas, ele ia trazer umas bebidas.
- Ah, eu acho divertido, não é nenhum trabalho pra mim. - Noah sorriu. - Pode pedir pra ele trazer o que vocês gostam então. - Disse ainda num sorriso bobo pelo dito por Rhys, bem, nunca se sentia de fato como grande coisa pra alguém, então, era legal ouvir isso. Desviou o olhar ao namorado e piscou a ele.
- Ah, esqueci, trouxe uma coisa pra você. É difícil escolher alguma coisa pra alguém que tem absolutamente tudo, mas acho que você vai gostar desse vibrador. Brincadeira. - Disse Rhys a entregar a sacola ao loiro, sorrindo meio de canto, era um anel com runas nórdicas, algo para Vessel na verdade. 
- O vibrador ele resolveu ficar pra ele. - Disse Dave ao vocalista, provocando o guitarrista. Então como ele, entregou um presente, era um pacote de café dos gourmets que costumava gostar e o amigo também. 
O riso soou entre os dentes de Leo, podia ver uma grande diferença comportamental nos amigos quando estavam perto de Noah, não como uma tentativa de aparecer, mas sim como se estivessem se sentindo à vontade, mais do que o costumeiro. Agradeceu ao amigo e novamente o abraçou, na verdade deu um beijo em sua testa, como faria com Vessel, em cada um deles.
- Ivy, manda mensagem pro Adam.
 Rhys estreitou os olhos suavemente e sorriu, cutucando Dave na cintura, uma provocação, depois abaixou a cabeça, esperando pelo beijo do amigo. Buscou o celular e escreveu para Adam sobre a compra dos itens que precisariam. Noah cruzou os braços um pouco perdido, para si era muito estranho aquele excesso de toques deles, beijos no rosto, mas não era parte da própria rotina ou da própria vida, tinha que entender que eram pessoas diferentes, mesmo assim não conseguiu evitar de torcer suavemente os lábios.
- Vou acender a churrasqueira.
- Vocês podem ficar de boa aí, eu vou ajudar o Noah com a churrasqueira. - Leo disse e notou aquele bico leve e típico dele, riu por isso e seguiu o caminho com ele. Era curioso como raramente ficava do lado de fora da casa. - Eu meio que gosto desse bico que você faz. É bem fofo.
Noah caminhou com ele para o lado de fora, vendo sua churrasqueira abandonada, riu baixinho, ele provavelmente nunca tinha usado ela na vida.
- Ah, gosta é? - Disse e riu, negativando. - É sem querer, já virou uma mania.
- É fofo. - Leo disse novamente e o beijou na testa como fez com os amigos. - Aqui, já que ficou com ciúme.
Noah fez bico novamente ao sentir o beijo e ergueu o rosto, mordendo seu queixo, com pouca força, mas não fora só um toque dos dentes. Leo apertou levemente as pálpebras a sentir a mordida. 
- Hum, isso foi penalidade?
- Foi. - Noah disse ainda naquele bico de patinho que ele já conhecia e abriu a tampa de sua churrasqueira. - Meu Deus, você já usou isso aqui alguma vez?
Leo sorriu e afagou seus cabelos.
- Não precisa ter ciúme deles. Além de que, o Dave e o Rhys tem um lance meio enrustido. Na verdade não, eu sempre fiquei pouco tempo em casa fazendo algo que não fosse música.
Noah desviou o olhar a ele e suspirou, assentindo em seguida.
- Como assim um lance meio enrustido? - Riu.
- Bom, parece algo como se um gostasse do outro mas ninguém fala, sei lá.
Noah arqueou ambas as sobrancelhas, interessado na fofoca dos dois.
- Eles tem o que? Seis anos? São adolescentes? Ah não, as pessoas precisam falar o que sentem.
Leo pôde notar como aquilo parecia interessante para ele, tentou não rir. 
- Acho que eles não percebem de fato. Eu não sei explicar, só você prestando atenção mesmo.
- Eu vou ser obrigado a dar umas indiretas, se não vou ser muito infeliz. - Noah riu baixinho enquanto limpava sua churrasqueira, preparando-a para poder usar.
Leo riu, divertindo-se evidentemente, gostava daquele aspecto quase imaturo. 
- Acho que ainda precisamos esperar o Adam trazer o carvão de qualquer forma.
Noah desviou o olhar a ele e riu igualmente.
- Eu sei, só estou ajeitando. E o meu aniversariante quer o lanche dele como? Eu faço especial. - Disse, voltando-se para ele e o abraçou ao redor da cintura, selando seus lábios.
Leo sorriu diante do comentário, mais pelo abraço na verdade. Então passou um dos braços ao redor de seus ombros, enquanto com a outra mão o afagou atrás da cabeça. 
- Você pode inventar alguma coisa, costuma ter boas ideias. Claro, desde que não enfie nada tipo marshmallow e chocolate¹.
Noah sorriu, sabia que ele havia visto aquilo num vídeo próprio.
- Mas ficou tão bom. - Disse num riso. - Meus amigos que disseram "duvido" e o resto é história. - Riu, olhando para ele ainda, seus olhos eram tão bonitos que teve que suspirar, selando seus lábios. - Que tal cebola caramelizada e queijo cheddar? Eu comprei cheddar ontem pra fazer pizza, posso usar no seu lanche, você gosta?
- E só por isso você comeu? Pelo menos tivesse apostado. - Leo disse e riu entre os dentes. Porém reparou em seus olhos tanto quanto ele os próprios, eram castanhos, mas eram mesmo lindos, sorriu sem perceber. - Hum? - Murmurou, saindo do raciocínio, porém compreendeu antes que ele precisasse repetir. - Oh... Parece bom. Mas você sabe que vão secar meu hambúrguer, não é?
- O que é seu é meu, seu egoísta. - Noah disse e riu, selando seus lábios, demorado. Ele estava animado naquele dia, gostava de ver ele feliz assim, sentia o coração quentinho. Roçou o nariz ao dele e ouviu um barulho suave de passos.
- Desculpa gente, eu vim avisar que o Adam chegou, mas eu achei tão fofo que eu fiquei um tempo aqui olhando.
- Estou falando dos caras e não de você. - Leo riu perto dele como estava, mas se virou em direção ao farfalhar de passos. - Ficou olhando, hum? Estava tentando ouvir a conversa, seu cretino. - Disse e por fim deu espaço para Noah, soltando-o do abraço. 
- Até parece que eu ia ficar ouvindo a conversa, eu nem ouvi nada. Eu também quero esse lanche, por sinal, Noah. 
- Ah, e você não ouviu, né? - Noah disse e riu, vendo Adam entrar, meio tímido como sempre, tinha um ciúme maior dele que dos outros, era o que mais se parecia com Leo.
- Eu disse que iam secar. - Leo disse a Noah, e seguiu até Adam, o cumprimentou com um abraço, como os demais anteriormente. Pegou as sacolas que ele levava, seguindo até a mesa externa onde acomodou o que havia trazido consigo. - Valeu, Adam. Jogaram tudo pra cima de você, ah? 
- Ah, eu já me acostumei com a folga do Dave. 
Noah sorriu meio de canto e negativou, esperando pelo carvão para então ajeitar a churrasqueira, bom, agora quem estava com as mãos pretas era si. Caminhou para a mesa, iria limpar a mão com um guardanapo, mas estendeu a mão para Rhys, que estava distraído e acabou apertando a própria mão. Riu, divertido e limpou a mão em seguida.
- ... Por que que eu... Noah!
Noah riu novamente, como uma criança que havia feito arte e aproximou-se do namorado, selando seus lábios.
- Vou cortar a cebola, pra todo mundo agora.
Leo observou Noah seguir um silencioso caminho até Rhys, estender a mão sem motivo algum, quer dizer, um motivo de cumprimento, mas Rhys acabou apenas retribuindo de forma automática, e levou até mesmo alguns segundos para notar, talvez se perguntando porque haviam apertado as mãos. Riu divertindo-se não específicamente pela sujeira, mas porque o guitarrista havia apenas apertado a mão dele sem questionar. Adam por sua vez teve que iniciar alguns desvencilhos de Rhys, quase mal humorado por ser vítima quando nem havia sido o causador daquilo. Então seguiu atrás de Noah, não conseguia deixá-lo encarregado de tudo sozinho. 
- Não, eu posso fazer isso e você continua lidando com a grelha se quiser.
Noah voltou-se para ele e sorriu, negativando.
- Hum, você é o aniversariante. Fica com os seus amigos. Eu não me importo de fazer as coisas.
- Hum, eu os chamei pra que você se divertisse. Eu até prefiro que fique tranquilo e jogue com eles, parece que eles ficam mais animados com você por perto, sabia?
- Ficam? - Noah disse num pequeno sorriso, um pouco tímido ou confuso, não sabia. - Que legal... Eu gosto de fazer as pessoas felizes, eu acho. Mas a minha pessoa favorita aqui é você, então... Vamos cortar cebolas juntos. - Disse e na cozinha procurou as cebolas que havia trazido alguns dias atrás do mercado. - Posso te perguntar uma coisa?
- É, estou mesmo animado pra lidar com cebolas. - Leo disse e após seguir com ele, passou inicialmente por Dave que havia se sentado na sala e mexia em algo no celular, talvez lidando com algo do trabalho ou da Twitch. Mas deu atenção ao que pretendia, buscando as opções para que pudesse ajudar ele. - Hum? Me diz.
A sala não era tão longe da cozinha, então Noah se aproximou dele para perguntar o que queria, quase colando em seu ombro.
- Você já transou com algum dos seus amigos?
Diante da pergunta, Leo virou-se para ele, vagarosamente, quase como se a feição e o silêncio dessem a resposta para ele. 
- ...
Noah olhou pra ele e sorriu meio de canto.
- Sei lá, vocês são muito próximos, se beijam em show, se tocam muito... Fiquei curioso.
- Porque isso é atrativo para os fãs. Temos uma grande intimidade de fato, a ponto de que fazer isso não torna nossa amizade estranha. Não tem que se preocupar, hum?
- Não estou preocupado, estava curioso só. Você passa tanto tempo com o Adam, sei lá.
- Exatamente. - Leo sorriu canteiro. - Se fosse pra rolar alguma coisa, já teria. E não vejo o Adam dessa forma. Não os vejo de forma romântica. Vejo de maneira carinhosa, mas não amorosa.
Noah assentiu, compreensivo e jogou as cascas das cebolas que havia separado, bom, foi generoso, não sabia como era o apetite deles.
- Eles comem bem?
- Comem. Você vai se surpreender com o Dave. - O riso de Leo soou entre os dentes. - Me diz que fazer. Ajudo com as cebolas. Em tiras?
Ao ouvi-lo, Noah pegou mais quatro cebolas e riu, divertido, entregando metade a ele.
- Aqui. Acho que é suficiente. Em tiras. Hum, eu acho que vou precisar de um analgésico, meu corpo está começando a doer.
Leo aceitou as cebolas, porém antes de começar o serviço, buscou a caixa de remédios que por sinal, não era exatamente muito completa, tinha analgésico, algum relaxante muscular, bem, ele já sabia que não era muito precavido, mas o remédio pra dor tinha. Deu a ele uma das cápsulas e colocou em sua boca, em seguida ajudou a beber a água já que havia descascado cebola. Só então voltou ao que pretendia, iniciando a atividade sobre a tábua de corte, quase não usava aquilo. Noah sorriu a ele, agradecendo o remédio que bebeu com a água e beijou sua mão em seguida antes de enfim se afastar. Não era realmente demorado ou difícil de cortar as cebolas, nem mesmo de prepara-las para os lanches, usou a maior panela que ele tinha para refoga-las com o Shoyu e um pouco de açúcar, ele parecia gostar do cheiro porque podia ver seu nariz farejando suavemente como já havia dito a ele que ele fazia. Riu baixinho e mordeu o lábio inferior, estava concentrado, quando enfim ouviu Dave dar quase um grito. Virou-se rapidamente para a sala, ele fez o mesmo, mas diferente de si, ele deu quase um pulo para a porta da cozinha. Esqueceu de avisar qualquer um deles sobre o presente de Leo, que agora estava ali sentado no tapete abanando o rabo, não sem antes quase matar Dave do coração. Leo estava concentrado, exatamente como ele, sendo para si uma atividade incomum, fazia tudo com muita atenção, e naquela altura também estava se concentrando em lidar com o ardor dos olhos, agora levemente avermelhados e marejados. Por fim entregou as cebolas para Noah, que lidou com a panela e o que usaria como tempero, o cheiro era gostoso, e não tinha certeza se era pelo sexo de antes ou pelo aroma da comida, mas estava ficando realmente com fome. Talvez por isso ficou tão distraído, e dessa forma, quando Dave se assustou, quase desativou a própria alma, nem mesmo percebeu como reagiu tão rápido, mas parou na porta da cozinha como se tivesse que lidar com algum intruso. E era um pequeno intruso, quer dizer, um novo morador. 
- Oh, acordou, Sebastian... - Disse, quase afável, porém lembrou-se de reagir. - Dave... Você quase levou uma facada, cara.
Àquela altura, os outros já estavam na sala também, Rhys parecia ter percorrido um caminho maior em menos tempo do que Leo inclusive, preocupado com o amigo. É... Noah podia ver aquela coisa entre os dois, sorriu consigo mesmo, por isso e quando percebeu qual era o motivo do susto.
- Foi mal gente, eu esqueci de falar. 
- Ah meu Deus, que coisinha mais adorável. Quem é essa bolinha de pelo? 
- Esse é o Sebastian, é o presente de aniversário do Leo. - Noah sorriu, vendo o pequeno caminhar para Rhys já que ele o havia chamado conforme se abaixou, era completamente bobão, era um filhote afinal, queria carinho e atenção. 
- Ah, olha que docinho! - Disse Rhys a pegar o pequeno no colo e claro, fora lambido bem no nariz, tendo que fechar os olhos. - Você não disse que o Noah estava grávido.
- Porra, eu estava distraído com o trabalho, o tapete parecia ter olhos de repente, quase ficaram sem baixista por mal súbito. 
- Ah, foi uma gravidez surpresa, eu não fiquei sabendo até a criança estar na minha frente. - Leo disse, sorrindo canteiro, havia praticamente dito a mesma coisa para Noah antes. 
Noah riu, as piadas foram as mesmas e achou adorável. Eles se conheciam há muito tempo, era natural que fossem muito parecidos.
- Leo disse que queria ter um cachorro que se parecesse com um lobo quando era criança. Então... Gerei um pra ele. - Riu.
Adam deu uma risadinha sutil e negativou, tocando a cabeça do cachorro, sentindo seu pelo macio.
- Eu achei a ideia boa, o Leo fica muito sozinho. 
Noah sorriu meio de canto.
- Ele não vai ficar mais. Vamos morar juntos agora. 
- Tá brincando! É sério? Caramba, que legal. Nem a gente conseguiu morar junto com o Leo no começo da banda. - Dave riu. - Quer dizer, acho que ninguém conseguiu, não sei nem como ele não expulsou os pais dele de casa quando ele nasceu.
Leo riu e negativou, defendendo-se. 
- Claro que não, eu precisava deles pra conseguir comer. - Brincou e riu abertamente por isso. - São coisas diferentes, não preciso morar com meus amigos e meus pais. Você se daria melhor morando com o Rhys, Dave. 
- Não joga essa bomba pra mim. - Disse Rhys, evidentemente provocando o amigo, que deu uma piscadela pra ele em seguida.
- Olha que filho da puta. - Disse Dave a tocar a cabeça do cãozinho, vendo Rhys coloca-lo no chão em seguida. Noah riu, divertido e negativou.
- A vida é muito curta gente, vamos assumir esses romances logo. - Falou mesmo, como disse que faria, mas fez em tom de brincadeira. O pulo que deu agora foi por outro motivo, ouviu a cebola na cozinha, e não queria que queimasse, então correu, desligando o fogo, tinha pego um pouco no fundo, mas provavelmente não teria um gosto ruim. Voltou em seguida com a panela e o cheddar, montaria os lanches lá fora. - Por causa do Dave vamos comer cebola queimada.
Dave olhou para Noah, dando um sorrisinho de olhos estreitos, este para seu comentário inicial. 
- Não fui eu quem aqueceu as cebolas, isso é culpa do fogo. 
- Bom, caramelizou, funciona bem, não é? - Leo disse a Noah conforme foi até ele, o cheiro era bom. Pegou algumas louças e seguiu até a área externa. Aproveitou para ajudar com a carne que ele pretendia grelhar, deixando ao lado da churrasqueira já bem ativa. - Podia nevar... - Comentou, olhando para o céu. 
Noah riu e assentiu, seguindo com o outro para a parte de fora e enquanto saía podia ver de relance Rhys que novamente se abaixava para brincar com Sebastian, parecia ter gostado dele. Riu baixinho por isso. Deixou as cebolas sobre a mesa, cobrindo-as e o abraçou antes de tudo, beijando seu nariz, sua bochecha e seus lábios, era um carinho meio descontraído na verdade.
- Bom, do jeito que está meio nublado acho que logo neva.
Leo olhou para ele conforme sua proximidade. Retribuiu o carinho ao tocar seus quadris e arrastar as mãos, para cima e para baixo. 
- Espero que sim. A neve e a chuva parecem silenciar tudo, eu gosto disso.
Noah assentiu e selou seus lábios, junto a eles, cantou baixinho.
- And just like the rain, you cast the dust into nothing, and wash out the salt from my hands²...
Leo sorriu num risinho silencioso e descansou o rosto contra o dele, fechou os olhos e ficou por uns instantes. 
- So touch me again, I feel my shadow dissolving.
Noah acariciou os cabelos dele na nuca, fechando os olhos igualmente e por um momento, enquanto eles estavam na sala, estavam em silêncio sozinhos, a voz dele dava tanta calma para si, então sorria sem perceber.
- Will you cleanse me with pleasure? - Murmurou e beijou seu rosto, demorado.
- É claro. - Leo sussurrou e desta vez o risinho foi audível. O beijou na testa conforme se afastou, demorou um pouco por ali. 
Noah riu baixinho junto dele e fechou os olhos com o beijo, não queria se afastar, quase resmungou quando ele cessou o beijo. Olhou pra ele, seus lábios, seus olhos, droga... Não era suficiente, nada era suficiente. Podia pegar tudo o que podia dele e não ser suficiente. Queria ser dele de uma forma quase humanamente impossível.
- As vezes, eu acho que você é a Sleep, porque eu cultuaria você como um Deus muito facilmente.
- Bom, você pode tentar. 
Leo respondeu e deu-lhe um risinho entre os lábios fechados mesmo. Por alguma razão haviam entrado num ritmo mais lento naquele momento, curioso não foi a forma repentina como isso aconteceu, mas sim porque aconteceu para ambos, ou pelo menos teve essa impressão. 
- Vou fazer um altar pra você na sala então. 
Noah riu, e realmente, estava calmo, olhava pra ele com aquela expressão apaixonada que já conhecia, tão concentrado em seu rosto e como ele era bonito, como estava em paz. Suspirou e selou seus lábios, mas empurrou a língua para a boca dele, aproveitou que não tinha ninguém por perto para beija-lo. Leo retribuiu o beijo, por um momento na intenção de apenas selar seus lábios, ele no entanto, tinha outro plano, então abriu os olhos e olhou seus olhos miudinhos fechados, até deu um risinho por isso, mas retribuiu o beijo, esperando que ninguém resolvesse ir até lá. Noah o segurou ao redor da cintura, deslizando as mãos por dentro da camiseta que ele usava, deslizou as unhas em suas costas, era suave, um carinho, adorava beija-lo, mas sabia que o beijo sempre chamava alguma coisa a mais, por isso não insistiu em coisas provocativas além do toque de lábios. Leo suspirou em evidente agrado pelo toque, gostava da carícia, mesmo com gentileza, era um toque que deixava o corpo leve, mas sabia que nunca trocavam carícias que não levassem a nada. Então mesmo o beijo interrompeu aos poucos, mesmo que não tivesse o soltado do abraço. 
- Hum, não vai querer ficar animado aqui agora.
Noah suspirou, profundamente contra os lábios dele e assentiu, já haviam transado uma hora antes, mas já havia falado isso várias vezes, ele nunca era o suficiente, quer dizer, nunca tinha o suficiente dele, precisava sempre de mais.
- Hum, tranca todo mundo pra dentro e me coloca em cima dessa mesa. - Murmurou contra seus lábios, mas riu em seguida. - Me deixa fazer os hambúrgueres, bonitão.
Leo riu, divertindo-se. 
- Por alguma razão trancar todos eles dentro de casa sem saber o motivo, seria bem divertido. - Soou quase travesso. Por fim beijou sua bochecha, mordiscou sua mandíbula e lambiscou sua pele, sentindo a aspereza da barba começando a aparecer. - Parece a língua de um gatinho. Eu gosto muito desse toque.
- Uma pena que a porta de fora seja de vidro. - Noah riu e sentiu um arrepio percorrer a coluna, estava excitado, mas pelo menos o sexo ainda estava em paz. - Hum... Não faz isso... - Murmurou e se enfiou no pescoço dele, o mordendo com a força que sabia que ele gostava, gemeu suave contra sua pele.
Leo mordeu o lábio inferior à medida em que sentiu sua mordida, então abafou qualquer ruído que pudesse fazer com a voz. A pele já estava arrepiada como a dele àquela altura. O apertou num de seus braços. 
- Eu... fui sutil, não fui sexual, mas você me diz pra não fazer e faz pior?
Noah sorriu ao ouvi-lo, mostrando os dentes e os lábios formaram um pequeno bico quando fora apertado, afastando-se para olhar pra ele, eram sempre muito táteis, então naquele momento, podia cortar a tensão sexual entre ambos com uma faca de tão densa.
- Quer ir comigo no banheiro? Vamos rapidinho, ninguém vai ver e você me dá algo pra morder.
- Hum, não vamos até o banheiro. Você precisou de um analgésico agora pouco. Gosto de te dar prazer, mas você quis fazer esse encontro hoje, então vai precisar estar nele. - Leo riu, foi quase provocador na verdade.
- Hum, só eu ia te dar prazer. - Noah disse ainda no bico. - Queria chupar você, mas você não colabora entendendo minhas indiretas. E ora, o que eu tenho a ver com o fato deles terem vindo sem avisar? - Cruzou os braços e estreitou os olhos, mas assentiu.
- Mas você acha que eu conseguiria sentir sem devolver? - Leo sorriu com o canto dos lábios. - Deveria saber que não. - Disse e tocou seu nariz, apenas um toque, como pressionando um botão. - Vou servi-lo mais tarde.
Noah fez bico novamente, mas assentiu, sabia que ele também gostava de tocar, em todas as vezes que tentava toca-lo com a boca, acabava em cima dele, não eram do tipo de fazer apenas preliminares.
- Vai me servir, é? - Noah disse contra os lábios dele e sorriu, beijando-os suavemente em seguida. - Vai ser meu provedor? - Murmurou, mas riu baixinho. - Não cante, se não você vai sim comigo pro banheiro.
- Eu vou servir meu rei, não? - Leo retrucou, levando adiante como a brincadeira da manhã, então sorriu contra seus lábios, divertindo-se com a forma quase imediata com que ele falou para não cantar, quase um reflexo enfático. E embora o quisesse mutuamente, ele tinha sorte ou azar, que fosse muito reservado, então não faria mesmo aquilo de forma que os amigos terminassem desconfiando das atividades, pelo menos não por enquanto. - Então vamos comer e recarregar a energia que você quer tirar de mim outra vez.
Noah assentiu num sorriso novamente e roçou o nariz ao dele antes de enfim se afastar, suspirando profundamente.
- Hum, vou fazer o jantar do meu cavaleiro. - Noah disse a colocar os hambúrgueres na churrasqueira. - Pega uma cerveja pra mim? - Inclinou-se para ele e selou seus lábios mais uma vez.
Leo sorriu sob sua carícia, de fato ele era muito tátil, era extremamente carinhoso, e curiosamente parecia estranhar a interação com os integrantes como Vessel, mesmo que para si, um beijo na testa dos amigos fosse apenas como uma brincadeira, como uma benção dos avós. Assentiu ao pedido e por fim seguiu até a cozinha, buscou as cervejas que por vez, já estavam frias o bastante. Pegou uma para si também, embora não fosse muito de beber, as vezes gostava de aproveitar um pouco da leveza do álcool. Quando voltou para encontra-lo, já vinha acompanhado dos demais, e que agora também se serviam de algumas cervejas. Como Rhys e Dave estavam se enturmando sobre algum assunto sobre as músicas e acordes, já que Dave também tocava guitarra, Adam se aproximou do amigo vocalista, com quem tinha mais intimidade, deu a ele um sorriso suave enquanto abria a própria cerveja. 
- Você tem estado bem feliz, eu gosto disso. Noah tem feito bem pra você.
- Por que vocês falam como se eu não fosse feliz normalmente? Eu tenho essa cara de melancólico, eu sei. Mas você me conhece. - Leo disse e deu um sorriso contrariado, mas entendia o que ele estava falando. - Ele é oposto a mim em comportamento, ele é sociável, adora lidar com os fans, é quase invasivo em alguns aspectos, mas talvez ele me faça ter esforços que eu não faria se dependesse de mim exclusivamente, e isso é bom, não é?
- Você entendeu o que eu quis dizer. - Adam riu. - Eu sei que você é feliz, mas... Porra, como eu vou explicar. Você parece animado, parece... Diferente. E pelo jeito como vocês se olham e como estão morando juntos e tudo mais, sei lá, fico feliz que esteja dando certo. Mas sim, acho que ele vai fazer bem pra você em alguns aspectos que você tem lidado com a fama, mesmo com os fãs.
- Ow Leo, eu quero ser padrinho do casamento. E do cachorro.
- É, eu entendi. Ele me tira da minha zona de conforto e me coloca na zona de conforto dele. - Leo sorriu canteiro, mas se voltou para Rhys em seguida, o qual não havia notado que estava dando atenção a própria conversa. - Noah, quando o Rhys for embora, fique de olho se ele não vai levar o Sebastian, tô achando ele meio suspeito.
Noah não havia ouvido o assunto deles porque estava ocupado dando atenção à churrasqueira. Em um certo ponto, fez um coque improvisado no próprio cabelo, tentando impedir o cheiro de fumaça, embora soubesse que era um pouco inútil, ficaria defumado de qualquer jeito. Temperou a carne e só o cheiro já fazia o estômago roncar, suspirou, mas voltou-se para ele e os meninos que se acomodavam nas cadeiras de madeira da área externa e Sebastian, se movendo agitado no colo do guitarrista, tentando descer para conhecer a neve e o pequeno jardim que ele tinha ali fora. Riu, divertido. 
- Eu vou ter que te revistar hein, Rhys. 
- O Adam é mais suspeito, ele só tem cara de quietinho, mas ele ta toda hora olhando o Sebastian. Aliás, por que você deu o nome do seu namorado pro cachorro?
- Como você sabe que é o nome dele? Andou pesquisando no Google? - Leo deu um risinho entre dentes. - É um nome bonito, o Noah quem me deu, então combina perfeitamente com o Sebastian, fala se não combina? 
- Pior que combina mesmo, sei lá porquê. - Disse Dave. 
- Acho que todo mundo do universo sabe que o nome dele é Noah Sebastian. - Rhys riu. - Mas combina mesmo, ele tem uma carinha de lord, olha que fofo.
Noah riu novamente, retirando as carnes para servir nos lanches que já estavam dispostos, finalizou eles com a cebola e o cheddar e levou para a mesa, bom, eram homens, então já tinha seis prontos. Voltou para colocar mais na grelha, mas se sentou junto deles em seguida, do lado do namorado, é claro. Abriu a cerveja.
- Adam, senta aqui com a gente, cara. - Disse quando viu o amigo dele sentado no final da mesa, estava meio longe, só então ele veio timidamente e se sentou ao lado de Dave.
- Eu disse, é um nome de lorde. - Leo disse e olhou para Noah ao fazer isso, havia falado da mesma forma praticamente. - Sente-se um pouco, eu vou fazer o restante da carne. - Disse a Noah conforme se sentou e tocou sua perna, deu uma apalpada leve, ele estava quieto, não sabia se era concentração ou se estava incomodado com alguma coisa, porém, logo chamou Adam, então deduziu que ele não era um problema, as conversas não eram. 
- Mano, eu vou comer, vocês estão enrolando, já estou ouvindo até o estômago do Noah roncar. - Disse Dave. 
- O meu começou, o cheiro tá muito gostoso. - Respondeu Leo. 
Noah riu divertido, sentiu o toque na perna e negativou, segurando a mão dele.
- Não, deixa eles cozinhando lá sozinhos. - Disse num pequeno sorriso, não estava nem um pouco incomodado na verdade, só estava esperando o assunto chegar em si para poder responder. Colocou um dos lanches num papel e num prato para ele, depois fez isso para si.
- É, meu estômago vai sair correndo daqui a pouco com certeza.
- Ah que bonitinho que o Noah coloca seu hambúrguer pra você, Leo, o bebê dele. - Disse Rhys num sorriso, provocando. - Até as roupas vocês estão combinando. Dave, por que você não faz meu lanche?
Leo arqueou levemente a sobrancelha e negativou ao fechar os olhos, como quem desprezava o comentário, mas era apenas uma provocação de volta. 
- Ah, você quer que o Dave faça seu lanche por que? Vocês estão namorando? 
Dave olhou para Rhys, deu um sorrisinho provocador com a resposta de Leo para ele. Não precisava proferir, na expressão já deixava claro que estava gostando da invertida.
- Não, mas melhores amigos deveriam fazer o lanche um do outro também. - Rhys disse a cruzar os braços, formando um pequeno bico ao ser contrariado. 
Noah Riu e negativou, experimentando o lanche, porra, estava bom, suspirou em apreço.
- Então por que você não faz o lanche pro Adam?
Leo indagou e finalmente pegou o próprio hambúrguer, passando a comer junto de Noah. Olhou para ele e suspirou, fechou os olhos e assentiu, imitando a forma como ele mesmo costumava fazer. 
Noah riu, no meio da mordida que havia dado no lanche, ele era afiado, gostava disso. Rhys mostrou o dedo do meio para o outro e colocou o lanche do baterista num papel, entregando a ele.
- Toma Adam, come seu lanche.
- Com essa raiva toda eu vou até passar mal. - Disse Adam diante do lanche entregue para si. Então apenas entregou para Dave ao lado. - Aqui, acho que ele queria dar esse lanche pra você. 
- Ah... Deixa eu dar o lanchinho dessa criança. - Dave disse quase como quem realmente falava com o cão no quintal. Por fim ajeitou o lanche como Noah havia feito, dobrou até bem encaixadinho no papel. - Tó, Ivy.
Rhys fez um bico contrariado e estendeu a mão a aceitar o lanche feito pelo outro, mordeu um pedaço silencioso, mas sorriu em seguida.
- Nossa, isso tá muito bom. 
Noah sorriu, mais divertido pela discussão entre eles do que qualquer outra coisa.
- Valeu, que bom que você gostou. Acho que meu carinho com o Leo vai causar discórdia nessa mesa. - Riu, tocando a coxa do outro ao lado de si.
- Ele só gosta de provocar. É o lance deles dois. Mas não se preocupe, logo o Rhys arruma uma namorada e para de alugar o Dave. - Leo disse e voltou a comer, quase ficando em silêncio por isso, já que estava mesmo gostoso. 
- É, logo ele arruma uma mina.
Rhys sorriu meio de canto e voltou a comer, aquele filho da puta do Dave teria um grande problema mais tarde se quisesse alguma coisa consigo. Noah desviou o olhar ao namorado, sorrindo meio de canto, agora a tensão quase podia ser cortada no ar.
- Ahn... Vocês... Podem me ensinar a jogar RPG?
Leo pôde notar, pela primeira vez, a forma expressiva como Rhys reagiu ao comentário de Dave, na verdade até arqueou as sobrancelhas e olhou para Noah, já que o guitarrista costumava ser tão sutil acabou surpreso. 
- Eles vão querer beber primeiro, até que a história fique toda deturpada.
- Oh. - Noah disse e riu, assentindo. - Bom, faz muito tempo que eu não fico bêbado, pode ser interessante. Se... Você não se importar.
- Hum, eu acho que isso é escolha sua. - Leo respondeu, embora tenha se lembrado do comentário dele a respeito da bebida, sabia que era algo frequente em sua vida, mas não sabia o quanto e como. Falou quase preocupado na verdade, mas foi afável tentando não parecer estúpido.
Noah assentiu, não era de fato alcoólatra, adolescentes fazem besteira apenas, bebia muito com os amigos, mas não era um problema constante do tipo não consigo parar de beber. Isso foi um problema maior durante e após o próprio casamento, mas bem, o problema não era a bebida em si, e sim a depressão que sentia naquela época, agora, iria se divertir com eles apenas. Bebeu um gole longo da cerveja, seria cuidadoso, não ficaria bêbado a ponto de perder a consciência, queria só ficar alegre pra se divertir com ele.
-  Bom, o Noah vai ter que ser o nosso cozinheiro oficial de agora em diante porque... Puta merda isso é muito bom. - Disse Rhys. 
Noah riu baixinho e assentiu em agradecimento.
- Eu gosto de cozinhar, isso não é um problema pra mim.
- Não, ele não vai ser um cozinheiro de vocês. A menos que ele esteja afim de inventar alguma coisa. - Retrucou Leo. 
- Bom, eu estou só experimentando, preciso de mais uns dois ou três pra confirmar. - Disse Dave. 
Leo bebericou da cerveja, acompanhando o hambúrguer. Não bebia tão bem quanto eles, então sabia que mais uma garrafa e seria o limite antes que terminasse dormindo durante o jogo. Noah sorriu ao ouvi-lo defender a si, era adorável. Tocou sua coxa embaixo da mesa e acariciou, aproximando-se dele suavemente quando ninguém olhava e encostou a cabeça em seu ombro, bebendo mais um gole da cerveja.
- Dave, como você é magro desse jeito, cara? Se bem que eu era assim quando era mais novo também. Eu ainda sou, na verdade.
Leo olhou para ele e deu um sorrisinho por trás da garrafa. Em sua proximidade, pôde sentir o cheiro defumado em seus cabelos presos, sabia que tinha prendido na ideia de evitar o cheiro e achava graça nos detalhes vaidosos dele, gostava na verdade. 
- Eu uso crack. - Dave disse e no entanto riu logo em seguida. - Tenho o metabolismo muito acelerado, acabo ficando pele e osso se não cuidar da quantidade de carboidratos.
Noah riu, divertido e teve que se afastar do outro ou riria muito perto do ouvido dele, não esperava a resposta que recebeu. Assentiu veemente.
- É, eu entendo. Quando eu era mais novo eu fui internado duas vezes com anemia, e eu comia muito. Sei lá que porra que acontece. Ainda bem que você não tem esse problema. - Disse ao loiro e voltou a se encostar no namorado. 
- Mas você comia muito e comia muito mal, então não ia suprir mesmo suas necessidades. - Leo disse, mas sabia que soaria um pouco chato, porém era um pouco metódico e sabia que ele ia tinha conhecimento. 
- É, eu como bastante carne e bastante massa, ainda assim eu continuo com pouca gordura. Bom, pelo menos eu posso comer de boa.
Noah suspirou, não se importava que ele fosse metódico, gostava do jeito dele.
- É, quando o médico me disse isso, eu tive que comer um pouco melhor. Pensando bem, eu já fui muito hospitalizado, puta merda. - Riu.
- Tipo o que? Quebrou alguma coisa? - Disse Rhys.
- Cara... Eu já fui internado por anemia, já tive um colapso de um dos pulmões, é eu sei, bizarro. Por uma infecção persistente de garganta. E bom, recentemente, um holofote do palco que caiu na minha cabeça. O Leo cuidou de mim. - Noah disse e tocou a mão dele suavemente, quase um agradecimento mudo.
- O mais bizarro é o lance do pulmão. Mas provavelmente por ter a imunidade baixa, então voltamos a questão da alimentação. Acho que por isso acabou pegando gosto por cozinhar, hum? Teve que aprender a lidar com a comida. - Leo acariciou a mão dele sob a mesa, imaginando que provavelmente sua alimentação era ruim por falta de estrutura familiar e isso deixou a si um pouco melancólico, mas não falou nada.
- Uhum. Na real, era muito difícil achar comida saudável pra comprar naquele época, pronta, no caso. E... Bom, a gente não tinha tanto dinheiro, foi bem no começo da banda, eu era quase uma criança ainda. Foi meio assustador na verdade. - Noah disse num riso desprovido de graça realmente.
- Caralho, você é um lutador hein cara? - Disse Rhys. 
Noah sorriu e assentiu.
- É... Mais ou menos.
- Claro que é. - Leo retrucou e tocou a nuca de Noah, deu um afago suave. 
- Mas agora você é rico, tá pegando um cara que também é rico e vai ter uma dieta boa. - Dave disse tirando o foco da densidade do assunto, parecia estranho para Noah e mesmo para Leo. 
Noah sorriu ao sentir o toque e riu com a observação do baixista, assentindo.
- É, na verdade agora eu posso até pagar alguém só pra fazer comida pra mim, mas sei lá, eu gosto de fazer. Na verdade eu adoro a expressão no rosto do Leo quando eu pergunto se ele gosta de alguma coisa e ele assente como se eu conhecesse ele uma vida inteira. - Riu, mas percebeu que havia soado meio gay, desviou o olhar a eles, suavemente, ninguém disse nada, mas o sorriso provocador de Rhys era suficiente.
- Você tá saidinho hoje, hum? - Leo disse à Rhys, notando o olhar provocador, era só aquele sorrisinho, até ia retrucar e provoca-lo de novo, mas achou melhor não fazer isso, já parecia estranho com Dave àquela altura. 
- O Leo costumava receber a chefe uma vez na semana pra fazer a refeição semanal, parou depois do Noah? 
- Eu dispensei ela por uns dias, acabou ficando um mês, depois outro e aí já sabe. Porque eu não sei se ela reconheceria o Noah, então não queria problemas.
Noah desviou o olhar a ele, não sabia daquilo, na verdade. Se perguntou se estava atrapalhando ele de alguma forma.
- ... Eu posso sair no dia em que ela vier, ou ficar no quarto. Mas eu não me importo de fazer comida pra você.
- Se você vai morar aqui, obviamente terá de conhecer quem entra na casa. Se você gosta de cozinhar eu não me importo que faça, mas nem sempre terá tempo e disposição pra isso, e pode cuidar da sua alimentação com alguém facilitando ela. Deixamos seus dotes culinários pra dias que estiver inspirado, hum?
Noah o ouviu silencioso e assentiu. Novamente ali estava ele agindo como um pai, na verdade não um pai... Um provedor. Sorriu ao pensar nisso, mostrando os dentes a ele, ele não iria entender o raciocínio que teve, mas explicaria em outra hora.
- O Leo sendo um bom marido, que fofo. Ou uma boa esposa. - Disse Rhys. 
Leo sorriu de volta, não exatamente pensando com seu mesmo raciocínio. Porém, sorriso esse que fechou em seguida e fitou o guitarrista. 
- Esposa? Eu sou mulher agora, porra?
Rhys riu, divertido, ele já sabia que gostava de alfinetar e encher o saco, ainda mais porque o deixava irritado, bom, esperava que falsamente irritado.
- Ora, eu vou lá saber quem é o passivo de vocês. 
- Eu sou a esposa. - Noah disse e riu.
- E você é a esposa do Dave? - Leo retrucou, e negativou a Noah.
Dave quase cuspiu a cerveja, mas riu por isso, não era acostumado a ouvir Leo falando palavrão, menos ainda retrucando com alfinetadas tão diretas.
Rhys sorriu meio de canto, era exatamente por não ser acostumado àquilo que agora estava envergonhado. Chutou a canela de Dave por baixo da mesa, indicando que não deveria rir.
- Hoje você tá afiado, hein?
Noah riu, cobrindo o rosto com uma das mãos, não queria deixar tão na cara que estava rindo das respostas dele, mas estava. Dave teve um pequeno espasmo pelo chute, o que fez com que a batesse o joelho no tampo da mesa, e claro, ruiu por isso. Leo olhou para Dave ao ouvir o barulho,  deduziu pela feição de Rhys o que havia acontecido e por isso, diferente de Noah, riu abertamente. Agora que o outro havia rido, Noah fez o melhor que podia, mas riu em conjunto, acabando vencido e contagiado por sua risada, e no fim, todos já estavam rindo, até Adam com sua garrafa de cerveja, e que já parecia estar começando a ficar sonolento.
- Eu sofro bullying nessa banda. Acho um absurdo isso. - Disse Rhys. 
Leo ainda ria quando alcançou a cabeça do amigo, tocou-a no topo e bagunçou seus cabelos. 
- Só não me provocar que não vai sair mal, Ivy. - Dito, olhou Adam que ria, mas parecia ter olhos pequenos como os de Noah naquele momento. - Adam, pode ir deitar um pouco se quiser.
- Hum? Não, eu acordei cedo só. 
- Vamos fingir que ele não acordou cedo porque foi tirar fotos com o Grammy dele? Ou a gente pode zoar? - Disse Rhys. 
Noah sorriu, encostando-se ao outro novamente.
- Aliás, parabéns, Adam. 
- Cala a boca, Rhys. - Adam riu, mas de fato estava grato pelo prêmio. - Obrigado. 
- Nosso menino já tão crescido e ganhando vários prêmios. Você e o Leo, ah? Música do ano também. - Disse Dave. 
Noah silenciou-se quando não podia dissertar sobre o assunto, havia falado sobre isso com Leo mais cedo, mas seus amigos ainda não, sabia que Rhys tomaria outra invertida até sem querer. Bebeu um gole longo da cerveja.
- É, o Leo merecia o prêmio de melhor vocalista e eu estou indignado até agora, fora o Grammy, vocês também mereciam. 
- Ano que vem estamos lá pra encher o saco de todo mundo de novo. - Disse Rhys. 
Leo apenas sorriu, não queria falar para eles o mesmo que já havia dito para Noah, afinal, Adam havia conseguido uma premiação, não ia diminuir a conquista do amigo por pensar de forma tão desapegada a respeito do que era aquela ocasião. 
- Parabéns, carinha. Você merece muito mesmo. Eu? Música do ano para todos nós, eu não fiz isso sozinho. 
- O Leo evidentemente não dá uma foda pra esse tipo de coisa, mas mandamos bem mesmo. - Disse Dave. 
- Essa premiação é sempre injusta com muitos, eu penso que The Cure já merecia muito mais há muito tempo. Infelizmente a música está mudando demais. Bad Omens não apareceu lá e sabemos que eles mereciam muito, não falo isso apenas porque Noah está aqui, mas sim porque bom... Enfim. Adam merecia muito isso de toda forma. - Leo Disse. 
Noah sorriu ao ouvi-lo, era um sorriso para si mesmo na verdade. Sabia que não, sabia que tinha muitos problemas que não traziam o merecimento do prêmio. Olhou ao redor, viu o pequeno de pelos pretos coberto de neve já que se enfiava nela pra brincar, estava frio, mas confortável de alguma forma, estavam bem agasalhados também, suspirou, vendo aquele vapor de ar quente sair da própria boca.
- Acho que eu não merecia estar lá. Eu passei por muita coisa nos últimos anos e acabei deixando muita coisa de lado, acabei não dando atenção ao que eu deveria ter dado, não fiz arte como vocês fizeram. Minha cabeça era um lugar instável e inseguro pra mim naqueles dias, eu precisava focar em sobreviver e não em fazer boa música. Quer dizer, eu amo Death of Piece of mind, mas é óbvio que eles não iam premiar isso como arte, porque vocês são arte no fim de tudo. Os críticos devem olhar pra gente tipo "ah, é só uma bandinha emo", sabe? - Riu, sutilmente, mas não estava de fato feliz, estava desabafando, talvez nem devesse estar fazendo isso e quando percebeu, se calou, sentindo um aperto suave no peito. - Hum, vou... Pegar outra cerveja. - Disse a se levantar e tocou o ombro de Adam. - Vocês são muito bons, ah? Todos vocês, parabéns.
Leo ouviu o que ele tinha a dizer, porém naquele momento precisou ficar em silêncio. Já havia falado com ele sobre tudo aquilo, mas suas palavras fizeram entender que não havia feito diferença, e talvez não fosse capaz de fazer. Abriu a boca, até ergueu a mão para segura-lo. 
- Cara, não tem nada de errado em fazer do jeito que você gosta. Se você faz uma música e gosta dela, que se foda o que os outros vão pensar. Existem gostos de todos os tipos, e vocês tem uma legião de fãs, o que é a opinião de meia dúzia de críticos perto da multidão que preenche um estádio? E outra coisa, você tem que se priorizar mesmo, se precisou de tempo pra se recuperar, está só cuidando do seu maior instrumento musical, você mesmo. Relaxa, a vida não deve ser assim tão preto no branco, vai rolar dias bons e dias ruins, músicas boas e músicas ruins, mas aí que tá a graça, as coisas sempre mudam. - Disse Dave. 
- Ah, eu sei disso. O Leo já tinha me dito isso também e eu tô de boa, eu gosto do que eu faço, das músicas que eu faço e como eu faço, eu não ligo tanto assim pros críticos, mas eu acho que eu desabafei demais e pareci um esquisito. - Noah riu, desajeitado. - Eu passei um tempo foda esses anos atrás, foi mal. Eu sou... Bem fã de vocês, e não queria que ficasse estranho, só isso.
- Naa, não ficou esquisito. Fica esquisito se você agir como se fosse esquisito. - Respondeu Dave. 
Noah sorriu meio de canto e assentiu.
- Mas eu realmente vou buscar cerveja, alguém quer mais alguma coisa? - Disse a balançar a própria garrafa vazia.
Leo levantou-se logo após ele, então seguiu com Noah, havia achado as palavras descontraídas de Dave muito oportunas, sabia que ele precisava de mais do que apenas as próprias palavras, ele precisava de uma opinião que julgasse ser imparcial. Ao entrar na cozinha com ele, levaria algumas cervejas para eles de qualquer forma, antes no entanto, ficou olhando para o vocalista, imaginando se diria alguma coisa, mas apenas lhe deu um sorrisinho. 
- Você não precisa agir como se fossem julgar você pela forma como fala, estamos todos no mesmo barco. Acho que aqui seria o último lugar onde alguém te acharia estranho pelas coisas que passou com a música.
Noah voltou para a cozinha, deixou a garrafa sobre o balcão e buscou uma nova na geladeira, viu ele entrando e suspirou, era engraçado como ver ele tirava um peso enorme do peito, era um rosto familiar, casa, era a própria casa. Lembrou-se da própria música, Specter: Você se sente em casa? Sim, se sentia com ele. Estendeu uma das mãos a ele e aproximou-se, abraçando-o quase forte demais, escondendo o rosto em seu pescoço a sentir seu cheiro.
- Eu sei... Desculpe. As coisas são... Um emaranhado na minha cabeça, eu odeio pensar sobre isso e estou cansado. Eu não queria pesar o clima.
Leo sentiu o abraço que veio quase como um pequeno tranco, um impulso e riu por isso, mas retribuiu sua força, apertando-o ao segura-lo contra o peito. 
- Tudo bem, Seb. Não peça desculpas, as coisas são mesmo confusas a maior parte do tempo. Você não pesou nada.
Noah assentiu e suspirou, estava mais calmo agora, provavelmente precisava só respirar o cheiro dele, sentir seu abraço.
- Então... Cervejas? - Disse num pequeno sorriso ainda sem jeito.
- Você quer subir e ficar comigo um pouco? Descansar um pouco a sua cabeça? - Leo disse e tocou sua nuca, afagando-o. Levava saúde mental muito a sério, e a fragilidade de Noah era algo o qual sentia como uma taça de cristal nas próprias mãos, queria zelar por ela. 
- Não, eu não quero estragar seu aniversário, eu estou bem, não se preocupe. - Noah afastou de suavemente e selou os lábios dele, acariciando seu rosto. - Você... Quando eu olho pra você, eu sinto que você é minha casa. Faz sentido?
- Não é nada de mais, Noah. É só um motivo pra comer e ver uns amigos. - Leo disse e retribuiu o toque, sorriu no entanto e assentiu ao que ele dizia, entendia o que queria dizer. - É claro que faz.
Noah sorriu, repousando o rosto sobre sua mão, meio de lado.
- Eu adoro quando você fala o meu nome. Seu sotaque é tão bonito...
O riso de Leo soou entre os dentes. 
- Sempre tento policiar meu timbre, porque achei que pensaria que estou bravo, embora não tenha como criar um apelido para Noah.
- Eu sei que não está bravo comigo. - Noah sorriu e tocou a mão dele, acariciando suavemente. - Vou terminar os hambúrgueres e podemos entrar, se não vamos congelar lá fora.
- É nada, a churrasqueira aquece todo mundo. Mas sim, vamos comer mais um pouco. A cerveja eu não faço questão, mas eu quero outro lanchinho.
Noah segurou o rosto dele com ambas as mãos, apertando em meio aos dedos.
- Lanchinho, é? Desgraçado, você é muito fofo, você é.... Argh. - Riu e selou seus lábios, demorado. - Eu te amo. 
Leo riu, quase uma gargalhada em sua força de expressão. Segurou suas mãos no rosto e então retribuiu o beijo, sentindo quase o pouco que tinha de bochecha, amarrotadas em suas mãos. 
- Ah, que ódio que eu tenho. - Noah riu com ele, gargalhando contagiado e roçou o nariz ao dele. Quando voltou, os rapazes estavam confusos, silenciosos pela gargalhada de ambos no interior e riu, negativando a entregar as cervejas pra eles. - É que ele é muito fofo, eu não aguento.  - Disse a abrir a cerveja, ainda que falasse coisas como fofo, era meio moleque, então ficava engraçado falar aquilo. - My little spida³. - Disse e selou seus lábios, não se importava nem um pouco com seus amigos, embora Rhys olhasse sempre com aquele olhar provocador, rindo.
Leo sorriu, quase um pouco desajeitado por receber aqueles carinhos, não exatamente físicos, mas verbais, na frente dos amigos. Demonstração de afeto, eram normalmente feitos com uma máscara no rosto, então estava quase despido ali. Deu um sorrisinho e muito oposto foi como olhou para Rhys. 
- Ó, vou te provocar também, Rhys.
- Mas eu não falei nada, caralho. 
Noah riu, divertido e seguiu para finalizar os últimos lanches, levando para eles na mesa, Dave pegou o primeiro sem nem esperar, olhou o olhar de canto de Rhys para saber se iria ganhar o lanche ajeitado de novo, provavelmente não, então pegou outro para si. Quanto a Noah, fez o mesmo, ajeitou o papel no lanche dele e entregou. Leo ia se servir, porém notou a intenção de Noah, então apenas resolveu esperar e agradeceu conforme o teve. Adam esperou os demais se servirem até que resolvesse fazer o mesmo. Dave tal como a si, percebeu nas entrelinhas, por fim o hambúrguer que pegou prontamente, foi na verdade entregue a Rhys, que claro, teve o outro trocado de sua mão. Pareciam um grupo idiota de adolescentes, mas até que gostava disso. Noah gostava também de como pareciam adolescentes, e no fim, era isso mesmo, a idade não importava, sempre seriam crianças. Comeu com eles, conversaram sobre música, sobre viagens, lugares que todos haviam visitado, falou sobre lugares que queria visitar com ele, em um certo ponto, Sebastian largou a neve e se deitou perto de Leo, embaixo de sua cadeira, ficando perto, abanando o rabo para a conversa como se pertencesse a ela. Estava muito confortável ali.

¹ Referência a um vídeo do Noah colocando marshmallow e cobertura de chocolate na pizza. 
² Rain - Sleep Token
³ Pronúncia do sotaque britânico.

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